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sábado, 1 de outubro de 2011

Setembro - Jason (Cap. V)


Mal cheguei ao meu quarto, retirei do baú disposto aos pés da minha cama a maior sacola que eu tinha colocando nela tudo o necessitaria para a viagem. Não sabia para onde ia, talvez caminhasse em direção a nenhures mas uma certeza eu tinha: ali eu não podia permanecer ou desencadear-se-ia novamente uma guerra onde eu iria ser a causa principal. 
Alguém fez embater as nós dos seus dedos na porta entrando mesmo sem eu autorizar. A minha mãe olhava-me com os olhos vermelhos, repletos de lágrimas que se preparavam para cair em catadupa e correu para mim abraçando-me, acontecimento que não se dava desde a morte do meu pai. Eu percebia toda a sua tibieza, a sua falta de humor e ânimo e mesmo ela não sendo a típica mãe que sofria exteriormente nem dava todos os afagos, eu amava-a tal como ela era e nunca deixaria de ser o exemplo que eu sempre tomaria mesmo sendo eu muito mais sentimentalista que ela.
- Vai, Benedith. Vai e não voltes. Sabes que por mim ficarias mas tu não podes correr o risco de ser encontrada e muito menos podes fazer parte dos planos de quem nos quer mal. - disse por entre lágrimas. - Não penses em nós. Em breve estaremos também a salvo e, quando for oportuno, vou-te encontrar.
Larguei-a e mirei o seu rosto já enrugado e descolorado repleto de lágrimas.
- Tu sabias, não era?
- Desde sempre eu soube que tudo aquilo que eu iria construir se iria desfragmentar. Por alguma razão eu sempre abjurei qualquer sentimento por um homem. - fez uma pausa. - Mas quando algo tem de acontecer não há nada que possas fazer e eu sabia que por muito que fugisse e que abjurasse, eu iria cair nas garras desse matreiro sentimento e sempre soube que tudo se iria desmoronar como um baralho de cartas exposto a uma brisa impetuosa.
- E o que vês no meu futuro? - inquiri.
Perscrutou-me o olhar como se estivesse a entrar na minha mente e respondeu:
- Encontrarás o teu caminho. Podes andar perdida mas vais encontrá-lo.
Franzi o sobrolho e continuei a abarcar as minhas roupas. Angie chegou ao meu quarto com um olhar alienado.
- Eu não acredito que a vais deixar partir, mãe! Ela não pode! Já pensaste sequer que alguém lhe pode fazer uma emboscada? E por acaso já soubeste da tempestade que se avizinha inexoravelmente? - questionou exacerbada. 
- A tempestade ser-lhe-á favorável. - comunicou e olhou de novo para mim. - Sairás daqui a trinta e três minutos. Abnara não imagina que eu sei bastante mais que ele. - disse com orgulho. - E tu, Angie, acalma-te. Isto tem de ser feito.
Ela saiu disparada do quarto.
- Vai-te preparando. 
O nervosismo absorvia-me. Olhei para o exterior e flocos de neve caiam graciosamente no manto já formado e um forte vendaval fazia-se sentir. 
O tempo passou num ápice e a minha mãe chamou-me poucos minutos antes.
A aldeia estava deserta ouvindo-se apenas o som do forte vendaval que se abatia sobre a região. Pouco antes de partir e de prometer que iria fazer de tudo para me manter viva, a minha mãe colocou-me na mão o mesmo colar que havia dado a eu pai naquela guerra. Coloquei-o de imediato no pescoço sem fazer qualquer pergunta e parti em direção à floresta. A tempestade começava a intensificar-se e a certa altura deixei de conseguir vislumbrar qualquer abeto pelo que me esbarrei imensas vezes contra eles. Eu não sabia onde iria parar ao tomar aquele caminho. Nunca me tinha afastado muito de Mystic Nights II. 
O vento trespassante e a neve faziam o meu corpo tremer e caminhar sobre aquele manto levava-me à exaustão até que me deixei cair e apercebi-me que mais umas horas exposta àquele cenário determinaria a minha morte. 
Abruptamente comecei a ter alucinações. Vi Angie correr para mim com o seu sorriso branco e perfeito. Vi Ulisses aproximar-se de mim para afagar a sua pelugem macia e espessa e, bizarramente, aquele homem que eu tinha visto à dias. Arregalei os olhos na esperança de a alucinação cessar mas apercebi-me que a imagem não era fruto da minha mente. Afligi-me de tal modo que comecei a recuar ao ritmo de uma tartaruga marinha. O som das suas botas a chocarem com a neve fazia-se ouvir, bem como o relinchar de um cavalo ao longe, o que me levou a ganhar forças para fugir. Continuei a recuar até que me vi com forças para começar a correr. 
- Ei! Espera! Eu não te vou fazer mal! - bradava aquela voz.
Olhei para trás e vi que ele corria atrás de mim e estava prestes a apanhar-me. Senti os seus braços rodear-me a cintura e a levar-me a colidir na camada imaculada. Senti todo o seu peso em cima do meu corpo.
- Sai de cima de mim! - bradei, empurrando-o com furor.
- Desculpa, mas tu estás nas minhas terras. Tenho direito de as defender caso sejas uma ameaça. - disse, colidindo ao meu lado.
Levantei-me e mirei-o. Era bastante mais alto e novo do que eu pensava. A sua face não mostrava ter mais que vinte e cinco anos.
Sorri sarcasticamente.
- Eu? Uma ameaça?
- Não serias a primeira nem a última. - avisou enquanto apanhava a minha sacola de pano. - Mas, irrevogavelmente não és uma ameaça. - Sorriu. 
Mantive-me impávida.
- A conversa está ótima mas eu preciso de continuar a minha caminhada. - anunciei.
Novamente ele sorriu como se eu estivesse a dizer alguma piada.
- A tua caminhada terminou aqui. Eu sei por que razão vieste e sei quem tu és. 
Franzi o sobrolho. 
- Eu chamo-me Jason. 
- Benedith. 
Segui-o. A minha mãe disse que eu encontraria um caminho mas não disse se iria ser ajudada ou não. Provavelmente Jason mostrar-me-ia qual o caminho para eu seguir... ou não. 

