(Estou a pensar isto para um concurso, portanto agradecia que deixassem a vossa sincera apreciação! Obrigada!)
A qualidade das ditas revistas cor-de-rosa, a meu ver, deixa muito a desejar. Na verdade, apenas as adquirem quem efectivamente quer e não cabe a nós, seres supostamente pensantes, julgar quem as compra.
As revistas cor-de-rosa fazem as delícias da maioria das mulheres portuguesas desde as mais novas às mais idosas que todas as semanas se deslocam religiosamente a um Quiosque, por exemplo, com o intuito de as adquirirem e desfrutarem de um belo momento a coscuvilhar a vida de personagens que marcam a sociedade portuguesa e internacional.
Sinceramente, custa-me, cada vez que vou a uma Papelaria ou a um Hipermercado, ver dezenas de mulheres dispostas em bancos folheando cada página com a polpa dos seus dedos, devorando vorazmente toda a informação que se refere à vida privada de uma determinada personagem ilustrada na revista, comentando cruelmente os quilos supérfluos que alguém ganhou ou então discutindo o divórcio deste ou daquele pouco se importando com o sofrimento das pessoas postas em causa. Quando as vejo ali, sentadas, quase degustando as palavras expressas, indago-me se viverão num mundo real ou num mundo repleto de sonhos inconcretizáveis onde não resta sequer um laivo de misericórdia.
Elas comentam, sorriem com desdém, tecem comentários insolentes, desagradáveis, achando que são perfeitas, apontando defeitos neste e naquele, talvez, suponho, para se sentirem melhor com elas próprias.
As próprias revistas descem ao ridículo de atribuírem notas à indumentária de determinada pessoa. Eu sempre ouvi dizer que os gostos são relativos. Mas serão assim tão relativos? Elaboram notícias extremamente pessoais como a virgindade aos trinta e dois anos de uma concorrente do programa diariamente exibido na Sic, “Peso Pesado”. Eu questiono-me: “O que me interessa isso?”. Fiquei indignada até porque ouvi sorrisos sarcásticos elevarem-se atrás de mim sobre essa notícia, acrescentando ainda que esse facto se deveria ao seu peso excessivo. E eu volto a questionar-me: “ Onde estão os valores morais destas pessoas que criticam só pelo facto de ter peso a mais? Por uma questão de estética?” Não digo que a estética não vale, mas, por quê zombar com estas pessoas? Cada vez mais me convenço que esta nossa sociedade está repleta de abutres que estão sempre atentos para deitar alguém abaixo ao invés de tentar ajudar. Aliás, o povo português conhecido mundialmente pela sua hospitalidade quando conhecido a fundo acaba por desiludir, porque não existe hospitalidade entre a nossa sociedade. Parece que queremos fazer “vista grande aos ingleses”.
Para terminar, deixo um breve conselho: ao invés de investirem em revistas sem qualquer enriquecimento, invistam em revistas que motivem os jovens a enveredarem no mundo do trabalho, a quererem saber cada vez mais não se contentando com pouco. Promovam o gosto por saber coisas úteis, coisas que enriqueçam o ser-humano. Portanto, mulheres que todas as semanas se dirigem para comprar uma revista “cor-de-rosa”, pensem que se eventualmente fossem um aristocrata, uma vedeta ou uma “rock star” não gostariam que dezenas de paparazzis vos perseguissem e expusessem a vossa vida privada numa revista para ser lida por milhões de pessoas. Pensem ainda no dinheiro que dispensam para esse “vício”, uma vez que a crise assola o nosso país e parece não querer nos desamparar. Em vez de se informarem sobre a desinteressante vida dos famosos, façam por querer saber mais sobre estado lastimável do nosso país, de modo a manterem-se informados porque isso interessa.
Finalizando esta minha crítica, deixarei de pensar deste modo quando alguém se disponibilizar a explicar-me o quão enriquecedor é saber da vida das outras pessoas.