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terça-feira, 5 de abril de 2011

As Últimas Flores para o Hospital - Cap. XIII (Um dia como todos os outros)

No dia seguinte, após uma noite inesquecível acordei novamente na minha cama com os raios solares a penetrarem pela janela entreaberta. As cortinas adejavam suavemente ao doce e leve sabor do vento embatendo contra o meu corpo. Arrepiei-me e tentei encontrar algum calor no corpo de Ian mas ele já lá não estava. Franzi o sobrolho e levantei-me, sentando-me na cama. Clamei o seu nome mas não ouvi nada que indiciasse a sua presença. Comecei a ficar assustada. Num ápice açambarquei o meu robe e, subitamente vi colado no vidro um papel branco imaculado com fita-cola. Alcancei-o e numa letra legível estava escrito:
“Fui explorar a cidade. Queria que viesses comigo mas estavas a dormir tão bem que decidi não te acordar. Não vou demorar. Trago almoço. Com amor, Ian.”
Olhei para o relógio digital assente sobre a mesa-de-cabeceira. Marcava, impiedosamente a uma da tarde. Julgava que era muito, mas muito mais cedo.
Cantarolando, fui até à cozinha onde abri a porta do frigorífico e retirei um pacote de leite e deitei-o numa chávena. Procurei pelos meus cereais de chocolate e adicionei, mexendo com uma colher. Quando me preparava para saborear o meu pequeno-almoço, ouço alguém a introduzir na fechadura as chaves. Corri até à porta, saltando por cima de Salvatore que estava deitado no centro da sala. Um cheiro inconfundível a pizza fazia-se sentir.
- Não me abraces, Blair! Podes estragar o nosso almoço! – disse Ian num tom jovial.
- Está bem. Vou deixar-te pousar isso.
Mirei-o e vi que ele estava ainda mais irresistível de que todos os dias anteriores. O seu cabelo estava mais comprido e mais escuro, com uma tonalidade diferente do meu. Ian pousou delicadamente a caixa da pizza em cima da mesa da sala. Salvatore sentiu o cheiro e sondava a mesa com curiosidade e com vontade de saltar para absorver um pedaço.
Ian estendeu-me a sua mão e puxou-me conta si, beijando-me.
- Bom dia. – disse-me. – Como dormiste.
Ainda com as suas mãos atracadas na minha cintura, respondi:
- Estupendamente bem!
Ele largou-me e abriu a caixa, tirando um pedaço grande de pizza e colocando-o na taça metálica de Salvatore que se apressou a segui-lo e a devorar o que lhe havia sido dado. Coloquei os pratos, os talheres e os copos na mesa, bem como uma garrafa de vinho que se encontrava na cristaleira. Ian cortou um pedaço bem grande e colocou-o no meu prato. Seguiu o mesmo procedimento para si. Começou por beber um longo trago de vinho e depois devorou um pedacinho de pizza.
Eu estava cada vez mais apaixonada por ele e nem me lembrava que ele era meu irmão.
- Hum… O que foi? – questionou, vendo que eu o fixava com uma cara patusca.
- Nada. – respondi debicando um pouco de pizza. – Está óptima! Foste buscá-la onde?
Ele fez um esforço mental para se lembrar do nome do proprietário ou do estabelecimento comercial.
- Não me lembro muito bem. Sei que não fica muito longe daqui e que o homem exibia um ventre que sobejava das suas calças brancas. Tinha também um bigode engraçado e um sotaque italiano. – descreveu.
- Ah! Foste à Pizzaria do Pietro Mondigani. – informei. – Ele faz umas pizzas divinais!
Ele consentiu engolindo o seu pedaço. Após o almoço tomei um belo duche e preparei-me para sair com ele. Não me apetecia estar em casa e, para além do mais um radioso dia nos esperava lá fora. Vesti-me com elegância e ele nem precisava muito de se esforçar para conseguir ser elegante.
Dêmos um pequeno passeio pelo centro de Nova Iorque. Nunca pensei que ele fosse daqueles homens que gostasse de fazer compras, mas ele entrou em quase todas as lojas da cidade. Porém, não comprou grande coisa. Comprou uma camisola que assentava demasiadamente bem e que fazia sobressair a cor da sua pele. Voltámos para casa por volta das sete da tarde, estafados e ainda tínhamos de subir mais uns andares para chegarmos ao apartamento de Erin e Eric, uma vez que nos tinham convidado para jantar. Os dotes de Erin para a cozinha não eram os melhores, o que a levou a comprar quase tudo num restaurante. Ajudei-a de bom grado a colocar a mesa enquanto Eric e Ian tagarelavam jovialmente sobre as equipas de futebol. Aparentemente tinham gostos opostos. Estava feliz por ele ter alguém de carácter masculino para falar com ele.
- Então? Como estão a correr as coisas? – questionou Erin enquanto colocava o frango com ervas aromáticas na travessa.
