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quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

O Jornalista - XVII (haverá uma pequena continuação)

Após um período prolongado de choro, resolvi que o melhor era ir embora e, em sofrimento, aproveitar os escassos momentos que me restavam com Jared. Conduzi o carro a uma reduzida velocidade para pensar em tudo o que estava para acontecer. Eu não queria pensar, essa era a verdade mas eu não me conseguia desligar daquele assunto.
 Eu não queria saber se Jared era um assassino em série! Bem... até queria porque isso não me agradava mas isso não fazia parte da sua natureza! Ele não o era por prazer... Não o fazia com o intuito de ver jorrar sangue pelas veias das vítimas, por querer ouvir os seus gritos insanos a solicitar complacência da sua parte! Ele não era essa pessoa tão cruel como Oliver o pintava.  A sua liberdade, a sua vida... a nossa vida dependia dos seus trabalhos "sujos". Mas estaria eu a ser correcta? Eu estava a pensar em mim, na minha segurança quando devia impedi-lo. As lágrimas voltaram-me a cair copiosamente, embatendo com um som imperativo na minha mão. Fiz uma manobra deveras arriscada e encostei o carro na berma da estrada. Retirei o telemóvel da minha bolsa e vi dezassete chamadas de Jared e umas quantas mensagens. Limitei-me a ignorá-las. Abri a porta do carro e caminhei lentamente, atravessando um pequeno pinhal. 
O ar parecia-me muito mais denso do que outrora. Pressenti que a chuva ia começar a cair mesmo não olhando para o céu. Era azar a mais cair chuva de uma forma tempestuosa! Que se danasse! Eu não estava para pensar em consequências e muito menos avaliar questões meteorológicas. Limitei-me a atravessar o pinhal e sentei-me no solo enxuto, encostando as minhas costas no rugoso tronco de um pinheiro. Naquele momento, apetecia-me fazer o que fazia nas noites académicas: beber Vodka ou então Martini`s até me sentir  bem, leve e jovial! Mas não podia... Jackson, o meu Jackson, não iria gostar disso e eu não me iria sentir bem. Subitamente, senti que ele me havia dado um grande pontapé. Contorci-me toda e desejei que ele não o tivesse feito. As lágrimas escorriam-me mais depressa pela face abaixo. Os seus pontapés tornaram-se cada vez mais frequentes, mais intensos, mais dolorosos.
- Não... agora não. - murmurei em desespero. - Não agora, espera mais uns dias, pequenino. - sussurrei em direcção ao meu ventre.
Soltei um grito, vendo que iria entrar em trabalho de parto mais tarde ou mais cedo. Para agravar a situação, começou a chuviscar cada vez mais sobre a minha cabeça. A trovoada, com o seu som forte e imperial, fez-se ouvir. Jackson mostrou mais o seu aborrecimento e fez-me soltar outro grito. Procurei o meu telemóvel mas eu não o encontrava. Precisava de ajuda.
- HAZEL! - alguém clamava o meu nome incessantemente.
Com a voz fraca e com demasiadas dores, ainda verbalizei algo.
- Hazel? Onde estás? Raios! Onde te meteste? - gritava uma voz com um laivo de desespero na voz.
Respirei fundo e tentei esquecer todas as dores que sentia que se assemelhavam ao cravar e rasgar do meu ventre.
Soltei um grito seguido de um gemido.
- Hazel? - questionou a voz num tom mais baixo. Jared ainda se encontrava longe. - Dá-me um sinal! Deixa-me seguir a tua voz.
- Ajuda-me! - disse o mais alto que consegui.
Ouvi os seus passos rápidos a correrem debaixo daquela chuva e a pisarem os galhos partidos que tinham caído no chão.
Eu ansiava pela sua vinda. Não me conseguia levantar e não estava em condições para conduzir. 
- Jared... - murmurei estendendo a mão assim que o vi.
Ele olhou-me, viu-me contorcer, definhar e paralisou. Parecia ter entrado num estado de choque. 
- Jared! - disse, soltando depois um grito. Precisava de ir para o Hospital.
Ele estremeceu, mas não sorriu. Apressou-se a pegar em mim ao colo e começou a correr à velocidade que conseguia. Era difícil correr comigo ao colo.
- Hazel. - disse, ofegante. - Meu amor, por que vieste para aqui? Eu nem quero imaginar se ele... tivesse nascido aqui!
Beijei-o. Podia ser a última vez. Abraçei-o, agarrei-me ao seu pescoço e as minhas lágrimas começaram a deslizar novamente.
- Por que choras? - inquiriu com os olhos vermelhos.
- Leva-me para o Hospital. - pedi em desespero. Só queria que me tirassem aquelas dores tão intensas.
Jared sentou-me no local do passageiro e apressou-se a conduzir até ao Hospital mais próximo. 
A hora de ponta estava instalada. Havia carros por todo o lado. Estávamos entalados no trânsito.
- Raios! Raios! Raios! - bradou embatendo as suas mãos no volante. Olhou-me e colocou a sua mão na minha testa. 
- Precisámos de chegar o mais depressa possível. - disse enquanto buzinava. Alguns condutores estendiam solenemente o dedo do meio. Ele estava irritado e eu fazia esforço para me manter calada e não demonstrar a tamanha dor que sentia. Dor sentimental e corporal.
- Eu... - disse com a voz trémula. - amo-te. Nunca te esqueças disso. - Acariciei-lhe a face.
Colocou o seu dedo indicador nos meus lábios, percorrendo o seu contorno. Sorriu levemente quando lhe apetecia chorar. 
- Não fales. Aguenta-te.
