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sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

O Jornalista - III

Passei a noite a pensar na barbaridade que Oliver tinha dito. Óbvio que Jared não fazia parte de nenhuma associação assassina nem nada do género. Era um homem perfeitamente normal, um jornalista pouco conceituado que lutava para conseguir um cargo que acarretasse mais destaque. Eu própria o tinha feito, bem como Oliver que fora meu amigo desde o liceu. Desde que saímos da faculdade, procuramos institutos conceituados a nível nacional. 
Por muito que eu tentasse perceber a perspectiva de Oliver, Jared parecia sempre ter um peso superior do outro lado da balança, embora eu o conhecesse há pouco tempo. Oliver sempre foi um grande amigo, alguém em quem eu podia contar os meus segredos mais ocultos. Cheguei a nutrir alguns sentimentos por ele, no início. Mas ele, galã nato, admirado pelos seus grandes olhos expressivos e pela sua condição física, tinha o descaramento de me contar também as suas conquistas, inquirir o que eu achava sobre determinada rapariga e dizer-me que começava a ficar farto de tantas conquistas. Eu ficava quezilada por nunca dizer verdadeiramente o que sentia. Com o passar dos anos, esse sentimento foi-se atenuando até que acabou por resultar numa belíssima amizade que está prestes, prestes a romper-se. 
Olhei para o relógio pousado na mesa de cabeceira. Marcava as quatro da manhã. Eu conseguia ouvir a chuva a cair copiosamente sobre a selva de cimento. Incidia sobre a persiana semi-cerrada. Voltei-me de costas para a janela para tentar adormecer mas não conseguia de forma alguma. Decidi levantar-me e ir beber um copo de água à cozinha. Calcei os chinelos e vesti um casaco comprido. Acendi todas as luzes à passagem e parei na sala para trazer um livro que tinha deixado na pequena mesa da varanda, pois podia molhar-se e provavelmente já estava. Estava frio. O vento soprava velozmente, atirando o meu cabelo para trás. Olhei para o exterior e vi alguém do apartamento ao lado na varanda. Olhei com atenção e vi que era Jared. Fumava um cigarro e estava em tronco nu, exibindo os seus músculos bem definidos. Estava com um ar absorto e simultaneamente diferente daquele que ele tinha exibido na noite passada. Abandonei rapidamente a varanda e fui beber um copo de água, não deixando aquela imagem desvanecer-se. 
Deitei-me um pouco no sofá a ver televisão, quando o telemóvel recebe uma mensagem.
"Não consegues dormir?" - inquiriu Jared numa mensagem de texto.
Fui à varanda novamente, apertando bem o casaco. Ele ainda permanecia lá.
- Hazel! - gritou ele, abanando a sua mão. - O que se passa? Não consegues dormir?
- Na verdade, não. Deve ter sido do café. - respondi, mentindo.
Ele sorriu deixando-me completamente desnorteada.
- Já pensaste onde vamos amanhã? Ou melhor... hoje?
- Hum... não... estou aberta a sugestões. - gritei de modo a que ele ouvisse.
Daqui a nada os vizinhos estavam a reclamar pela gritaria.
- Isso é simpático da tua parte. Espera apenas um momento. Já me estão a ligar e acho que é por causa da gritaria. Eu vou aí.
Enveredou pelo seu apartamento dentro e em poucos segundos apresentou-se em frente à porta principal. Desci para ir ter com ele. Trazia uma sweat dos Yankees
- Hum... queres entrar? - questionei.
- Não, obrigado. Acho que não vou demorar muito. - disse com um sorriso. - O que achas de ires a minha casa jantar? 
- Acho injusto. Na última noite tiveste trabalho. Agora devia ser a minha vez.
- Ajudas-me, pode ser?
- Assim já acho mais justo! - respondi.
Ele esboçou um sorriso um pouco forçado.
- Vais experimentar uma das minhas especialidades. Depois podemos sair, isto é, se quiseres.
