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terça-feira, 9 de novembro de 2010

A vida dos Ídolos


A fila parecia interminável. O peso da mochila e da guitarra derreavam-me. Precisava urgentemente de um local para me sentar e pousar a tralha que havia trazido de casa. Procurei pelo fim da fila e, finalmente consegui instalar-me. Umas longas horas de espera, esperavam-me.
O Sol incidia sobre os meus olhos, obrigando-me a ir buscar os óculos de sol à mochila. O calor era avassalador e milhares de pessoas estavam na mesma situação que eu. Encostei a minha cabeça ao muro na esperança que ele estivesse mais frio, mas enganei-me redondamente. 
Alguém que estava junto de mim começou a tocar guitarra e a cantar. Fechei os meus olhos e comecei a cantarolar a música, pois fazia parte das minhas músicas preferidas. Tratava-se de uma voz masculina, mas como a melodia era tão bela e a voz tão doce nem olhei para o meu lado. Preferi desfrutar a música. Abruptamente, a melodia terminou.
- Gostaste? - inquiriu a voz doce.
Tirei os meus óculos de sol e olhei na direcção da voz. Quase que fiquei boquiaberta. O rapaz era lindo. Tinha uns grandes olhos azuis, os seus cabelos eram curtos e castanhos num desalinho perfeito. Um pouco de barba curta cobria o seu rosto branco e belo. Tinha um sorriso fantástico capaz de derrubar qualquer alma fraca. 
- Hum... - gaguejei. - Sim, adorei. Eu gosto muito da música.
Ele sorriu.
- Sim, deu para reparar. Fazíamos uma bela dupla! - Fez uma pausa. - Peço desculpa. Não me apresentei. Chamo-me Ian e tenho 19 anos.
- Brianna. Mas podes tratar-me apenas por Bree. Nasci em 92. Faz as contas! - sorri.
Ele também sorriu.
- Já decidiste o que vais fazer para impressionar o júri? - questionou ele pousando a sua guitarra no chão.
Exibia autocolantes dos Muse, dos Radiohead, Metallica, Foo Fighters, The Rolling Stones, Pink Floyd e alguns que eu não conhecia. 
- Bem, não pensei em nada de específico. Acho que me vou limitar a ser eu mesma e tentar... cantar bem. - respondi ainda encantada com ele.
- Qual vais cantar? - inquiriu ele, tocando em dedilhado uns acordes de uma música dos Foo Fighters.
- Inicialmente pensei na Secretly dos Skunk Anansie, mas depois achei melhor apostar na The only exception dos Paramore. - E tu?
- Eu ainda não sei muito bem. Estou indeciso entre Michael Bublé e Radiohead. Talvez até cante os dois, se tudo correr bem... ou não!
Esbocei o meu melhor sorriso. 
- Obviamente que vai correr lindamente!
Ian tinha uma voz doce e simultaneamente forte. Era impossível ele não transitar nas provas. Muito provavelmente eu iria ficar pelo caminho. Eu não sabia exactamente porque razão estava ali. Nunca ninguém me tinha dito que cantava bem. Nunca ninguém me ouviu sequer cantar. A minha família nem sequer imaginava que eu estava num casting. Pensavam que eu me tinha ido inscrever em Harvard. Por isso, eu estava sozinha no mundo para defrontar aquele hirsuto júri. Pelo que me apercebi, Ian também não trazia ninguém, para além da sua guitarra acústica. 
- Não trouxeste ninguém contigo? - inquiri.
- Não. Ninguém sabe que aqui estou. Pensam que sou louco em querer dedicar-me única e exclusivamente à música. Pensas que sou maluco?
Pensei um pouco.
- Não de todo. - respondi.
- Algumas pessoas acreditam na religião. Eu acredito na música.
Obviamente que ele era uma pessoa culta. Era interessante e... fazia o meu tipo. Não que eu andasse à procura.
Passámos a tarde a falar e a conhecermo-nos melhor. 
Ele tinha deixado os estudos para dedicar-se à sua paixão. Os seus pais puseram-no fora de casa por ter um brilhante futuro mesmo à sua frente e optar por rejeitá-lo. 
As horas passadas com ele pareciam segundos. Era uma pessoa tão comunicativa, tão interessante que nem sequer eu conseguia dar pelo tempo passar! Em consequência disso, a hora da prova chegou muito depressa. Ian era o primeiro a ser ouvido. Quando conseguimos entrar dentro do grande edifício de vidro, aguardamos pela nossa vez. Apenas faltavam três pessoas para a sua audição.
- Por favor, torce por mim!  Eu tenho de passar, Bree. Deseja-me sorte. - pediu-me ele quando o chamaram, agarrando firmemente as minhas mãos.
- Boa sorte. Tu vais passar. Eu vou ficar aqui.
Ele caminhou lentamente e olhou para trás umas quantas vezes. Depois as portas fecharam-se e eu não consegui saber o que se estava a passar lá dentro. 
A espera colocava-me nervosa. Nisso era como a minha mãe. Ian nunca mais saía e eu estava a entrar em pânico. Queria saber se ele tinha passado, pois se ele tivesse ficado retido eu também ficaria. Finalmente a porta abriu-se. Ele exibia um olhar derrotado, olhando fixamente o chão cinzento. Olhou depois para cima com um olhar malicioso e com um sorriso tímido. "Passou", pensei.
- Passei! - bradou ele com extrema felicidade.
Corri a abraçá-lo. Ele até me deu um beijo na face com tamanha felicidade. Fiquei corada.
A minha vez estava a chegar. Era a hora.
- Bree, confia em ti. Eu vou estar aqui para receber a tua notícia. Vou estar a torcer por ti.
Caminhei também com as pernas a fraquejar. Cada passo que dava assemelhava-se a uma caminhada em areia movediça. A primeira vez que olhei para o júri fiquei assustada. Pareciam abutres prontos a debicar-me! Tentei encontrar alguma calma dentro de mim.
"É agora ou nunca.", pensei. Comecei a cantar.
Quando terminou a minha audição, saí com as lágrimas dos olhos. Não podia acreditar.
Abri a porta devagar e Ian estava efectivamente lá com um olhar expectante. Mal o vi, as minhas lágrimas começaram a cair em catadupa e ele correu para me abraçar.
- Bree... - murmurou.
- Eu... Eu... passei, Ian! Passei.
Ele pegou em mim ao colo e começou a gritar que tínhamos passado. Todos ficaram a pensar que éramos namorados. 
Finalmente ele pousou-me e ficamos demasiado próximos. Muito próximos. Eu afastei-me.
- Bem, eu vou para o hotel. - informei. - Vemo-nos amanhã.
Os seus grandes olhos azuis ainda fitavam os meus. 
- Eu acompanho-te.
Ficamos a conversar durante quase toda a noite. Eu começava a ficar interessada nele. 


