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sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

O Jornalista - XIII

Senti uma estranha sensação de leveza, de tranquilidade. Parecia que nada se tinha abatido impiedosamente sobre mim. Sentia-me a levitar e, abruptamente caí nos braços da realidade.
A brisa soprava ligeiramente afastando o meu cabelo suavemente. Abri as pálpebras e senti um excesso de luminosidade a incidir-me sobre os olhos e algo a andar aos solavancos. Senti também que algo me impedia de levantar. Vi um braço que estava pousado sobre o meu ventre. Não liguei muito a esse facto. Esfreguei os olhos e perscrutei onde me encontrava. Deparei-me com um cenário quase desértico e demasiado solarengo. A antítese perfeita do local onde vivia. O ar era húmido e quente, dificultando-me a respiração. Olhei para baixo. Umas longas pernas esguias ultrapassavam o comprimento das minhas. Eu conhecia aquelas pernas com aquelas calças de ganga desbotadas e aquelas suas sapatilhas Gazelle. Recostei-me ainda mais a ele fechando os olhos, tentando adormecer novamente, viver na ilusão que eu própria tinha criado enquanto aquela carrinha velha, que rangia por todos os lados devido ao seu eminente estado de podridão, conduzia pela estrada de terra batida.  Porém, ele mexeu-se e envolveu-me ainda mais. Eu queria repeli-lo porque ele era... quem Oliver suspeitava ser mas havia algo em mim que me impossibilitava, que me tornava impotente de o deixar. Subitamente ele deixou com que  a sua face embatesse  contra a minha nuca. Posteriormente, respirou fundo e com uma voz rouca, típica dele ao acordar, questionou-me, como sempre:
- Estás acordada?
Fiz de conta que não o ouvi, não efectuando qualquer movimento denunciante da minha mentira.
- Estás. - concluiu.
Senti as suas mãos erguerem-me. Era impressionante a sua força. Tentei não olhar para ele porque sabia que ele tinha qualquer poder manipulador de me impedir de pensar racionalmente. Agarrou firmemente a face, obrigando a olhá-lo nos seus grandes e expressivos olhos.
- Precisamos de falar. - disse com os olhos esbugalhados. - Eu sou quem Oliver desconfiava, mas eu não sou má pessoa. Eu sou um homem que te ama, que te venera, que quer que fiques bem e... se for possível, que me ajude a deixar de ser que eu outrora era! Quero que continues a ser minha. - fez uma pausa. - Raios! - vociferou. - Achas que se eu não te amasse te teria trazido para um local onde possas estar em plena segurança? Achas que eu, alguma vez, teria dito o que te disse naquela noite? Achas que... Não. Ia mentir. - Largou o meu rosto. Eu estava disposta a ouvi-lo. - No inicio só queria tirar-te informações para me conseguir descartar de todas as penas possíveis que o estado americano me poderia aplicar. Mas tu... - fez uma pausa. Os seus olhos brilhavam intensamente e a sua boca formava um sorriso quando disse o meu nome. - Hazel... tu foste inexplicável. Algo que eu nunca consegui explicar! Eu não me apaixonei por ti logo. Eu amei-te depois de te conhecer profundamente. Amei-te, amo-te. Essa é a verdade, se é que modifica alguma coisa.
Olhei para ele com vontade de o abraçar, de o beijar e de lhe dizer o quanto o amava mas o meu lado racional não mo deixava fazer.
- Conta-me o que fazes exactamente. - pedi com fleuma.
Ele fechou os olhos e respirou fundo.
- Tudo começou quando eu tinha 25 anos. Acabei o curso, arranjei um emprego bom na área do Jornalismo e mandaram-me para o Cazaquistão. Não me disseram quando chegava nem onde ficava hospedado. Como era um estagiário, mandaram-me e eu não podia recusar. - suspirou. - Então, embarquei e fiz umas entrevistas, uns directos e numa dessas vezes vi-me emaranhado numa multidão que contestava à guerra. Subitamente começou a chover granadas e tiros trovejavam de todas as direcções. Eu não era o Super-Homem nem tinha quaisquer poderes vampirescos e muito menos blindado era. Procurei um abrigo, sendo, mesmo assim baleado no meu