Fechei os olhos e comprimi os lábios. Não consegui resistir à dor. Soltei outro grito. Jared estava alienado, e conduziu à máxima velocidade que o carro permitia. 
- Isto é um sonho misturado com pesadelo! Não queria que sofresses assim! - disse.
Finalmente avistei o Hospital. Os meus olhos encheram-se de esperança até que consegui ver com nitidez um carro da Polícia.
- Não... não... não... - murmurei.
Jared olhou-me de soslaio. Senti a minha face transfigurar-se.
- Hazel...?
- Não! - bradei. - Leva-me embora! Não quero perder-te! Não agora nem nunca! Preciso de ti para viver! 
Ele olhou-me com estupefacção não percebendo pitada do que estava a tentar transmitir.
- Não sejas ridícula! Jackson tem de nascer!. - Dito isto, saiu do carro e correu para me transportar para o interior do edifício. Comecei a tossir.
No interior estava quente e seco. Arranjaram-me uma maca. Jared estava simultaneamente fascinado e atemorizado.
Vi quatro figuras masculinas a caminharem em direcção à porta. Jared vociferava com a recepcionista. A porta abriu-se e vi três polícias armados e Oliver. Fiquei sem reacção. Oliver sacudiu o seu casaco e tirou os seus óculos de sol, como habitualmente.
A sua boca movimentou-se pausadamente, pelo que eu percebi "É aquele". 
- Jared! Corre! - bradei.
Ele olhou para trás e começou a correr embora isso não o fosse salvar. Tentei levantar-me mas caí nos braços de alguém que me voltou a colocar em cima da maca.
- Apanhá-mo-lo. - bradou um dos polícias para Oliver.
Ele olhou-me com sofrimento. Ele também não se sentia bem por prender Jared.
Dois polícias tinham-no algemado e acompanhavam-o. Colocaram-o à minha frente.
- Jared... - sussurrei.
Ele chorava e escondia o seu rosto com o seu cabelo castanho. Ele fez um gesto brusco para ver se se conseguia soltar, mas era escusado. 
- O que fazemos? - questionou um dos policias mais novos.
Oliver suspirou.
- Deixem-no despedir-se dela. - Afastou-se e voltou-me as costas.
Os policias ladeavam-o. Ele pediu para o soltarem. Prometeu não fugir. 
Apesar das dores que sentia, a dor maior era saber que Jared iria passar o resto da sua vida atrás das grades. 
- Hazel... - disse soluçando, apertando-me contra ele. - Peço desculpa! Eu fui uma desilusão! - Beijou-me com urgência. - Eu não previa este desfecho! "Deus" tramou-me. - voltou-se para Oliver. - Ele deu-te tudo o que querias para me prenderes, não foi? Ele sempre me avisou disso!
- Estás a falar para mim? - questionou Oliver com cinismo.
Jared não respondeu.
- Por favor, deixem-me assistir, deixei-me estar com ela! É o meu filho, ou ainda não perceberam? - questionou, olhando-os com desespero, com os olhos a brotar lágrimas na esperança de os enternecer.
Oliver estava sério e não utilizou o seu sarcásmo para lhe responder.
- Tu já devias estar enfiado naquela cela há imenso tempo! Portanto, não podes. Eu não autorizo.
- Eu estou aqui! - bradei. - Eu quero que ele esteja comigo!
Oliver olhou-me.
- Eu estou a zelar por ti. E ele não vai assistir. Já o deixei despedir-se de ti. - murmurou.
Comecei a chorar novamente.
- Por que és assim? Por quê?
Ele não respondeu. Os policias já estavam a arrastar Jared para o exterior enquanto ele lutava inutilmente para ficar. Subitamente parou e chamou Oliver. Ele dirigiu-se a ele os policias soltaram-no e afastaram-se. Eles falavam normalmente um para o outro, o que era de admirar. Oliver esboçou-lhe um sorriso que não percebi se havia sido sincero ou hipócrita. 
- Hazel... - disse por fim. - eu sempre irei amar-te. 
Sorri-lhe por entre tantas lágrimas.
- Oliver, cuida dela. - disse Jared sem oferecer resistência. Caminhou fielmente com os policias que o iam prender. Oliver ficou comigo.
Eu sentia-me agoniada!  Queria desaparecer, queria que Oliver desaparecesse queria que tirassem dentro de mim aquela criança! 
A maca movimentou-se rapidamente e vi-me rodeada de médicos que se preparavam para me fazer uma cesariana. Graças a Deus que não ia sofrer mais. Oliver não entrou comigo para o Bloco Operatório. Também não o queria lá. Odiava-o.
Eu conseguia ouvir os médicos a pegarem nos instrumentos de corte e a pousá-los. Já não sentia qualquer dor física. A dor do coração era pior. 
Eu já conseguia ouvir o seu choro. Estava emocionada, como era de esperar. Aquele choro fazia-me lembrar Jared. Aliás, Jackson era o que restava em mim de Jared. Deram-me aquele bebé tão frágil, tão pequeno e indefeso para os meus braços. Com um grande sorriso, recebi-o e olhei-o. Tinha os olhos de Jared. Azuis e profundos. A sua boca era tão perfeita e tão parecida com a de Jared. Tudo nele era Jared. Aquela criança, olhou-me nos olhos e parou de chorar. Os seus grandes olhos azuis fixavam os meus. Fechou as suas pálpebras e eu sorri como se fosse a coisa mais linda que eu já tivesse visto! E era. Era meu. Nosso. Eu não lhe podia nomear de Jackson quando olhava para ele e via Jared. 
A enfermeira retirou-mo dos braços e eu protestei. Levou-o para um local que eu desconhecia. Temi pela sua segurança e percebi que afinal o instinto materno se tinha apoderado de mim. 
Oliver entrou e eu queria ter coragem para expulsá-lo mas estava tão exausta que adormeci instantaneamente. Não sonhei com nada... nem com Jared. 