- Estão a correr lindamente. – respondi com um sorriso.
Ela estacou e olhou-me.
- Eu não consigo… não consigo olhar para vocês sem deixar de pensar que vocês são irmãos e que têm uma relação séria. Desculpa, Blair… mas como tua amiga vejo-me na obrigação de to dizer. Ele parece ser um óptimo homem, alguém que efectivamente te merece. Mas raios, Blair! Ele é teu irmão! Isto é incesto!
Franzi o sobrolho sem saber o que dizer. Eu percebia perfeitamente o que ela me estava a dizer mas eu não conseguia vê-lo como um irmão. Conseguia vê-lo como uma luz no fundo do túnel, como a alegria no meu estado de morbidez.
- Erin… é muito difícil explicar-te o que sinto. Para além do mais, se me preferes ver feliz, deixa-me continuar a viver como vivo.
Ele ficou perplexa a olhar para mim e eu saí levando a travessa para a mesa. Quando cheguei Ian e Eric estavam a ver o resumo de um jogo qualquer e nem sequer se aperceberam da minha presença. Voltei para o lado de Erin.
- És contra, certo? – inquiri. – Sê sincera, Erin. É o que te peço.
Ela fincou as suas mãos na mesa de mármore.
- Não, Blair, não sou contra. Só temo que sofras se algo acontecer e sabes que é bem mais propício. – disse-me.
- Vocês estavam a discutir? – inquiriu Eric que se encontrava à porta.
- Não. – respondemos em uníssono com consciência que estávamos em vias de a ter.
Eric olhou-nos de soslaio e ajudou-nos a levar algumas coisas.
O jantar foi divertido, embora Erin estivesse um pouco reticente no início. Falou-se de tudo e mais alguma coisa. Ian estava descontraído e falava com Erin e Eric como se já os conhecesse há imenso tempo. Falámos também dos preparativos para o casamento. Eric com a sua voz engraçado, com os braços envoltos nos de Erin, questionou-nos:
- Gostariam de ser nossos padrinhos?
Ian olhou-me com um sorriso e colocou o seu braço em torno de mim.
- Com todo o prazer! – respondeu, beijando-me de seguida.
Erin estremeceu e mudou de assunto.
- Hum… então, não se esqueçam. Faltam poucos meses.
Olhei-a com desagrado e ela percebeu.
- Blair… podes ajudar-me a levantar a mesa?
- Com certeza. – disse, levando os pratos.
Chegámos à cozinha e pousámos as coisas.
- Diz-me como posso eu ignorar o facto de vocês serem irmãos?
- Esquece isso, Erin! Estás a dar comigo em doida! – vociferei. – Nós vamos ser felizes. Ninguém vai interferir. – Arregalei os meus olhos. – Desculpa, Erin, desculpa. Mas eu amo-o e ele não é meu irmão.
Ela abanou a cabeça freneticamente.
- É, Blair, ele é teu irmão. E como tens tanta certeza que ninguém vai interferir? Blair, a vida é feita de imprevistos!
Bufei de impaciência.
- Não sejas agoirenta! Erin, eu gosto demasiado de ti para abdicar da tua amizade. Portanto, esta conversa cessa aqui e vamos fingir que nunca me disseste nada disto. – disse-lhe.
- Como queiras. Estou aqui para o que der e vier. – disse dando-se por derrotada.
- Óptimo.
Após a nossa curta conversa, dirigimo-nos para a sala e decidimos dar uma volta pela cidade. Açambarcamos os casacos e fizemo-nos ao caminho. A lua brilhava incessantemente e Ian envolvia-me nos seus braços protectores e beijava-me a face como se eu fosse algo a estimar e precioso. Era bom ter alguém como ele a meu lado. Depois desse passeio, fomos para casa. Eu estava estafada e deitei-me no sofá enquanto Ian tinha ido buscar um copo de uísque.
Ele sentou-se no sofá, fazendo com que eu pousasse a minha cabeça sobre as suas pernas. Deu um pequeno gole e, com uma serenidade inexplicável, como se estivesse a falar sozinho, pronunciou:
- Se o conceito de vida é viver cada momento como se não houvesse amanhã, fazer todas as loucuras porque não seremos para sempre adolescente ou delinquentes… acho que todos estão insanos. A vida é vivermos em felicidade com alguém que nos faça sentir tal. Com alguém que nos complete.
Saboreei cada palavra que ele disse não contendo um sorriso de felicidade.
- Estás a gostar de Nova Iorque? – questionei.
Ele sorriu, pousando o copo.
- Como poderia eu não gostar? Estou contigo, estou bem.
Beijou-me levemente.
- Acho que preciso de dormir. Estou cansada. – acabei por lhe dizer tentando manter-me acordada durante o caminho. Ele pousou as suas mãos nos meus ombros e conduziu-me até ao quarto. Vesti o meu pijama e enfiei-me debaixo dos lençóis. Ian procedeu da mesma forma, apagando por último a luz e envolvendo-me nos seus braços nus. Encostei a minha cabeça ao seu peito e adormeci a ouvi-lo trautear uma canção.

