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terça-feira, 20 de setembro de 2011

Setembro - Advento (Cap. II)


- Voltaste a ir para o cume da montanha, não foi? - inquiriu a minha mãe passando a sua mão quente na minha fronte latejante. 
Assenti com a cabeça e continuei a beber o fluído leitoso que a minha mãe me obrigava a beber todas as manhãs do mês de Setembro.
- Eu bem disse que ias ser chamada à tua responsabilidade, Ben. - vociferou enquanto dava uns pontos na saia esburacada de Angie.
- Eu não fazia ideia das consequências, mãe. - relembrei caminhando velozmente até à lareira para me aquecer. - Para além do mais, eu era apenas uma criança inconsequente que nunca levava a sério aquilo que lhe era dito.
Ela sorriu e cortou a linha com os seus dentes brancos.
- Lá isso eras... teimosa e inconsequente. Mas essas qualidades nunca perdeste. - mencionou, dizendo "qualidades" com sarcásmo.
Bebi um trago do remédio caseiro para as dores de cabeça fazendo um esgar. Demasiado acre para o meu paladar. Continuei a fixar a madeira em combustão relembrando a aldeia em chamas e os corpos.
- Ben! Benedith! Benny! - ouvi uma voz como se estivesse no fundo de um túnel. Abruptamente acordei e dei conta que a minha mãe me chamava. - Vai descansar. Não deves ter dormido o suficiente. - aconselhou pousando a sua mão no meu ombro. 
Suspirei e olhei-a com um sorriso.
- Se eu for descansar a minha mente vai-me fazer levar ao meu passado e não é isso que quero. Prefiro manter-me num estado catatónico a ver-me novamente embrenhada naquele sonho que já bem conheço. 
Ela voltou a sentar-se na sua cadeira de embalar, envolta de farrapos para a proteger do frio do que se fazia sentir. Vendo-a assim, lembrei-me da antiga Ariel, com os cabelos numa revolta total, negros, assemelhando-se a um derrame petrolífero que contrastavam com os seus olhos num subtil tom de caramelo líquido e com a sua pele alva. Mas, a Ariel recente, não passava de uma senhora com os seus quarenta e quatro anos, com os cabelos curtos, maioritariamente brancos com uns olhos de cachorro triste chorando pelos cantos a desgraça que se tinha abatido pela família, na qual eu era a proprietária mor. De certa forma, sentia-me responsável pela desgraça e ainda não tinha conseguido atingir o meu objectivo de tentar arranjar uma forma de me livrar daquela maldição. Por causa de mim, Angie era obrigada, durante o mês de Setembro, a dormir no curral juntamente com os animais que possuíamos. 
- O que foi, Benedith? - inquiriu a minha mãe vendo que a fixava.
- Nada. - respondi. - Vou apanhar lenha nas redondezas. 
A minha mãe levantou-se e colocou-me na mão uma pulseira que se assemelhava a um emaranhado de fios coloridos. Aceitei-a, enterrando-a mais tarde no manto branco que me suportava. 
Durante alguns quilómetros apenas o som imperativo dos meus sapatos a entrarem em contacto com a neve se fazia ouvir. Quando galhos secos caíam, eu estremecia mas continuava a minha marcha até à clareira onde estava a maior parte da lenha que Angie havia conseguido juntar para acender a lareira. 
O vento soprava de Norte trazendo consigo um vento trespassante que me fazia cerrar a minha capa negra e colocar o capuz. Caminhei durante vários minutos até chegar ao local. Quando lá cheguei apressei-me a açambarcar o maior número de lenha possível no meu regaço e num saco de pano que havia trazido. Inopinadamente comecei a ouvir passos. Deixei cair toda a lenha que estava a monopolizar e olhei à minha volta mas não conseguia ver nada para além do típico manto branco e os abetos que me circundavam e, porventura, um corvo que teimava em emitir aquele seu som usual que me causava calafrios. O som tornava-se inexoravelmente mais próximo e senti algo familiar naquele som grave: cavalos. A minha respiração estagnou e arregalei os meus olhos na falsa expectativa de vislumbrar melhor. O maldito corvo rasgava o céu cinzento e continuava a circundar-me, fazendo-me pensar que algo mau se ia abater sobre mim justamente naquele dia em que não havia obedecido à minha mãe. 
O som do cavalgar do cavalo parecia vindo de todos os lados fazendo-me girar vezes sem conta, até que, como que por magia, um enorme cavalo árabe, mais negro que a minha capa se interpôs entre a minha passagem. Olhei-o com temor até que o cavaleiro que o comandava, segurava firmemente as rédeas não o deixando atingir-me. Um homem com os cabelos e olhos claros olhava-me com surpresa. Recuei até que tropecei numa raiz exposta.
O homem desceu do cavalo, amarrando-o a uma árvore. Pude observar que era bastante alto comparado com os homens da aldeia onde eu vivia. 
- Afaste-se! - vociferei, fincando as palmas das minhas mãos na neve. 
Não me obedeceu, pisando a neve com as suas botas metálicas.
- Não preciso de ajuda! - bradei, levantando-me num ápice e colocando a mala ao ombro.
- Não ia ajudar. Apenas ia certificar-me que estavas bem.
Semi-cerrei os olhos e contornei-o, descendo a encosta ainda trémula e confusa.
- Ei! - bradou. - Espera! Não queres ajuda? Isso parece pesado. 
Não olhei para trás continuando o meu caminho até que senti novamente o chão estremecer com as cavalgadas fortes daquele quadrúpede negro. 
- Deixa-me ajudar-te. Interpreta como forma de compensação pelo susto. - Sorriu.
Com mau feitio, recusei piamente e continuei a andar. Ele acabou por ir embora com o seu amigo negro que me provocava uma corrente de memórias que eu não queria recordar.
Mal cheguei a casa atirei a minha capa contra uma cadeira, coloquei lenha no lume e corri até à minúscula janela do meu quarto e vi o mesmo homem especado a uns escassos metros a vislumbrar a casa. Havia-me seguido. Cerrei a janela e procurei Angie. Ela saberia o que fazer. 