braço esquerdo. Esperei por ajuda mas ninguém me socorreu até que senti que alguém me tapava os olhos e imobilizava. Inicialmente pensei que os meus órgãos iam ser traficados ou algo do género, até que depois de pontapeado, golpeado nos braços e esmurrado fui levado para uma espécie de calabouço onde estive preso durante mais de três semanas. Um dia, desataram-me e destaparam-me a boca, levando-me a um homem que nunca mostrava a sua face, mas os seus capangas confiavam nele e respeitavam-no piamente. - Notei que um laivo de raiva enchia a sua boca ao expressar-se. - Ele disse-me que se eu quisesse sair vivo, teria de fazer um acordo com ele. Naquele momento eu só conseguia pensar na minha liberdade, não queria mais ser pontapeado nem golpeado nos braços só por diversão e para as moscas pousarem sobre o sangue derramado no pavimento rugoso. - suspirou. - Eu aceitei imediatamente. Sem porquês. Assinei um acordo com ele com sangue. Tinha de ser assim. - Levantou um pouco a manga da sua camisola castanha e mostrou-me uma grande cicatriz na região do pulso. - A partir daí deu-me lições sobre armas, as melhores armas passaram pelas minhas mãos, os melhores ataques, técnicas de defesa, aulas das mais diversas artes marciais... e este... sou eu. Vítima da própria rede que teci. Todos os crimes que cometi, todas as vidas que tirei foram a paga da minha liberdade. - Parou para pensar e pegou na minha mão. - E se eu não cumprir esta, ele sabe. Sabe que não sou só eu. Que não és só tu. Sabe que somos nós. - disse tocando suavemente no meu ventre. - Nós. - repetiu. - Não posso deixar que nada te aconteça, se não o que seria de mim? Morreria juntamente contigo e podia ser que os laços da eternidade nos juntassem de novo. Mas eu quero viver contigo, na Terra. Nem que seja mais uns dias. Mais umas horas, mas eu, finalmente, estou seguro daquilo que quero.
O meu lado mais sensível teve um peso superior ao meu lado racional. Lancei-me ao seu pescoço, num choro compulsivo.
- Podes ser quem és... ma-as conti-inuas a ser quem és pa-ara mim. - disse choramingando.
Ele sorriu e beijou-me. O homem que conduzia olhava-nos com cepticismo. Ignorei-o.
Ele agarrou a minha cabeça com um sorriso tímido.
- Se soubesses o medo que eu tinha em te perder! Em saber que nunca me irias perdoar mesmo sabendo toda a verdade por detrás desta mentira em que te fiz viver. 
Limpei as lágrimas com a ponta da camisola bege.
- Eu não iria conseguir viver longe de ti ao olhar para o "pequeno McCallen".
Ele sorriu. Baixou-se e sussurrou:
- Miúdo, não sigas o meu exemplo.
Sorri acariciando-lhe a face.
- Onde estamos? - inquiri.
- Texas. - respondeu envolvendo-me novamente nos seus braços fortes. - Chegaremos dentro de minutos ao local.
O sol começava a dispersar-se cada vez mais e percebi que já estava a anoitecer. Era lindo ver o pôr do sol encostada a ele. 
- Gostaste do rapto? - questionou.
- Se dúvida que foi obra de mestre. Não me importo de ser raptada por ti todos os dias.
Ele pegou nas malas e transportou-as para o interior do modesto hotel de estilo texano. Havia um pequeno balcão onde uma mulher balofa e com o cabelo preto atendia atenciosamente outros turistas. Levaram-nos as malas e a mulher deu-nos as chaves do quarto. Abri a porta e deparei-me com umas condições satisfatórias. As paredes estavam revestidas com um papel de parede em tons escuros e a cama encontrava-se no centro, ladeada de duas mesas de cabeceira com candeeiros. Havia uma casa-de-banho e uma pequena sala com dezenas de revistas cor-de-rosa do século passado. Atirei as minhas malas para cima da cama e preparei-me para arrumar as roupas até que ele chegou ao quarto e sentou-se na cama, deixando as suas costas alcançarem o colchão mole. Sentei-me para descansar um pouco. As minhas pernas estavam fracas. Os seus braços envolveram a minha cintura e puxaram-me contra ele. 
- Senti a tua falta nestas horas. Para mim, estares imóvel, indiferente... é como estares morta. 

