- Blair, temos de mudar de apartamento. – disse-me. – Não o achas demasiado pequeno?
- Para nós os dois serve perfeitamente. – disse-lhe dando-lhe um beijo na sua face por barbear.
- Ora aí está! Para nós os dois serve mas pode não servir para sempre.
Olhei para ele. Ficava tão adorável com aquela sua cara de homem misturada com a de um miúdo de seis anos! Completamente irresistível. Às vezes questionava-me se ele tivesse sido criado comigo não teria caído nas garras do amor por ele…
- Nisso tens razão, mas ainda é cedo. – disse-lhe. – Não é melhor irmos para casa? Estávamos lá muito, muito mais quentes.
Ele olhou-me com um sorriso matreiro.
- Por mim podemos ir. O problema é que amanhã tens de estudar, Blair. Eu não quero que fiques todo o dia a pensar em nós!
Sorri.
- Estás muito engraçadinho hoje! – comentei.
- És tu que me fazes ficar assim.
Beijei-o. Era impossível não o ter feito.
Inesperadamente, a meio do nosso beijo o telemóvel começou a tocar. Procurei-o na minha mala que se assemelhava a um arsenal e finalmente encontrei-o. Tratava-se de Erin.
- Blair? Onde estás?
- Olá! Estou na rua. Estou a dar um passeio com Ian. Por quê? Precisas de mim?
- Blair, vem a minha casa agora! Corre e não olhes para ninguém.
Estranhei o conteúdo da sua mensagem.
- Erin, estás a assustar-me. Mas que raio se passa?
Ela desligou-me a chamada.
Ian olhou para mim com preocupação e disse que era melhor irmos ver o que se passava. Dei-lhe a mão e começamos a caminhar em direcção a casa de Erin.
Ao contrário do que ela me havia dito, eu olhei para as pessoas e estranhei o facto de quase todas as elas se fazerem acompanhar de revistas de tertúlia cor-de-rosa, inclusive homens. Tentei espreitar mas nada conseguia ver. Apenas conseguia ouvir comentários do género: “Mas como é possível?”, “Mas que raio? Quem são?”.
Cheguei a casa de Erin, toquei à campainha e ela apressou-se a recolher-nos.
- Erin, o que se passa? – questionou Ian vendo-a atemorizada e irrequieta.
Eric estava ao fundo da sala com uma revista na mão, a olhá-la com estupefacção e depois caminhou até nós, entregando-a em mãos.
- Blair, obrigada por teres confiado em mim. – disse com fleuma Eric.
Olhei-o sem perceber grande coisa.
Folheei por curiosidade a revista e notei que era a mesma que todas as pessoas da cidade estavam a folhear atentamente. Subitamente, virei a revista para ver quais as notícias principais e deparei-me com uma fotografia minha e de Ian no apartamento, a beijarmo-nos. Olhei para ele. Ian estava petrificado. No cimo da fotografia, em letras bem grandes e gordas estava escrito “Amor entre irmãos será pecado?”.
- Blair, abre e lê alto. – disse-me Erin com os olhos em lágrimas.
Ian agarrou-me mais.
Eu folheei até à página indicada. As folhas não pareciam ter qualquer tipo de atrito, pelo que cheguei lá em menos de dois segundos.
