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quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

O Jornalista - II


Acordei bem cedo, colocando uma música bem calma e aproveitei para dar uma limpeza ao apartamento. Perdi o apetite quando vi que as condições climatéricas estavam, no mínimo, péssimas. Novamente o vento soprava fortemente, levando algumas placas pelo ar. A chuva ainda não caía, mas uma tempestade aproximava-se inexoravelmente. 
Vencida pela preguiça, voltei a meter-me debaixo dos lençóis, esperando piamente que o relógio despertasse. Acabei por adormecer novamente. Às oito em ponto, sem se adiantar nem um segundo, o despertador tocou, fazendo-me estremecer. Levantei-me, tomei um gratificante duche e preparei o pequeno-almoço morosamente. Sentei-me na mesa da cozinha que tinha uma vista privilegiada para... a casa da frente. Premi o botão para ligar a televisão. Aparentemente, mais uma panóplia de acidentes e assassinatos tinham sido efectuados durante a noite, o que significava mais trabalho. 
" Seattle foi novamente atacada por um serial killer. Dezanove funcionários foram chacinados esta noite no Seattle Grace. Entre eles, dezassete médicos e dois pacientes. Ninguém sabe de nada, ninguém viu quem foi. O assassino é conhecido como "O Fantasma". Segundo alguns membros da equipa forense que têm vindo a investigar as técnicas deste homem, repararam que todas as suas vítimas têm algo em comum: todas elas apresentam um padrão de ferimentos idênticos no crânio. Os cientistas forenses não conseguem identificar o objecto utilizado para marcar as suas vítimas."
O meu telemóvel tocou. Tratava-se de Oliver.
- Bom dia, Hazel.
- Bom dia, Oliver. O que queres? - questionei.
Suspirou.
- Sabes que sou teu amigo, que te apoio em tudo o que necessitas, mas eu não gostei nada daquele homem com quem marcaste um encontro hoje à noite... E sabes que eu tenho um sexto sentido apurado.
- Oliver, se me vens com esse assunto, vou-te responder exactamente da mesma forma que ontem. Apenas o vou conhecer, nada mais. Posso nem gostar dele! Não insistas comigo porque eu vou ao encontro! - avisei-o com nervosismo.
- Está bem. Até já.
Desligou a chamada. 
Eu entendia a perspectiva de Oliver. Ele era sempre o primeiro a quem eu ia chorar após uma desilusão amorosa... eu sabia que ele não gostava de me ver daquela forma, mas eu tinha um pressentimento que Jared ia ser uma coisa boa na minha vida! Não conseguia esquecer aquele seu sorriso encantador e a graciosidade do seu corpo, quase marmóreo. Decidi que lhe ia ligar. Fui à minha mala e retirei o pequeno cartão que me tinha dado e digitei os números no telemóvel. Coloquei a chamar e esperei um pouco. Ele não atendia. Provavelmente estava a dormir ou então tinha-se esquecido do telemóvel em algum local. Fiquei um pouco desapontada, porque queria ouvir aquela voz sublime. 
Passados poucos minutos, ouço o meu telemóvel a receber uma chamada. Corri para o alcançar. 
- Estou? 
- Fala a Hazel?
- Sim, a própria! - respondi com entusiasmo. - É o Jared, certo?
- Certo! Bom dia! - cumprimentou com um tom deveras jovial e encantador. - Como está?
- Pode tratar-me por tu. Não estou habituada a que me dêem esse tipo de tratamento. - fiz uma pausa. - Eu estou bem, e tu?
- Agora, posso dizer que estou melhor. - respondeu. - Odeio estar fora da minha cidade mas o meu trabalho implica isso... tenho de me deitar na cama que fiz.
Fiquei um pouco curiosa.
- Hum... Está fora da cidade? Então hoje não podemos jantar.
- De jeito nenhum! - disse com um tom de indignação. - Eu vou apanhar o avião seguinte e chego aí em algumas horas. 
- Onde estás? Se é que posso saber...