19 comentários:

fátima pereira! disse...

talvez querida, ainda nem comecei a tua história .. :x

fátima pereira! disse...

pois querida, talvez faça uma das minhas histórias com várias partes. tenho que ver :p

Al* disse...

ai, isto esta imprevisivel.
Gostei imenso , querida ;)

Espero ansiosa por continuação *.*

mariana f. disse...

(vou começar a ler hoje ou amanhã!)
é um livro excelente. lindíssimo. aliás, já ambas tínhamos falado anteriormente dele. e é que se dermos corda não pára :p

Rafa disse...

Lindo blog,escreves bem...
Já estou seguindo...
Passa lá ?
Bjs :D

mariana f. disse...

como queiras, mas não te preocupes com isso que eu reparo quando me aparecer qqr coisa :p

lara beatriz disse...

estás lindo sofia :) , adorei mesmo *-* e adorei que Erin tenha confrontado Blair, porque se fosse uma história verídica ela não seria a única :)
e adoro a música do blog *-*

lara beatriz disse...

Fizeste bem :) Oh nem me fales deste meu capítulo, tive para matar o blogger -.- não me punha espaços eu corrigia e depois acabou por me apagar umas frases e eu de tão enervada que tava meti como calhou :/

Rita Farinha disse...

adorei

Rita Farinha disse...

oh, de nada, gosto mesmo das tuas historias (:

Hospicio da tia Luh -- By Pri disse...

oieee tem selinho pra ti no blog!
bjos

Catarina disse...

graciasss ;)
es uma querida

Gonçalo disse...

Epa continua tão bom *_*

Escreves mesmo bem! :D

bjo*

Secretely disse...

E se eu disser que gosto? :P muitooo! mesmo *

ac disse...

Mais uma parte que me deixou sem palavras , está excelente !
um dia eu vou conseguir conseguir demolir um coração de pedra com um dos meus textos :D
Obrigado minha querida , beijinhos *

fátima pereira! disse...

ai é mesmo querida, ainda bem que as minhas já acabaram!
muito obrigada para ti também :)
beijinhos*

ac disse...

eu não acho , prendeu-me bastante a minha atenção ... mas também prende sempre :')
espero bem que um dia consiga mesmo isso *-*

Cláudia disse...

Sabes bem que gosto dos teus textos :)

Um beijinho, linda <3

ac disse...

Ó tu és um amor , mesmooo !
quando vais publicar a próxima parte ? *-*