- Amor entre irmãos será pecado? Eis a questão, meus senhores e senhoras. – comecei. – Hoje temos uma personalidade não muito conhecida mas muito querida por todos. É inteligente, bonita, bondosa, sempre do lado dos que necessitam, está presente nas festas de caridade e é filha da imponente e imperial falecida Barbara Copperfield Fielding. Eis a menina Blair Fielding Copperfield, a “menina do povo”. Mas será ela assim tão recta? Não me parece… A menina do povo viu-se e vê-se envolvida num escândalo que é capaz de provocar pudor a qualquer um. Constava-se que Blair tinha viajado para Paris e nós fomos atrás dela. Um dia encontrámo-la com um homem muito bem-parecido, musculado e charmoso no carro aos beijos. Quem não gosta de uma boa fofoca? Decidimos investigar quem seria o homem que ganhou o seu coraçãozinho frágil e tão bondoso. Porém, poucos meses depois, ela voltou para a sua cidade trazendo com ela esse homem. Para nossa grande admiração ficámos a saber que esse homem se chamava Ian Yorke, professor de Direito numa das mais prestigiadas escolas de França e que o seu pai era John Yorke. Fontes deveras seguras, revelaram-nos o nome completo desse senhor, que era John Liam Copperfield Yorke. Subitamente tropeçamos no nome da mística senhora Copperfield e na sua trágica história de vida ao perder marido e filho. Mas… no entanto, tudo era uma impiedosa mentira. Toda a família está viva. John Yorke, pai de Ian Yorke e de Blair Copperfield Fielding era casado com Barbara Copperfield. E, para além disto, descobrimos que ambos foram dados como mortos. Estranho… muito estranho… Continuámos a investigar até que percebemos que aquele homem era, sem sombra de dúvida o seu querido e supostamente falecido irmão. A menina do povo, a menina adorada, a menina que dispensa fama irá tê-la e o seu querido irmão… ou namorado, o que quer que eles sejam será cúmplice nesta história. Sugiro que comecem a pensar num nome para dar a este tipo de relação porque não me ocorre nada para além de “incesto”. Bonito era se desta harmoniosa relação nascesse um rebento, mas não quero estar a especular. Portanto, leitores e leitoras… tenham cuidado com as vossas crianças. Não as deixem sozinhas nem um minuto nem lhes escondam a verdade quanto aos seus parentes. – A minha voz falhou. – Maldito Jean-Claude! Deveria morrer. – vociferei referindo-me ao escritor daquela conspiração.
Abaixo encontravam-se imagens nossas aos beijos. Noutras estávamos abraçados. E em todas elas havia uma pequena descrição contundente. Na página ao lado faziam o balanço das nossas parecenças fisionómicas.
Os meus olhos começaram a verter lágrimas e eu, instintivamente agarrei-me a Ian. Erin chorava também por me ver triste. Ian mantinha-se impávido tão assustado quanto eu.
- O que vamos fazer? – inquiri eu, olhando-o nos olhos.
- Não sei, Blair… eu não sei. – disse com um tom de voz derrotado, envolvendo-me com os seus braços.
Abruptamente o meu telemóvel toca e vi que se tratava da minha vizinha. Avisou-me que dezenas de jornalistas estavam à porta do apartamento e que queria descansar. Comuniquei a Ian.
- Podem ficar cá até eles desistirem. – ofereceu Erin.
- Obrigada, Erin. Ficaremos aqui. – disse Ian, bufando de impaciência.
Dirigiu-se para o sofá e apoiou os seus cotovelos nos seus joelhos, pousando a cabeça nas palmas das suas mãos. Sentei-me ao seu lado.
- Eu sei quem é essa tal fonte segura, Blair. – Olhou-me com os olhos a tremeluzirem. – Tu tinhas razão, toda a razão. Ele está a interferir na nossa vida. Nós não tivemos qualquer tipo de precaução ao fugirmos. Viemos para um local demasiado óbvio. Devíamos ter fugido para a Índia ou para o Brasil! Nunca para Nova Iorque. Nunca!
Erin e Eric tinham abandonado a sala sorrateiramente.
- O que fazemos, Ian? – questionei, abraçando-o.
- Fugimos novamente para bem longe daqui. – disse-me olhando-me fixamente nos olhos. – Fugimos antes do amanhecer.
Limpei uma lágrima que lhe escapou pelo canto do olho.
- Tu não és meu irmão, Ian. Nunca foste. Nunca serás. – fiz uma pausa com a voz a falhar-me e com as lágrimas a teimarem irromper impiedosamente. – Serás sempre aquele homem que eu amei incondicionalmente.
