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domingo, 25 de setembro de 2011

Setembro - Viagem (Cap. III)


Atravessei o renque de abetos num ápice e entrei no celeiro onde pairava no ar o típico odor de palha e animais. O som que estes produziam era quase ensurdecedor e eu questionava-me como Angela conseguia suportar tamanho alarido e dormir. No entanto, mesmo com aquele som insuportável de cavalos a relinchar, galinhas a cacarejar e cães a latir, Angie dormia profundamente com apenas um cobertor de lã sobre o seu corpo escultural. Vendo-a assim, a dormir tão profundamente e com um leve sorriso no semblante, tive lástima em a acordar mas tinha de o fazer. Pousei a minha mão sobre o seu ombro e abanei-a até ela abrir os seus olhos cinzentos e me fixar. Espreguiçou-se e os seus ossos estalaram devido ao facto de ter permanecido demasiado tempo encolhida.
- O que fazes aqui, Ben? - inquiriu enquanto se elevava e compunha os seus cabelos negros.
Hesitei.
- Alguém anda a perseguir-me.
Angie olhou-me com o sobrolho carregado e franziu o seu nariz mas a calma continuava estampada no seu rosto. 
- E... sabes quem é?
- Não faço a mínima ideia. Apenas apareceu do nada. - informei soltando um suspiro. - Seguiu-me até casa e, com sorte, ainda aí está.
Angie açambarcou a sua arma de fogo e dirigiu-se para o exterior com determinação. Arrependi-me de imediato de lhe ter dito. Mal saiu do celeiro, com a sua voz forte e descontraída, clamou:
- Aparece independentemente de onde te escondas.
Aprontou a arma mas mantendo-se sempre demasiado atenta. 
Os vizinhos empoleiraram-se nas janelas vislumbrando o cenário e perscrutando por que razão Angie estava com uma arma, uma vez que era bastante inusual uma mulher possuir uma. Eu, cobarde como era, mantinha-me atrás dela perscrutando com o olhar cada recanto da floresta que se exibia mesmo em frente aos meus olhos. Alguns minutos depois e constatando que o homem havia desaparecido, ela baixou a arma e colocou a sua mão alva e gélida no meu ombro.
- Parece que desta teve sorte mas não hesites em me dizer quando alguém se atrever a tocar-te! 
Quando ela girou a sua cabeça em direcção às outras casas, todos colocaram as suas cabeças no interior cerrando-as, não fosse ela atirar sobre eles. Angie sempre fora uma mulher de armas. Desde que me lembrava dela, via-a com um interesse enorme em manuseá-las, acertar em alvos, como aves e a usá-las destemidamente. Tinha herdado a pontaria do pai enquanto eu não tinha herdado nada dele. 
Segui-a para o interior onde ela se dirigiu para a cozinha com a mesma velocidade de uma bala. Sentou-se à mesa e bebeu e comeu avidamente. 
- Eu tenho a sensação que ainda vais-me dar muito que fazer, Angie. - murmurou a minha mãe sentada a um canto da cozinha. - Sabes como as pessoas são, o ser humano em geral é cruel e demasiado complexo para uma mente como tu entender. Não é de todo bom mostrares os teus dotes com armas. Sabes perfeitamente que não acabou e que te vão chamar para a linha da frente assim que tudo aflorar.
Angie encolheu os ombros e sorriu.
- Morreria por uma causa nobre. Sabes que os seres humanos não me assustam. Não são seres tão cruéis e nem tão desdenhosos como os descreves. - fez uma pausa, mordiscando um pedaço de pão. - São seres que são bastante complexos e previsíveis e tu sabes isso melhor que ninguém. 
- Precisamente por o saber é que te estou a avisar. - continuou, olhando Angie furtivamente.
Li nos olhos de ambas um certo impasse e apressei-me a arranjar um assunto para colmatar aquele ambiente pesado.
- Angie, não queres que vá eu dormir esta noite para o celeiro? - inquiriu, pousando a minha mão sobre a sua.
- Não. Eu gosto de lá estar e sabes que não é obrigação nenhuma. Ao contrário do que possas imaginar, lá é muito mais quente que o meu quarto e de Verão é mais frio, o que é bastante bom. - Sorriu. - De qualquer das formas, acho que não conseguirias pregar olho, visto que tens o sono muito leve.
Sorri e concordei.
Após aquela conversa acabamos por ir ajudar um vizinho a construir uma casota para o seu novo companheiro, Ulisses.
A noite inexoravelmente se abatia sobre a região acompanhada por uma sublime bruma que me fazia arrepiar. Contrariamente aos outros dias, a sonolência e o cansaço abatiam-se sobre mim fazendo-me bocejar com a mesma frequência de um compasso musical. Acabei por deitar-me na minha cama e adormecer de imediato mas por pouco tempo. Novamente aquelas imagens precisas e contundentes absorviam a minha mente produzindo uma dor dilacerante. O meu corpo ergueu-se novamente, estendendo o braço morosamente para agarrar a capa negra. No mesmo estado de transe, subi a montanha deparando-me com aquele manto de sangue que eu tinha a perfeita noção que era imaginário. Depois de acordar daquele estado e de ver que estava no meio da floresta repleta de nevoeiro, comecei a ficar com medo. Por norma nunca o sentia mas naquele dia algo me dizia que não iria ser como das outras vezes. 
Olhei ao meu redor procurando o infligidor de receio em mim mas não encontrei. Cerrei os olhos enquanto embrulhava a minha capa no meu corpo até que vi um vulto negro atrás de mim. Nem sequer tempo tive de bradar. A minha boca foi tapada por uma mão que calçava uma luva negra e o meu corpo foi de imediato imobilizado e atirado para uma carroça velha e esburacada. Os meus braços e pernas eram amarrados com uma velocidade alucinante por mais de uma pessoa e, finalmente, a minha boca foi tapada por um pano de linho imaculado. Apesar de me debater contra aquelas cordas que me prendiam, não conseguia desprender-me. Tentei mirar cada rosto mas a luminosidade era escassa e os rostos não se deixavam descobrir. Apenas ouvi uma voz jovem e sedutora que ordenou:
- Não a magoem. Quero-a intacta e em plenas condições para sobreviver. Nada de me desautorizarem.
As cabeças assentiram e o relinchar do cavalo anunciou que iríamos partir e eu não fazia ideia para onde. 

