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quinta-feira, 3 de março de 2011

As últimas Flores para o Hospital - Cap. V (Reconhecimento)

- A sério. Obrigada por me teres acompanhado. - disse-lhe num tom amável, esforçando-me por tratá-lo como se o conhecesse à imenso tempo. - Foi uma sorte ter encontrado alguém tão simpático. - completei enquanto alcançava as minhas malas.
A sua boca arqueou-se exibindo um sorriso encantador.
- Ora essa! Eu não sou de recusar ajuda a ninguém. Seria até desumano da minha parte. - disse enquanto me acompanhava à recepção.
Uma mulher balofa e com uma cabeleira farta e avermelhada arregalou os seus olhos quando o viu aproximar-se dela. Os seus olhos quase que sorriram só de o ver... imagino como ficaria se o visse sem camisola. 
Ri-me, desajeitadamente, de como os meus pensamentos conseguiam vaguear instantaneamente. Ian começou a falar com a recepcionista que escancarava a sua boca a olhar para ele. Revirei os olhos enquanto cruzava os braços. De que estava eu à espera? Um homem lindo de morrer, charmoso e humilde era bom de mais para ser verdade e para estar solteiro... Obviamente que as mais atrevidas se iriam atirar de corpo e alma a uma paixão. Não que isso me interessasse muito, até porque eu não estava interessada mas achava patusco uma mulher "atirar-se" a um homem... ou seria eu retrógrada? Sempre fui apologista de um homem fazer o seu discurso à mulher. 
- Aqui tens a chave. - disse-me enquanto a fazia dançar sobre os seus dedos compridos. - Quarto 232.
- Hum... Obrigada, Ian. - agradeci pegando nas chaves. - Vemo-nos por aí...
- Hum... Blair... - disse ele quando me estava prestes a voltar para subir as escadas imperiais do hotel. - Aceitas um passeio? Posso mostrar-te a cidade. - ofereceu-se com embaraço, exibindo no fim um sorriso.
- Sim, aceito. Deixa-me só pousar as malar.
- Não te preocupes. Trato já disso.
Chamou um funcionário e disse-lhe algo demasiado rápido para eu perceber. Tirou as minhas malas dos ombros e colocou-as ao pé do funcionário. Agradeceu-lhe por fim e, com um sorriso anunciou:
- Estamos prontos.
Saímos do hotel com um tempo que não estava nada agradável, mas mesmo assim nada nos deteve. 
As ruas eram harmoniosas. As habitações eram tão harmoniosas e singelas que pareciam saídas de um filme. A rua em paralelos estendia-se até um pequeno passeio pedonal onde turistas registavam todos os movimentos que executavam nas suas câmaras fotográficas. 
- Então... - diz a medo. - o que fazes? - inquiriu ele, sorrindo-me.
- Bem, sou estudante. - respondi enquanto procurava um lenço de papel. - E tu?
- Sou professor. - responde. - Mas eu não sou assim tão velho. Tenho 24. Só que como entrei mais cedo para a Universidade, saí mais cedo e encontrei, consequentemente emprego mais cedo.
- Hum... - disse. - Eu tenho 20. Estudante de Direito. Harvard. - disse-lhe.
Ele soltou uma gargalhada.
- Direito? Alguém que sabe falar a minha língua! - diz. - Sou professor de Direito.
- Deve ter muitas alunas atrás de si. - disse sem pensar muito bem no que havia dito. Arrependi-me logo de seguida, denunciando-me a minha súbita ruborização.
- Bem... não é coisa que me orgulhe... Na maioria dos casos apercebo-me que é como se fosse uma chantagem, percebes? Pensam que se me seduzirem irão ter uma classificação superior. - fez uma pausa. - Se eu fosse como os outros docentes, provavelmente deixar-me-ia seduzir pelos dotes aguçados de algumas raparigas. Nenhuma me despertou atenção, para ser franco. - concluiu, olhando-me. - O que te traz por aqui? Procuras o teu namorado? Esta é a cidade do amor.
Ruborizo novamente. Tento encontrar palavras plausíveis para convencê-lo de que não estava cá porque tinha motivos.
- Hum... Estou só cá de passagem... - disse com a voz trémula. - Não tenciono ficar cá muito tempo.
Os seus olhos pareciam querer ler a minha mente. Era desconfortável sentir que alguém pousava tão fixamente os seus olhos nos meus. Porém, os seus olhos pareciam ter uma espécie de íman que não conseguia fazer com que os meus olhos se despregassem dos dele.
- És... pouco convincente. Penso que... estás a mentir.
- Não. - digo quase num murmúrio. 
Abano a cabeça, respiro uma lufada de ar e olho em frente. Olho-o de esguelha e vejo que ele procede do mesmo modo. A nossa conversa tinha esmorecido. Ian sentou-se num banco de jardim verde. 