Ele inclinou-se para me beijar mas deteve-se. Limitou-se a acariciar-me a face e a contornar os meus lábios com a polpa dos seus dedos. As suas mãos tremiam e os seus olhos claros vertiam lágrimas que, inexoravelmente se tornaram mais frequentes e copiosas. Seguidamente, puxou-me contra si, e começou a balançar como se fosse uma criança.
- Eu sei onde ele está. Sairemos bem cedo. – disse-me, deitando-se no sofá.
Deitei-me também, encostando-me a ele. Ele não proferia nenhuma palavra. Fingia dormir para eu não falar do assunto nem perceber que ele estava numa profunda agonia. Mas ele era como as palmas das minhas mãos: conhecia-o melhor que ninguém.
- Por favor, pára. Estás-me a fazer sofrer ainda mais quando o que eu mais anseio é conseguir adormecer e esquecer este escândalo por alguns momentos. – disse, vendo que ele estava a chorar.
- Eu não aguento, Blair. – disse com uma fúria que eu nunca tinha visto.
Levantou-se num ápice e pegou no seu casaco. Começou a correr, abrindo a porta e fechando-a de imediato de modo a que eu me atrasasse. Clamei o seu nome mas ele ia tão desnorteado que nem sequer deu conta que o chamava. Ele descia as escadas a um ritmo acelerado, difícil de acompanhar até que, ao chegar ao fundo da escadaria, começou a correr. Era incrível como ele conseguia correr tão depressa. Apressei-me a tentar segui-lo. A rua estava deserta. Apenas havia um aglomerado de toxicodependentes pacíficos ao fundo da rua.
- Ian! – bradei, já ofegante.
Ele continuava a correr e com o telemóvel ao ouvido. Subitamente parou e olhou para trás.
- Blair. Fica onde estás. Volta para casa. Encontro-te lá. – disse-me num tom agressivo.
Olhei com estupefacção para ele.
- Recuso-me! – bradei. – Eu vou contigo independentemente de onde vás.
Ele retomou a sua corrida e eu segui-o o melhor que pude. Ele enveredou por uma rua que ia dar a um dos hotéis mais imponentes da cidade. A iluminação era tamanha que se podia fazer ver a centenas de metros. Questionei-me por que raio ele tinha ido para lá. Mesmo assim segui-o fielmente. Quando entrei, ele estava a discutir com o recepcionista porque queria falar com John Yorke. Aquele nome ecoou na minha cabeça, e por momentos temi o que ele fosse fazer. Desloquei-me até ele.
- Ian, por favor, vamos embora daqui! – disse-lhe pousando a minha mão no ombro.
O funcionário olhou-nos e sorriu-nos com escárnio.
- Lamento, senhor mas não podemos divulgar informações sobre os nossos hóspedes.
- Ouça, eu preciso de ter uma conversa! Eu não saio daqui enquanto não falar com ele! – vociferou, com o seu rosto transfigurado.
- Ian…
- Blair… sai daqui! Por favor, vai para casa. Ouve-me desta vez. – disse-me rispidamente.
Afastei-me dele.
Subitamente vi John com o seu sorriso satisfeito a descer os degraus aos saltinhos como se fosse uma criança. Envergava a sua típica indumentária negra. Ele estacou ao ver-me. Tentei dizer-lhe para ir para o seu quarto mas, Ian com o seu olhar fulminante e com toda a sua raiva, viu-o. Deu um passo em frente e o seu rosto estava transfigurado. Ele suava continuamente e a sua respiração era tão forte que eu conseguia ouvi-la. Num gesto rápido e inesperado, Ian agarra nos colarinhos de John.
- Tu estás a destruir a minha vida! – bradou. – Como tens coragem de fazer isto ao teu próprio filho?
- Ian! – bradei, tentando interpor-me no caminho dos dois. Ele afastou-me.
John, com um olhar ameaçador, encarou-o.
- Tu não podes namorar com a tua irmã, Ian! Cresce um pouco! Deixa de sonhar!
Entretanto dois seguranças tentaram separá-los.
- E tu és capaz de agredir o teu próprio pai, Ian? – questionou com intuito de o perturbar ainda mais. – És capaz ou serás o eterno Ian com coração mole?