Acordei com o som da trovoada. Oliver segurava-me a mão e olhava-me com preocupação. Ainda estava ressentida com ele, pelo que me apressei a libertar a minha mão.
- Vai-te embora daqui! - disse-lhe rispidamente. - Ainda não te apercebeste que eu te odeio?
Ele suspirou.
- Hazel, eu... sei que me odeias e que vais passar grande parte da tua vida a odiar-me. Mas ele pediu-me uma coisa... - fez uma pausa. - e estive a pensar enquanto te via dormir tão profundamente como um anjo. - Levantou-se. - Eu fui tão injusto contigo. Quando eu disse que odiava aquela criança, eu estava a mentir. Eu não a odiava. Só queria que fosse minha! Percebes? Eu nunca poderia odiar um ser que viesse de ti. Nunca. 
Olhei para ele comovida. 
Oliver sentou-se ao meu lado novamente e abraçou-me.
- Achas que ele vai ficar bem? - inquiri.
- Embora eu não goste nada dele, pedi que o tratassem bem. Para que conste no meu curriculum, e para que não me odeies mais do que odeias, ninguém sabe que ele está preso nem ninguém saberá, para além dos que faziam parceria comigo, que o filho era dele e que ele era um assassino. Eu sei a história dele e arrependi-me de o ter julgado, mas não podia evitar de o prender. A lei exige-o quer ele estivesse relacionado directamente ou indirectamente. E tu sabes bem isso. 
- Eu sei, Oliver... eu sei. - murmurei com as lágrimas nos olhos. 
Afastei-me.
- Hazel... - começou. - ele é doido... completamente insano. Eu não sei como é que ele teve coragem de mo dizer... eu não faria, de modo algum se estivesse na situação dele.
- O que te disse ele? Diz-me!
Deixei de olhar para Oliver e vi que uma mulher trazia uns papeis para registar a criança e e aí eu percebi o que Jared pediu a Oliver. 
- Sim, Hazel. Ele pediu-me para aceitar ser pai do teu filho.
Olhei para ele indignada com o pedido. Devo ter ficado branca.
- Hazel, por favor, reage. Isto não é fácil para mim. Eu fui rejeitado por ti e agora vejo-me a assumir um papel que nem sei se queres que eu assuma!
A mulher rodou a maçaneta, deixando a enfermeira passar com o meu... ainda não me tinha habituado ao facto de ele ser meu filho.
- Hazel... responde-me, por favor! - pediu Oliver.
A mulher balofa e com uma cabeleira farta e ruiva sorriu após a enfermeira ter colocado a criança nos meus braços. Embalei-o cuidadosamente para que ele não começasse a chorar. Aparentemente não era um bebé chorão.
- Tem aí um rapagão forte! - comentou a enfermeira. - Não chorou quase nada. É um sossego total!
- Obrigada. - balbuciei.
A mulher que trazia um crachá cujo nome era Adeline, fez uma carícia na face do pequeno McCallen. Começou por fazer as perguntas típicas. Nome dos pais. Oliver olhou para mim.
- Hazel Clio Ackles e... - hesitei. - Jar... Oliver Caleb Robbins. 
- Devem ser uns papás babados! - disse a mulher olhando-o a dormir profundamente nos meus braços.
Sorrimos. 
- Nome da criança, por favor...
Olhei para ele. Eu não podia escolher o nome "Jackson" quando tudo nele era Jared. 
Oliver olhou-me com urgência.
- Hum... - cerrei os olhos e mentalizei-me que tinha de lhe dar um nome. - Jared Caleb Ackles...McCallen.
- Robbins. - corrigiu Oliver a tempo.
A mulher sorriu. 
- Se eu confundisse o nome do meu marido, provavelmente ele dar-me-ia um raspanete. - disse com um sorriso.
- Sabe, é que ela... ainda está vulnerável e McCallen é um nome antigo de família que ela lhe queria colocar, embora tivéssemos chegado a um acordo. - disse Oliver tentando-a persuadir.
Ela sorriu.
- Desejo-vos as maiores felicidades e que essa criança seja feliz. O meu trabalho por aqui está terminado.
- Obrigado. - agradeceu acompanhando-a à porta. 
Eu estava ainda maravilhada com a maternidade e não parava de sorrir. 
- Hazel... tens a noção do que disseste?
Olhei-o admirada.
- Sim. Obrigada por estares a fazer isto por mim. - fiz uma pausa e olhei-o nos olhos. - Sabes que eu posso vir a amar-te mas não da mesma forma que o amei. 
Ele voltou a sua face de modo a não me fitar.
- Deixa-me pegar nele.
Hesitei. Tinha medo do que ele podia fazer.
- Deixa-me pegar no meu filho! - insistiu.
Estendi-o ternamente e ele tomou-o nos seus braços, embalando-o. Os seus olhos sorriram, bem como a sua boca. Deslocou-se com ele nos braços até ao fundo da cama.
- Ele é mesmo parecido com Jared. Foi por causa disso que lhe deste o seu nome?
- Eu dei os vossos nomes: Jared dele e Caleb, do teu. - respondi. 
Oliver estava maravilhado.
- Eu nunca estive com um bebé no colo durante tanto tempo. - confessou. 
Achei adorável aquela sua reacção perante aquele filho que não era dele mas assumiu-o como se fosse. Achei impressionante a forma como ele o olhava mesmo sabendo que ele não era o seu pai verdadeiro. Agia como se fosse seu filho e isso afectava-me. Jared era o seu pai e eu queria vê-lo. Queria sentir os seus lábios nos meus e queria que ele visse o seu filho. Mas, e com razão, Oliver não ia autorizar.
Ele devolveu-mo, colocando-o nos meus braços com tanto cuidado que eu própria cheguei a pensar que estava a ser demasiado bruta. Jared abriu os seus olhos, exibindo uns grandes olhos azuis magníficos e tão expressivos quanto os de Jared. Podia jurar que ele estava a sorrir-me. 