- Desculpa, mas eu não consigo perceber como me és tão transparente. Por favor, não penses que sou psíquico e que tenho alguma habilidade de leitura de pensamentos. Eu não tenho. Mas és-me tão familiar e simultaneamente tão distante... - o seu olhar torna-se inexpressivo. -  Eu já te vi. Tenho quase a certeza.
Olhei-o com atenção. Reparei nos seus olhos. Eram verdes, tal como os meus. O seu cabelo era escuro. 
- Ian, diz-me uma coisa... de onde és? - questionei começando a ter algumas desconfianças acerca da sua verdadeira identidade.
- Julgo que vivi na Inglaterra ou algo do género. - respondeu enquanto se levantava para recomeçarmos a caminhada, uma vez que a chuva ameaçava cair sobre as nossas cabeças. - Vais inscrever-te na Universidade de Direito? - questionou com entusiasmo.
- Talvez. - respondi. - Como faço?
- Eu trato disso. Amanhã cinge-te a aparecer lá. - diz-me começando a correr. A chuva caía sobre as nossas cabeças. Corri atrás dele a uma velocidade bastante inferior. Era incrivelmente rápido.
- Mais uma vez agradeço-te. - disse-lhe quando já nos encontrávamos dentro do hotel. 
- Oh, de nada! Bem... não te incomodo mais mas posso-te acompanhar até ao elevador. - disse-me. Aceitei a sua oferta.
- Onde vives?
Ele sorriu.
- Aqui. - respondeu com um sorriso.
- Aqui?
- O meu pai é o proprietário disto, portanto para quê ter uma casa gigante quando se pode viver num hotel? É muito cómodo aqui. - respondeu-me. - Até amanhã. Posso levar-te pelas nove da manhã.
O elevador chegou e eu desapareci, dirigindo-me ao meu quarto. Abri a porta e deparei-me com uma decoração sensacional. Todas as peças de decoração combinavam com os tons claros das paredes. Abri a janela para deixar o ar circular no quarto. Eu podia ver a Torre Eiffel.
 Debrucei-me sobre o parapeito da janela e pus-me a olhar para a Torre. Imaginei, por momentos, Ian a beijar a minha boca como um louco, insaciável... Imaginei-o a acariciar a minha face e eu a puder sentir o seu corpo marmóreo. Imaginei-me a acordar cada manhã ao seu lado. Vê-lo adormecido ao meu lado com o tronco nu... com o seu cabelo num desalinho total e puder ver os seus olhos verdes a olharem para os meus. 
Quando me apercebi do filme que tinha elaborado na minha mente, fechei a janela e atirei-me para cima da cama, onde resolvi acender o televisor na expectativa de melhorar o meu francês. Não sei como, acabei por adormecer, acordando no dia seguinte com o som estridente do eu telemóvel. Erin estava a tentar contactar-me.
- Blair! Como estás? Diz-me que estás óptima! Que te tens alimentado...
- Erin, tem calma... sabes que eu raciocino mal de manhã... Estou bem. - garanto-lhe. - E tu?
Ela sorri.
- Estou óptima. - fez um grande silêncio. - Advinha uma coisa...
Bocejei. 
- Erin... já te disse que não consigo pensar de manhã...
Olhei para o relógio. Faltavam apenas vinte minutos para as nove. Levantei-me imediatamente e procurei por um vestido e um casaco. 
- O Eric pediu-me em casamento! - disse ela com extrema felicidade.
- Oh Meu Deus! Eu não acredito! - exclamei. - Como foi? Conta-me!
- Foi tão mágico! Tão lindo! - fez uma pausa. - Levou-me a jantar e depois fomos passear à beira-mar. Ele ajoelhou-se e pediu-me um casamento! Foi tão lindo, Blair! Tão lindo!
Olhei aflita para o relógio.
- Erin... desculpa-me mas tenho de me preparar. Vou para a Universidade. - disse-lhe.
- Vai lá. Conheceste alguém?
- Mais ou menos. Quero dizer... não. - disse-lhe.
- Depois contas-me tudo! Adoro-te!
Atiro com o telemóvel para cima da cama e dirijo-me à casa-de-banho onde tomei um duche rápido. Corri até ao quarto onde dou de caras com Ian. Solto um grito e procuro ver se estou devidamente envolvida na minha toalha.
- Desculpa, Blair. A porta estava aberta e como estavas a demorar resolvi verificar se estavas bem. - diz ele um pouco aflito.
- Podes sair, por favor? Preciso de me vestir. - disse com acrimónia.
Ele saiu e eu vesti-me num ápice, aparecendo ao seu lado em menos de cinco minutos.
- Blair, peço imensa desculpa. - disse ele enquanto descíamos as escadas.
- Não faz mal. Não fizeste de propósito. - disse na tentativa de amenizar a situação sem o enfrentar.
- Ian, - ouvi uma voz. - vê se não voltas tarde.