19 comentários:

Cláudia Matos disse...

oh *.* És uma querida em disponibilizares o teu tempo a esclareceres as nossas dúvidas!
Eu ainda estou no capítulo III. Quero ler tudo ao mais intimo pormenor, para perceber e desfrutar da tua pseudo-história.
Escreves mesmo bem :p

Margarida C' disse...

Adorei :)
Beijinho

http://ilusoessonhoserealidade.blogspot.com/

Magda disse...

Ups! É que como li Jared, podia ser uma fanfic :P
Oh não digas isso! :) Aposto que são bonitas, tens algumas aqui pelo blog? Gostava de dar uma olhadela :D
Todos temos que praticar é verdade, mas como estou a estudar cinema tenho de me esforçar muito mais e claro não acreditar muito no meu trabalho também não ajuda muito. Mas acho que todos nós temos momentos em que duvidamos daquilo que valemos ou somos :)

Adrianaa disse...

nao tinha lido as primeiras partes, por isso resolvi ler apsar de ainda nao ter lido tudo. está lindooo :$

Cláudia disse...

Olá pequenita :)
Gosto do texto, mais uma vez ^^
Está tudo bem sim, e contigo pequerruxa?
Beijinho*

Catarina disse...

mt obgd querida
pelas palavras e pela força
espero q o teu talento pela escrita seja reconhecido ;)

RuteRita disse...

muito obrigada querida.
enfim, isto é PERFEITO !

Catarina disse...

nao digas isso. o teu talento pode nao ser reconhecido mas ainda esta em crescimento assim dizendo.
e tao bom saber que alguem me compreende e sim tenho que agradecer ;)

DS disse...

sim todas mesmo.
só uma ou outra e o meu primo, mas quando e ele eu digo

Lara Carrasco disse...

Obrigadaa por seguires!

Lord Daniel Salem, Príncipe da deusa Nyx disse...

olá linda! Tudo bem?
Venho agradecer por ter gostado do meu miniconto: Selma. Muitíssimo obrigado!

Ah, adorei que você colocou agora um menu no seu blog!

bjs e volte sempre!

Cláudia disse...

Oh pequerruxa, esta tudo bem sim. Aquilo é apenas um texto :)
Como eu te entendo -.-' Estou farta de exames e testes -__-'

***

DS disse...

ainda bem que gostas :D
eu faço o melhor que sei

filipa margato disse...

ela não é minha amiga, é minha prima -.-

filipa margato disse...

deus queira que não (:

Lord Daniel Salem, Príncipe da deusa Nyx disse...

Concordo contigo, linda^^ É sempre bom dar uma melhorada! Você deve ter percebido né, que eu dei umas melhoras no meu blog, Lord Daniel Salem. E também dei umas melhoras nos meus outros blogs.

Bjs e volte sempre!

Amo ter a tua visitar lá!

Viagem Sem Retorno disse...

Gostei...

Aproveito para deixar o endereço do meu blog http://viagemsemretorno.blogspot.com/

Cláudia Matos disse...

Exactamente!
Mas não compares o meu vocabulário com o teu!

Anónimo disse...

estas cada vez melhor!