- Óbvio que quero! - exclamei. - Hoje vais trabalhar?
- Em princípio, sim. Vou ficar cá por casa para escrever uma coluna. Voltas cedo, certo?
- Certo. Hoje é Sexta-feira.
- Acho melhor ir andando. Quero escrever mais umas linhas na minha coluna para o jornal. Até mais logo.
Acenei-lhe e entrei. Cheguei à cama e atirei-me para cima dela. Acabei por dormir um par de horas.
Quando cheguei ao trabalho, Oliver não estava lá. O seu carro não estava estacionado no mesmo local nem sequer no parque de estacionamento. Peguei nas minhas coisas e dirigi-me para o interior do edifício. Larry estava ao telefone a gritar a plenos pulmões. Não havia dúvida que tinha uns belíssimos pulmões! Pedi autorização para entrar enquanto ele o pousava bruscamente. Respirou fundo, fechando os olhos e calmamente, questionou:
- Como correu?
- Bem, acho eu. - disse enquanto me sentava.
- Então estão a progredir? - questionou.
- Sim, hoje vamos sair outra vez. - informei. - Mas o propósito da minha vinda não é este. O Oliver está doente?
Ele suspirou.
- Sabes como é o Oliver... um óptimo miúdo mas muito cismado...! Ele quis fazer uma investigação por conta própria. Neste momento está em Seattle, no local do crime que deu ontem na televisão. Está a falar com os inspectores e pretende seguir o "Fantasma" até o conseguir descobrir. Eu não percebo aquele miúdo... - suspirou.
- Obrigada, Larry... se me dá licença vou para a minha secretária.
Saí rapidamente digitando o número de telemóvel de Oliver no meu telemóvel. 
- Oliver? Estás a ouvir-me? Por que estás a fazer isto comigo?
- Hazel, prazer em ouvir a tua voz. - disse com frieza. - Agradeço a quota parte de confiança que me atribuíste. Fiquei muito contente em saber que confias mais num desconhecido que eu não sei quais as suas verdadeiras intenções do que acreditar num amigo de longa data... Eu não pretendia atender o telefonema. Só o fiz por respeito. Porque te respeito. - disse com nervosismo.
- Oliver... eu não queria dizer que não acreditava no que tinhas dito, mas é impossível! Impossível, percebes?
Ele sorriu com sarcasmo.
- Hazel, eu não te posso garantir. Mas mais cedo ou mais tarde eu vou saber, e vais-te aperceber que o melhor para ti é acreditares em mim e... - interrompeu a sua linha de raciocínio. - já vai ser tarde. Não esperes por mim nos próximos meses. 
- Só te digo para não fazeres nada do que te possas vir a arrepender. Esquece isso e volta eu sinto a tua falta! - referi com sinceridade.
- Agora tens mais com que te ocupar. Adeus, tenho de ir trabalhar.
Desligou-me novamente a chamada. 
Tentei não pensar muito em Oliver durante o dia. Ele tinha ido investigar com o intuito de tentar trazer-me à razão. Mas essa razão não existia. Jared não era um assassino.
Com a ausência de Oliver, tive de almoçar sozinha o que era um verdadeiro tédio. Sentia saudades das suas anedotas, das suas asneiras a atirar bolinhas de pão para a cabeça das pessoas. Tinha saudades dele, essa era a verdade. 
À tarde fui com Larry ao laboratório buscar o relatório que confirmava que a vítima tinha sido assassinada pelo "Fantasma". Larry mandou uma dúzia de homens para Seattle com o objectivo de ajudarem Oliver. 
Às seis horas terminava o meu turno. Queria ir para casa, e tinha ainda de comprar umas garrafas de vinho. Quando cheguei ao parque de estacionamento vi Jared encostado ao meu carro a fumar um cigarro que se apressou a apagá-lo. 
- Olá! Como foi o teu dia? - questionou.
- Cansativo.
- Hum...  - olhou-me nos olhos. - Passou-se algo?
- Não. - sorri. - Queres boleia?
- Já que insistes...
Entramos dentro do carro. Ele insistiu para conduzir e eu cedi.
- Hazel, não quero ser queixinhas, mas podes dizer àquele teu amigo para deixar de me perseguir quando vou para casa?