Ian descontrolou-se e tentou soltar-se das mãos dos seguranças.
- Tu não mereces sequer o ar que respiras. – disse-lhe com desprezo. – Não mereces o chão que pisas nem o amor… nem complacência de ninguém. No meio desta história toda, quem mais sofre é ela porque vê-se na obrigação de defender alguém que nunca teve uma réstia de amor por ela. Nem por ninguém. – proferiu com escárnio.
John tentou-se largar dos seguranças mas também não conseguiu.
- Ian, acalma-te, por favor, vamos embora! – disse-lhe com as lágrimas nos olhos.
John voltou-se para mim e sorriu com desprezo.
- Vocês entendem-se muito bem, hem? Como é ele? Beija bem ou mal? Sabes isso melhor que ninguém, Blair. Se sair ao pai, é com certeza muito bom nessa matéria.
- Tu não fales assim! – bradou Ian, esforçando-se para conseguir desprender-se das garras dos seguranças.
- Não merece que lhe responda. – disse. – Se alguma vez tivesse amado a minha mãe, saberia o que era esse sentimento. Afinal o que foi para si? Mera diversão? Puro prazer nas noites de Inverno?
Ele voltou a olhar-me ameaçadoramente.
- A minha mãe sempre me disse que eu era como o meu pai. – continuei. – Mas agora apercebo-me do erro que ela nunca notou: na sua falta de carácter. Não passa de um homem “seco”. Sem pinta de sangue nas veias. Sabe sequer o que é sentir o sangue fluir nas veias quando vê a pessoa que ama? Sabe o que é sentir um formigueiro na barriga cada vez que vê quem ama? – questionei retoricamente. – Obviamente que não. A única pessoa que ama é você mesmo e esse formigueiro só acontece quando se vislumbra ao espelho.
Ele voltou-me a face, sem me responder. Os seguranças expulsaram-nos do hotel, empurrando Ian com violência. Amparei a sua queda. Ao fundo da rua, dezenas de jornalistas corriam e, do topo do edifício do Hotel alguns paparazzis tiravam-nos fotografias. Ian lançou impropérios a John, e numa aflição nunca antes vista, gritou agarrando-me a mão.
- Corre!
As suas pernas começaram a movimentar-se rapidamente e eu tive dificuldade em acompanhá-lo. Olhei para trás e vi que os jornalistas nos percorriam e que se encontravam paparazzis por todo o lado. Enveredámos por uma rua na esperança de encontrar algum sítio onde nos pudéssemos esconder. Felizmente a sorte parecia estar do nosso lado. Encontrámos um pequeno beiral com as portas escancaradas. Entrámos e escondemo-nos no local mais escuro. Eu ia começar a falar mas ele colocou o seu dedo indicador sobre os meus lábios, contornando-os depois.
Subitamente ouvimos os passos imperativos a embaterem contra o chão e a precipitarem-se para nos apanhar. Alguém se deteve à porta do beiral. Fechei os olhos e recostei-me no peito de Ian, que se precipitou para me abraçar. Passado algum tempo saiu a correr e clamou o nome de alguém, transmitindo que não estávamos ali. Respirei de alívio.
Ian estava encostado à parede rugosa e deixou-se cair lentamente, roçando as suas costas naquela parede. Quando estava já sentado no chão, olhou-me com morbidez e disse-me com um desânimo que me fazia querer abraçá-lo incessavelmente:
- Eu temia isto. Temia o desfecho desta relação. – Olhou para o lado. – Temia porque sabia que o que estávamos a fazer era completamente errado e insano!
Olhei para ele, incrédula. Sentei-me ao seu lado.
- Estás arrependido?
Ele olhou-me nos olhos e contornou com a polpa dos seus dedos a minha face.
- Eu temia a forma como isto iria acabar, Blair. Eu não queria que isto fosse assim. Não sonhava sequer que John se fosse intrometer tanto na nossa vida. Ele não costumava preocupar-se com ninguém.