- Seattle. Tive... pode dizer-se que, uma reunião de jornalistas de todos os estados americanos. Como ainda sou caloiro nisto e necessito de trabalhar numa imprensa a sério, achei melhor vir para ganhar mais cultura geral e mais prestígio.
- Compreendo... faria precisamente o mesmo. 
- Como está o tempo pelos subúrbios de Helena?
- Um pouco tempestuosos. - respondi.
- Espero que o tempo melhore... Bem, Hazel, lamento informar mas tenho de ir fazer o check-in. Vemo-nos mais tarde.
- Adeus, até logo.
Larguei o telemóvel com relutância e peguei nas chaves do carro, conduzindo-o até ao escritório. Pelo caminho, trauteava as músicas que lentamente iam tocando na rádio. 
Oliver esperava-me fielmente ao lado do seu carro.
- Bom dia, Oliver. - disse com frieza.
Nem sequer me respondeu.
Passei o dia a fazer telefonemas, a ameaçar o laboratório forense, a preencher papelada e a organizar capas. Fui ainda ajudar Larry na investigação do crime do dia anterior, dirigindo-nos assim ao laboratório. 
Dezenas de "ratinhos de laboratório" fardados rodeavam o corpo ainda com marcas da combustão. Quando nos viram, afastaram-se e um dos membros explicou-nos o que haviam encontrado.
- Encontramos o tipo de arma utilizada e chegámos à conclusão que não é comerciável. Deve ser uma arma rudimentar mas com a mesma potência que uma arma normal. Não foram encontrados fios de cabelo, impressões digitais, saliva nem sémen no local do crime. Foi um crime perfeito. Um crime como nunca vi. Quem o efectuou tinha um vasto conhecimento na área. Se soubéssemos a arma que tinha sido utilizada ou a bala, podíamos identificar, mas nem essa informação pode ser revelada. - informou um senhor careca com o seu ventre proeminente. 
- Ou seja, caso encerrado. - disse Larry com desânimo.
- Não há crimes perfeitos. - aleguei. - Tem de existir algo em que possamos começar. 
- O que a menina sugere? - inquiriu o homem com arrogância.
- Hum... Sugiro que inspeccionem a cabeça da vítima. Pode ter algum tipo de marca na cabeça ou no corpo. É possível ver isso, não é?
- É. - respondeu o homem.
- Pode ser uma vítima de "O Fantasma". - completei.
O homem calçou umas luvas brancas e inspeccionou o corpo com uma luz estranha. Inspeccionou minuciosamente o crânio e, num tom alto e grave anunciou para surpresa de todos:
- Há algo que temos de considerar aqui.
Os estagiários empoleiraram-se todos em cima uns dos outros para observarem o que o homem estava a dizer.
- Mandem verificar qual o significado deste símbolo. - ordenou o homem.
Aproximei-me para ver melhor e observei um símbolo estranho cravado no crânio. Assemelhava-se a um peixe mas era estranho. 
- Professor, encontrei o símbolo pedido. - anunciou uma jovem com o cabelo loiro.
O professor aproximou-se dela e observou se coincidiam.
- Quer dizer "Deus". Esse símbolo significa isso. - completou.
- Deus... curioso. É crente. - observou Larry.
- Já compararam com as marcas deixadas pelo "Fantasma"? - inquiri à estagiária que ruborizou imediatamente.
- Hum... hum... vou já fazer isso.
Saiu disparada que nem uma bala e voltou minutos depois com um sorriso na cara.
- Segundo os arquivos e as minhas pesquisas, as marcas coincidem. Não só coincidem as marcas como também o local. Observe esta imagem.
Colocou à frente dos meus olhos uma imagem que tinha sido tirada de outra vítima e, efectivamente coincidia.
- Assim que tivermos mais alguma coisa, informámo-vos. - declarou o professor.
- Obrigada, Patrick. - disse Larry voltando-lhe as costas.
Segui-o.
- Larry, queria pedir-te um favor para hoje... se não te importasses...
- Diz lá.
- Preciso de sair mais cedo. - disse com medo.
- Para quê?
- Preciso de... - vi que não tinha alternativa. - Vou a um encontro e precisava de me arranjar, entendes?
Ele sorriu, soltando posteriormente uma gargalhada.