- O Oliver? - inquiri estupefacta.
- Esse mesmo. Ontem a minha janela estava aberta e eu tinha-a deixado fechada e vi-o na rua pouco depois da minha entrada no meu apartamento.
- Não te preocupes. Eu trato disso.
A viagem até sua casa foi feita em silêncio. Conduziu-me até o sue apartamento. Não era muito grande. Era suficiente para uma pessoa. Mostrou-me os compartimentos todos excepto uma pequena porta. Não tive descaramento suficiente para lhe questionar o que havia ali.
Ajudei-o a preparar o jantar que se chamava "Camarões à New Orleans". Tinha acertado em cheio! Eu amava camarões. O jantar não foi tão animado como o da noite anterior devido ao facto de eu estar constantemente a pensar em Oliver. Jared tentava animar-me, dizia piadas mas eu sorria forçosamente. 
No final, vimos um filme. Uma comédia, mas nem isso me fazia sorrir muito. 
- Estás bem?
- Estou preocupada com o Oliver. - confessei.
Ele franziu o sobrolho.
- Porquê?
- Ele anda com a mania que quer descobrir quem é o "Fantasma"... eu acho absurdo o que ele pensa...
- E o que pensa ele? Se é que podes dizer...
- Esquece... são tolices minhas. - disse achando melhor não me precipitar.
- Podes contar comigo... sempre que quiseres, sabes bem disso. - disse aproximando-se de mim.
Eu não o conseguia repelir. Estava completamente apaixonada por ele. Ele beijou-me. O telemóvel interrompeu-nos. Corri para atendê-lo.
- Estou, Larry?
- Vem depressa para aqui, Hazel. É urgente.
Olhei para Jared em pânico. Ele parecia calmo e satisfeito.
- Anda, eu levo-te lá e espero por ti.
Deu-me a mão e conduziu-me até ao seu carro.
Quando cheguei ao escritório vi um aparato enorme e Larry falava com os policias. 
Eu e Jared vínhamos de mãos dadas, mas logo as largamos. Notei que Larry analisava Jared.
- Boa noite a ambos. - cumprimentou Larry, dando um aperto de mão a Jared. - Hazel, vem comigo.
- Espera só um pouco. - pedi-lhe.
Ele sorriu e dirigiu-se para o interior do carro.
- Então é este tipo por quem te apaixonaste?
- Sim, é. - respondi enquanto caminhávamos.
- Ele não é um bom tipo. Esconde algo. Mas temos mais que falar. - fez uma pausa. - Temos uma ameaça no gabinete antigo. A funcionária assustou-se quando viu tamanha crueldade.
Descemos as escadas, acendendo as luzes. Ao fundo do corredor, havia uma grande porta de vidro onde estava escrito a letras vermelhas e grandes "ALGUÉM IRÁ MORRER". 
- Já mandaram analisar de quem é o sangue? - inquiri.
- Já. Pertence a uma vítima de quem o "Fantasma" guardou o sangue. Chama-se Simon Yorke. Uma das vítimas de ontem. - respondeu. - Amanhã tens muito a fazer. Vai ter com o teu namorado. Ele que te leve a casa. Estás abatida por causa do Oliver. 
- Obrigada, Larry.
Subi as escadas a correr a pensar que a próxima vítima era Oliver. As lágrimas picavam-me os olhos e quando cheguei próximo de Jared, desatei num choro interminável. Ele abraçou-me.
- Eu não quero que o Oliver morra! - disse.
Ele tentou silenciar-me e deu-me umas leves palmadas nas costas.
- Ele não vai morrer... se tudo correr bem.

7 comentários:

RuteRita disse...

visto que eu já tinha lido isto, a unica coisa que tenho a dizer - te é que ADOREI.
Obrigada, obrigada mesmo por todas as palavras

RuteRita disse...

obrigada querida (:
assim como eu o teu (:

Junior Rios disse...

Adorei a história, Hayley!Muito emocionante mesmo...Pode ir preparando outra logo,ok?

Bjo

Cláudia disse...

Jared *.*
Parece q já tenho mais tempinho. Assim q puderes, manda msgm Nyya*

Beijinho*

Anónimo disse...

mal posso esperar pela IV parte...bjs*

lara beatriz disse...

adorei, Hayley. (:
beijinhos*

Cláudia Matos disse...

wow... este foi super intenso!
Quem será a próxima vítima?