- Não respondeste à minha questão! – disse, rispidamente.
- Arrependido?! Só de não te ter conhecido mais cedo. – pronunciou, lentamente. – Eu ter-me-ia apaixonado por ti mesmo que fossemos criados juntos, Blair. Eu iria apaixonar-me por ti de qualquer das formas. Não há volta a dar nesta questão. Estamos presos pelo destino e ele quer que sobrevivamos a isto.
Olhei-o comovida com as palavras que ele havia proferido. Fiquei a pensar no emprego da palavra destino. Nunca havia acreditado nisso. Sempre achei que fosse uma palavra com um significado religioso e filosófico.
Pousei a cabeça nas suas pernas. Os seus dedos percorriam a minha cabeleira castanho-clara.
- O que fazemos? – inquiri novamente fixando o tecto.
Os seus lábios pousaram nos meus uns breves segundos.
- Fugimos. – respondeu.
Olhei para ele.
- Para onde?
- Para a Rússia, para o Japão, China… Eu não sei, Blair! – disse agonizado. – Algum local onde não nos possam encontrar! Se for preciso arranjo quem nos altere o nome, nacionalidade… tudo o que precisarmos. – fez uma pausa e agarrou as minhas mãos firmemente. – A única coisa que eu quero é permanecer contigo. Contigo e com aqueles que podem vir.
Sorriu carinhosamente para mim. Retribuí-lhe o sorriso. Abruptamente ele puxou-me para si.
- Eu gostava de ter uma equipa de futebol. – disse, soltando um sorriso abafado.
- Estás maluco? Bem se vê que não és mulher! – vociferei.
- Eu ajudava-te a criá-los. Depois comprávamos uma casa bem grande, com um enorme terraço para os miúdos brincarem… e nós ficávamos a vê-los através da grande vidraça da sala…
- Sonhas muito alto, Ian. – disse, fechando os meus olhos tentando imaginar todo aquele cenário.
Ian não falou durante um momento e quando estava calado era porque estava a reflectir sobre algo.
- Blair… não há nenhuma possibilidade… - deteve-se. – Esquece, vamos embora.
Estranhei o conteúdo.
- Vá, Ian. Sabes que eu gosto que completes as frases.
- Tens-te sentido bem?
Olhei-o de soslaio.
- Sim, tenho. Por quê?
- Não tens sentido nada diferente em ti? Nem nas roupas… Nada de nada?
- Não. – respondi com cepticismo. – Mas por que me questionas isso? – insisti.
Ele ficou um bocado atrapalhado.
- Bem… eu tinha uma pequena esperança que estivesses grávida. – confessou. – Nós nunca usámos nada que evitasse uma gravidez.
Olhei-o e sorri.
- Podias ter perguntado logo isso! – disse-lhe. – Não me parece, Ian.
Ele olhou-me desiludido e, por momentos desejei estar grávida só para ver nele um sorriso verdadeiro.
Ele beijou-me sorrateiramente e, num murmúrio disse:
- Que pena…
Ele levantou-se e foi perscrutar se alguém estava a espiar-nos. Vendo que o caminho estava livre, desatámos a correr até casa que não ficava muito longe dali. Eram aproximadamente três da madrugada e a rua estava praticamente deserta. A leve brisa afastava-me os cabelos da face enquanto corria desesperadamente para o alcançar.
- Corre! – disse ele num tom de troça.
Felizmente já não faltava muito para chegar e, quando abri a porta que acessava ao hall de entrada principal o porteiro olhou-nos com cepticismo mas depois desviou o olhar, cumprimentando-nos. Quase todos os vizinhos se amontoavam ao decorrer do corrimão de madeira nos seus trajes de dormir e alguns deles, nomeadamente as mulheres exibiam trajes mínimos e não pareciam ter qualquer tipo de pudor perante os vizinhos.
Cabisbaixa, abri rapidamente a porta e fechei-a para não ouvir nenhum comentário.
Já somos 150! Obrigada a todos por me seguirem e espero que venham muitos mais!