Olhei para cima e vi aquele homem que tinha ido ao funeral da minha mãe. Aquele homem com quem eu tinha falado e que envergava uma indumentária cara e um carro luxuoso. Procurei com que ele me visse.
- Pai, preciso de fazer umas coisas depois. Não sei se vou chegar cedo. - avisou.
Finalmente aqueles olhos verdes pousam nos meus reconhecendo-me.
- Olá. - disse-lhe. 
- Conheço-a? - questionou com o sobrolho carregado.
- Sim. - respondi.
- Provavelmente deve ser cliente do hotel. - diz, voltando-se para Ian. - Não te esqueças de me trazer o livro.
- Está bem. - diz-lhe com um sorriso. 
Recomeçámos a andar e eu estava indignada como é que aquele homem não e reconhecia mesmo depois de me ter dado os pêsames no funeral da minha mãe e de ter comunicado comigo.
- Como se chama o teu pai? - inquiri a certa altura.
- John Yorke. Por quê?
- Curiosidade, professor. - trocei.
Ele fez um trejeito com a boca.
- Não me chames de professor. Faz-me parecer velho.
Sorri.
Entrei num carro que não superou as minhas expectativas. Era confortável mas esperava melhor. Não que isso me importasse, na verdade achava supérfluo mas John podia ter dado algo melhor ao seu filho.
Eu não me consegui concentrar na primeira aula, uma vez que o professor era Ian Yorke. Não conseguia parar de olhar para a forma de como aquele fato lhe ficava lindamente. Não conseguia deixar de sentir o meu coração palpitar cada vez que ele se aproximava de mim e roçava o seu braço no meu à sua passagem. Não conseguia deixar de sentir aquele perfume que o tornava ainda mais apetecível. Porém, ele olhava para mim também e enganava-se no que tinha que transmitir aos alunos. As alunas olhavam para mim com um olhar fulminante. Todavia, eu continuava a olhar para a ele, fingindo que o ouvia atentamente e que tirava apontamentos quando, na realidade, estava a observar cada movimento seu e a admirar a sua beleza. Bolas! Estava a apaixonar-me! Sentia borboletas no estômago quando ele pousava os seus olhos nos meus e parava a explicação devido ao facto de estar a olhar para mim.  Era algo que eu não conseguia controlar e algo que eu não tinha planeado. Tinha de esconder esse sentimento... a menos que ele se recusasse a isso. 
A aula terminou e todos fecharam os seus cadernos e porta-lápis, saindo disparados pela porta como balas. Eu fiquei para o fim. Vi que Ian se sentou na sua secretária e começou a bufar. Dirigi-me a ele.
- Está tudo bem?
- Sim. - respondeu. - Podes fechar aquela porta? Preciso de falar contigo.
Abanei a cabeça e fechei-a. Ele levantou-se e sentou-se em cima da secretária. 
- Acho melhor não... assistires à minha aula... - disse por fim.
- Por quê? - inquiri indignada.
Ele começou a aproximar-se de mim cada vez mais. Pousei os meus livros na secretária. Os nossos rostos estavam quase colados. Quando ele ia colocar a sua mão na minha face, fechou os olhos e afastou-se.
- Eu não tenho a certeza do que sinto por ti. - alegou. - Quando estava a dar a aula passaram-me tantas coisas pela cabeça, tais como, fugir, beijar-te ou ignorar-te. - fez uma pausa. - Optei por ignorar mas tu não és ignorável! Os meus olhos procuravam-te incessantemente como se tu exercesses uma força sobre mim capaz de me atrair. - Começou a andar pela sala. - Eu sei que não fizeste de propósito... só que tu... és assim. - Disse como se eu fosse um caso perdido. - Eu acho que me estou a apaixonar por ti. Por aquilo que és. Por todo o teu misticismo e beleza. 
Fico petrificada a olhar para ele a pensar "Avança!". Rapidamente ele chega até mim. As suas grandes mãos absorvem o meu semblante. A sua boca procura a minha de uma forma tão urgente que se torna até violenta. Mas eu não queria saber. Estava a apaixonar-me por ele se é que já não estava. O sentimento de reconhecimento já era mútuo e tinha a certeza que não se devia àquela treta das vidas passadas.
Abruptamente ele parou de me beijar. As suas mãos desceram até à minha cintura, puxando-me contra o seu peito marmóreo procurando-me novamente. 



4 comentários:

Cláudia Matos disse...

Publiquei no meu blog!

Gonçalo disse...

Gostei do texto mas tenho mesmo de a ler toda para a perceber melhor :)

lara beatriz disse...

Adorei! *-*

★★ GIZA ★★ disse...

oi.
passando para avisar que meu blog death angel vai ser excluido. me segue no meu outro blog, o amor imortal.assim poderemos manter o contato.
beijos