13 comentários:

Catarina disse...

querida escreves TÃO BEM omd $$:
quem me dera a mim *-*

Catarina disse...

sim querida. tens uma escrita muito a profissional :3

Catarina disse...

apenas disse a verdade ;)

Sil. disse...

Uaua, está lindo! tens uma maneira de escrever magnifica! PARABENS *.* sigo!
e obrigada por seguires-me!
kiss!

Catarina disse...

e nao vai ser nada bom *o*

Catarina disse...

ahah :d desta vez decidi meter um pouco de crime, violência, etc... vamos la ver a vossa reacçao $:

disse...

Pois, o mais provável é não poder!

Andreia Martins disse...

Obrigado também querida :)
Gostei do que li !

lara beatriz disse...

Obrigada então! :)
Só agora é que consegui ler este capitúlo e está perfeito, parabéns :o
beijinho!

- Paty disse...

só agora é que li todos os capítulos, e definitivamente, só te tenho que dar os parabéns. sinceramente está muito bom, muito bem escrito. mais uma vez, parabéns.
e espero ler mais uma história tua (:
um beijo*

Cárina Silva disse...

Olá! Não tens que agradecer, achei o teu blog bastante interessante, principalmente os posts 'o jornalista' adorei mesmo! beijinho* :)

Catarina disse...

obrigada es um amor mas comparado com o teu não parece nada xd

Catarina disse...

sim, tbm e vdd. obrigada *-* es smp um amor