17 comentários:

Riga/V-1-Boy disse...

bem confesso que entrar a meio da historia é complicado, e pelo que já vi para tras, tu tens uma grande imaginaçao para ir fazendo estas historias.

continua, eu vou passando e dando a minha opiniao

Riga/V-1-Boy disse...

bem, entao vou seguindo isto.

btw, se quiseres podes ir seguindo o meu estamine e vamos trocando ideias lá ou nos posts de lá, faz mais sentido do que irmos respondendo nos posts um do outro.lol

Cris disse...

estou a gostar tanto desta história!
será que o homem da voz jovem e sedutora era o tal homem alto que a seguiu? :o

aii quero mais quero maaaais!

Gonçalo disse...

rapariga tu não te cansas de escrever tão bem? eu estou sempre a dizer-te isto xD

mas tu consegues exprimir-te muito bem e transmites muitas sensações :)

Cris disse...

ahahah pois é que eu estou muito curiosa e ansiosa pelo próximo capítulo! Tu escreves lindamente!! :D

Beijinho grande :*

Su disse...

adorei *

(in)felicidade disse...

se é isso que pensaste ao leres os textos acretaste em cheio :p eu adoro ciências e tudo o que esteja relacionado e acho que realmente fortalece o texto certas metáforas e/ou comparações e fico contente que aches o mesmo. mas por vezes simplesmente são ideias que me vêem à cabela e trato logo de escrever e depois simplesmente junto as ideias dando coisas estranhas daquele tipo xd :b
os teus textos também são bons :b és de línguas ?
beijinho.

(in)felicidade disse...

posso-te considerar como a minha bruxinha ? (a) no bom sentido claro :o ahahahaha :b
de nada, de nada mesmo (:

(in)felicidade disse...

a tua poção está correcta bruxita, não há qualquer tipo de erros ´:b ahahahahaha :p
estás em que ano ? ( isto se ainda andas na escola s: )

Su disse...

mas quando menos esperares vais ter querida

(in)felicidade disse...

e que idade é que tens ? :)

Christian V. Louis disse...

Adorei este capítulo!
Angie é uma personagem feminina de personalidade forte e gosto destas personagens. Não fica clichê, como a Bela (lembrei-me agora do vídeo Crepúsculo de Felipe Neto, ahaha), mulheres fortes são fascinantes!
Você gosta de torturar o leitor. ahaha. Agora me pergunto, será que foi o homem do cavalo negro que a sequestrou, certamente que sim, porém, como sei que não escreves coisas óbvias, tudo se pode esperar.

Gonçalo disse...

oh la estas tu a dizer que sou exagerado xD

(in)felicidade disse...

qualquer dia começo a ter medo das tuas bruxarias :o ahahaha (a)

Cris disse...

Obrigada pelas melhoras minha querida, eu já estou boa outra vez! Melhor que nunca! ahaha

Estarei à espera então! :DD e não foi nada exagerado, aliás tens mesmo que publicar esses livros! Eu compraria todos eles! :D

Cármen disse...

"- Angie, não queres que vá eu dormir esta noite para o celeiro? - inquiriu, pousando a minha mão sobre a sua."
"Inquiriu" ou inquiri?
Lindo, como sempre. Porém, não tão breathtaking como o capítulo II, mas serve para desanuviar... E, não interessa, está lindo. E nem me venhas com tretas do género eu-não-acho-que-esteja-assim-tão-especial. Está lindo.

Laísa C. disse...

Irei aguardar com ansiedade o próximo capítulo para saber o que aconteceu com nosssa Ben e quem são os homens que a emboscaram...
Só uma dúvida,Ben era sonanbula? Seus sonhos são mais que realidades? Pois eu entendi que ela estava sonhando e de repente se viu numa floresta...corrija-me se eu estiver errada...mesmo assim está ótimo a narrativa..

Parabéns!