- Sim, entendo. Podes sair mais cedo. Chega-te às sete horas?
- Obrigada, Larry.
Ele sorriu.
- O Oliver não deve estar a gostar de andar a interrogar as pessoas, mas pronto... tem de ser castigado pela imitação foleira da minha voz. - informou Larry com um sorriso na cara.
Às sete horas saí e dirigi-me morosamente até ao meu apartamento. Estacionei o carro e dirigi-me logo para o interior, escolhendo a indumentária para aquela noite. Não podia ser nada nem muito discreto nem muito arrojado. Tinha de ser algo intermédio. Abri o roupeiro e optei por algo mais discreto, dado que não tinha nada suficientemente arrojado. Em cerca de meia hora preparei-me. Ainda tive tempo de consultar o meu e-mail. Tentei contactar Oliver mas ele não me atendia. 
Ouvi a campainha a soar. Corri a abri-la.
- Boa noite, Hazel.
Jared estava mais lindo que ontem. Adoptava um estilo desportivo mas não muito. Envergava umas calças de ganga escuras, uma camisola preta, um casaco de cabedal canelado nos punhos e na cintura e uns ténis igualmente pretos. Estava... espantoso. Fiquei boquiaberta!
- Boa noite. Hum... vamos?
Ele conduziu-me até ao seu carro que era deveras confortável. Olhei bem para o interior do carro. O banco traseiro continha dois sacos de desporto.
- Tu gostas muito de desporto! - comentei.
- Por que dizes isso?
- Tens dois sacos de desporto ali a trás.
Ele ficou atrapalhado.
- Hum... sim, eu costumo praticar todos os dias.
Quinze minutos depois, chegámos a um restaurante demasiado chique para mim. Se soubesse tinha vindo trajada de outra forma. 
Com gentileza, afastou a minha cadeira para me sentar, sentando-se ele posteriormente. Subitamente o funcionário chegou, inquirindo o que cada um desejava.
- Eu quero começar por profiteroles, se faz favor. Diga ao cozinheiro que é o Jared. Ele sabe quem sou e sabe o que quero. Pode trazer o mesmo para a menina.
O funcionário assim o fez.
- Começas pela sobremesa? - inquiri com um sorriso.
- Sim, é o que eu mais gosto e para além do mais não percebo por que razão não podemos comer a sobremesa primeiro. Vai tudo misturado para o estômago!
Sorri com a sua afirmação.
Após a nossa longa conversa sobre as nossas vidas, chegaram os pratos. Olhei e não sabia o que era mas comi tudo. Era realmente bom. Ao invés de Jared, eu comecei pelo prato principal, terminando com os profiteroles. Ele pediu um café bem forte. Eu preferi não arriscar beber, porque muito provavelmente teria dificuldade em adormecer. Conversamos sobre as nossas travessuras em crianças, das nossas aventuras com os amigos, as nossas asneiras mais significativas. Ele, sem dúvida, era um homem muito interessante. Alguém diferente de todos os homens que tinha conhecido. Sabia fazer-me sorrir e sorria constantemente. O seu sorriso era capaz de encher uma sala. De iluminar o espaço como se fosse uma vela. Era aquilo que eu sempre tinha imaginado. 
- Hazel, e que tal darmos uma volta a pé? - questionou.
- Por mim, tudo bem. - respondi, levantando-me e pegando na carteira.
Dirigi-me à recepção para pagar a conta mas Jared interpôs-se entre mim e a recepcionista, impedindo-me de pagar o jantar. 
Saímos do restaurante e passeámos pelas ruas do centro da cidade de Helena que se encontrava repleto de gente. Pensámos em ir a um bar mas estava tudo cheio. Decidimos procurar outro bar para irmos beber uns copos. 
Subitamente sinto a minha mala a ser puxada violentamente. Olhei para a minha esquerda e vi um homem encapuzado a apontar-me uma arma. Cedi rapidamente a mala. Jared olhava-me e eu olhava para ele com a esperança que ele não mexesse sequer um dedo, pois podia ser alvejado. Os homens correram e Jared foi atrás deles. Gritei para que ele deixasse a minha mala ir mas ele não em deu ouvidos e quando se aproximou suficientemente do ladrão, saltou-lhe para cima e esmurrou-o. Tentei impedir que Jared o magoasse mais, mas ele estava nervoso o suficiente para o deixar sair ileso. 