Aquela semana iria ser a melhor da minha vida. Eu ia fazer os duetos com Ian e ele ajudava-me bastante a melhorar a voz.
- Bree, eu não sei o quanto isto pode afectar a nossa relação. Não sei se devo ou se devo permanecer calado continuando a guardar tudo para mim. Eu sei que és diferente. És como eu. Talvez seja por isso que me sinta bem contigo.
- Por mim, sim. - disse imediatamente. Sabia onde ele queria chegar. - Eu sinto o mesmo.
- Ei! Vocês os dois! Toca a trabalhar se querem passar! - vociferou o Mr. Martin.
Ambos sorrimos e continuamos o exercício vocal.


Ambos passamos em todas as fases e chegamos às Galas. Ainda não era público que mantínhamos uma relação. Seria o detonar de uma bomba se a comunicação social soubesse! 
Ian foi o primeiro a actuar no grande palco. Cantou no seu registo preferido. Encantou o público e recebeu os mais simpáticos comentários do júri. Podia ser um potencial vencedor do programa. 
Quando a sua actuação terminou, ele arranjou maneira de se sentar ao meu lado, dando-me sempre a sua mão.
A minha vez tinha chegado. Ian sussurrou-me ao ouvido que nada nos iria separar. Caminhei mais feliz e mais segura até ao palco. Fiz o meu trabalho e o júri também me teceu simpáticos comentários.


Algo me dizia que nada ia correr como eu esperava. Eu podia senti-lo à distância. Eu pressentia que algo estava para acontecer. Ian deu-me novamente a mão e encaminhou-me para onde todos os outros concorrentes se dirigiam. Era a hora de saber quem permanecia no programa e quem saía. O nervosismo apoderava-se de mim. Ian fora o primeiro a ser chamado, seguidamente Fiona, Alec e Jude. Tinha quase a certeza que Jude iria abandonar o programa. A sua actuação foi tudo menos melodiosa e brilhante. 
Subitamente, o apresentador mandou Jude e Alec sentarem-se. O meu coração encolheu-se e saltou com força. Senti uma dor. Sentei-me e Ian olhou-me. Se ele fosse embora, eu nunca mais o iria ver. Esse era o grande problema. 
O apresentador iniciou o seu discurso:
- Quem nos vai deixar hoje é... Ian.
A verdade abateu-se sobre mim. As lágrimas começaram a escorrer-me pelo semblante abaixo sem piedade. Ian abraçou-me, chorando também.
- Eu não vou deixar-te! - disse ele ao meu ouvido.
- Tu vives demasiado longe de mim. Como podemos colmatar isso?
- Nós vamos colmatar isto! - disse enquanto limpava as minhas lágrimas com as pontas dos seus dedos. 
- Eu nunca mais vou voltar a ver. Percebes o cerne da questão?


By Hayley

4 comentários:

so sad disse...

pessoas que passam em nossas vidas, e que nunca mais saberemos delas...

Hayley disse...

Obrigada pelo comentário! E sim... às vezes há pessoas que conhecemos num só dia e parece que já as conhecemos desde sempre! :) O problema é sentirmos que elas nos estão fugir por entre os dedos.
Beijinho! :*

Anónimo disse...

Simplesmente gostei gostei e gostei... Algo que me fascinou.
bj

Hayley disse...

Oh! Obrigada novamente! beijinho!