11 comentários:

RuthPacheco disse...

:O fiquei super curiosa! O que será que ele queria? Quero mais. *-*

Cassandra disse...

Eu fiquei foi curiosa pela razão pela qual Angie dorme no curral, isso simm me despertou a atenção e a maneira como o rapaz entrou, talvez esperada mas não esperava a sua simplicidade e talvez, simpatia!
Quero mais, dear Hayley ;)

Cris disse...

Pois, eu também tenho um grande fascínio por músicas desses anos! Adoro!

Obrigada minha querida ;)
beijocas :p

Cris disse...

Deixa-me dizer-te que esta música que tens aqui no blog é mesmo gira! :D

Ziza's N.E.M. disse...

1º facto : mês de Setembro faço anos x)

2º facto : gostas de anime ?

3º facto : Era engraçad se fossem os dentes amarelos na alínea 10 xP

4º facto : A Ariel faz-me lembrar a pequena sereia .

5º facto : imagina se se o remédio caseiro fosse absinto ? x)

6º facto : este texto também fez-me lembrar do filme do corvo e o zorro por causa do cavalo .

Por fim e como um "Olá" sem disparatar, gostei especialmente dos últimos parágrafos deste capítulo, o medo que transpareceu aquele cavalo negro.

Christian V. Louis disse...

Esta história está repleta de mistérios, gosto disto. É muito satisfatório ler histórias que não sáo óbvias e dão aquele desejo de "quero saber mais, o que vai acontecer!".
E é assim que está o desenrolar deste teu novo projeto. Tenho curiosidade em saber porque é culpa de Ben tudo o que se passou, porque Angie tem que dormir no celeiro e quais são as reais intenções deste homem que surgiu a cavalo.
Está escrevendo rápido. Será quantas vezes por semana? Quero acompanhar direito, não quero perder ou acumular capítulos.

Ziza's N.E.M. disse...

Gosto da parte do "deixa o teu comentário" ... Sabes dar realmente valor à escrita e tens cabecinha . é dia 28 xD Muitas vezes refiro-me a essa data nos meus posts ultimamente .

Para mim, o Elfen lied é aquele que simpatizo mais... Mas há outros claro que guardo também o seu eterno interesse . E para ti ?

lá está o nome Ariel lembra-me a pequenina Sereia xD

O Corvo é um filme de um tipo que ressuscitou basicamente dos mortos, porque é tipo os vampiros. Em vez de ser morcego nas horas vagas, é corvo x) A trama toda desenvolve-se a partir de uma vingança, um dos maus da fita é aquele que é protagonista da série do Angel.
O Zorro, com certeza sabes a história x) e o cavalo preto da tua história diz tudo, porque o zorro aparece sempre em momentos de grande expectativa , mas no caso da tua história é de forma arrepiante e não como um alívio em vê-lo .

Ziza's N.E.M. disse...

não posso dizer que não discordo contigo, também faz-me impressão quando respeito o post que comento e a outra pessoa resume-se a comentar apenas o que disse no seu blog. Mas caada um sabe de si... =S Prefiro o bleach que também iniciou-se na época naruto. O x-men versão anime ainda não vi, mas tenho sempre aquele fascínio pelo original, prefiro os que deram na sic da marvel. É esse senhor sim, acertas-te, gosto deve como actor.

Então vamos lá ver como será esse final. =P e bim dia alegria

Ziza's N.E.M. disse...

é que é mesmo a paavra certa, egoísta. Também é da minha, era uma agarrada e ainda continuava se voltava a dar tal como o fantastic four e o spiderman do tempo do buréré. Dá na sic radical à semana e de manhã ao fim de semana as repetições para quem não viu, tens que ver acredita, o bleach tem piada. Dizeres que o Batman, a liga da justiça e o spiderman é anime , fazes mal x) mas se dizeres que faz parte da dc comics e da marvel sim, mas é verdade o mercado da marvel já foi vendido para a disney. Mas sim é verdade, há séries da marvel que já são animes, não tenho a certeza é se é o X-Men e o Fantastic Four como um deles dá no Cartoon Networks.

Como ele é como pessoa ? Também não tenho razões de queixa em relação ao seu reportório do mndo da representação.

Cármen disse...

De cada vez que aqui venho me surpreendo mais...
Tu és uma escritora cheia de criatividade, paixão e originalidade - e isso é tão bom!
E sempre que escreves deixas-me intrigada... como disse o Christian, esta história está cheia de mistérios e intrigas...
Estou apaixonada por esta história.

Laísa C. disse...

Ai, agora fiquei curiosa!O que vai acontecer agora, depois do misterioso aparecimento do cavaleiro e seu súbito interesse? Continuo acompanhando..