Agarrou a minha mala e entregou-ma, puxando-me para o lado oposto. Todos olhavam para nós.
- Não precisavas de fazer isto! Não tinha nada de especial na minha mala! - disse com receio.
- Odeio que assaltem pessoas! Enerva-me. Acho melhor levar-te a casa. 
A verdade era que eu estava ainda mais maravilhada com a sua coragem. Mesmo sabendo que eles estavam armados, arrancou-lhes a minha mala. 
Dirigimo-nos para o seu carro e ele exibia um sorriso que parecia não querer mostrar. 
- Gostei da tua companhia, Hazel. Acho que devemos repetir isto mais vezes, não achas? Que dizes de sairmos Sábado?
- Acho uma óptima ideia. Gostei também... hum... da tua companhia.
- Gostei de saber que costumavas cortar o cabelo à tua irmã! Coitada... - referiu, soltando uma gargalhada.
Sorri.
- Eu gostei de saber que és quem tu és. - disse, tentando não ser muito objectiva.
- Eu posso dizer exactamente o mesmo.
Ruborizei. Pensei que ele não tinha percebido...
- Hum... Então, até... Sábado. - fiz uma pausa. - Não querendo saber em demasia, diz-me, onde moras?
Ele sorriu.
- Dar com o teu apartamento foi a coisa mais fácil que alguma vez fiz. Bastou-me olhar da minha janela e ver-te chegar. Moro ao fundo da rua. - informou.
- Ah! Não sabia! - sorri. - Que coincidência! Bem, até sábado, Jared.
- Depois falámos amanhã!
Despediu-se de mim com um beijo na face. Acompanhou-me até à porta principal do apartamento. Subi as escadas até ao meu apartamento. Abri a porta e estava tudo escuro, como era de esperar. Acendi as luzes e acendi as luzes e deitei-me no sofá a recordar-me daquele sorriso matreiro e maravilhoso. Um telefonema interrompe o meu estado de felicidade.
- Hazel? Estás bem? - inquiriu Oliver com um laivo de preocupação.
- Sim, por que razão questionas?
Ele suspirou.
- Hazel, ele não é quem imaginas. Eu sei do que falo! Ele é o "Fantasma"! 
Ri-me do que ele disse.
- Oliver, não acredito que estás com ciúmes! 
- Eu não estou com ciúmes! Estou a dizer aquilo que investiguei! Hazel, acredita em mim.
Sorri com sarcasmo.
- Oliver, eu lamento mas a tua afirmação é descabida! Isso não é possível! Eu conheci-o hoje e acho-o um homem culto, responsável e acima de tudo maturo! Ele era incapaz de fazer isso! - vociferei.
- Está bem, Hazel. Como queiras! - disse com frieza e violência. - Sabes que misturas o teu lado emocional na tua profissão e acredita que mais cedo ou mais tarde vais descobrir que eu tenho razão. 
Desligou a chamada e eu fiquei a olhar perplexa para a parede branca, inexpressiva.

To be continued...


9 comentários:

s. disse...

pois é *.*
mas o Sloan será sempre o Sloan adoro-o ;p

Catarina disse...

Ai tive a ler a primeira parte e agora esta.
adoro adoro adoro
tens imenso jeito pra escrever :o

Catarina disse...

ora essa so disse a verdade (:
e obrigada *o*



Jared Leto <3

disse...

está exímio, hayley. estou ansiosa pela próxima parte!

Catarina disse...

mas ele agora ta loiro :'o
e ja fez 40 anos '-' é lindo mesmo +.+

eu fui porque era o penultimo dia de aulas do 1* periodo. testes nessa altura? D:

Junior Rios disse...

Esperando ansioso a 3ª parte!Hayley, tem me surpreendido com o jeito que escreves...Fascinante, garota!

Bjo

Cláudia Matos disse...

A Hazel ficou boquiaberta com o estilo que Jared adoptava... e eu fiquei de igual forma, mas foi depois de ler este capítulo de "O Jornalista" ...
Adorei!

Cláudia Matos disse...

Mas como é que ele descobriu assim que o fantasma
é o Jared?
Vou continuar a ler os próximos :)

sara dias disse...

Estou presa a esta história :D
estou a gostar imenso!