P. s Queria aproveitar para agradecer aos meus 251 seguidores por me seguirem! Queria ainda agradecer à Inn Gray por me eleger "Maestro of the Month", confesso que não estava à espera! :D E obrigada a muitas outras pessoas que me dão as suas palavras, as suas críticas e me ajudam! You´re the best!

16 comentários:

R* disse...

Muito obrigada! Só lês se quiseres, claro. Não tens obrigação de retribuir leituras ou qualquer outra coisa. Eu leio o teu blog porque gosto imenso, obviamente. :)

Cassandra disse...

O mistério que envolve esta história cativa-me ainda mais para a ler. Eu só quero mais capitulos :o
Tu sabes bem que gosto imenso deste registo e tu ao escrevê-lo, na tua maneira tão própria , fica ainda mais fantástica! Espero que estejas a gostar tanto como eu (tu de a escrever e eu de a ler)
Ansiosa pelo próximo capitulo.
agora sendo curiosa, o Jason vai acabar por tirá-la do seu caminho, acredito mas algo me diz que ele vai acabar por mostra-lhe o caminho!

beijo, Cassandra
ps: Lembras-te do 'Nem perdida nem achada'? Dei-lhe continuação!

Gonçalo disse...

Outra historia que esta a ficar super interessante :D
Btw tu mereces esses seguidores e muitos mais :D

Christian V. Louis disse...

Este foi outro texto que não senti o tempo passar e isto é ótimo sinal, sinal que estás no caminho certo, não está cansativa a leitura.
Muito interessante a despedida da mãe de Benedith, não foi um dramalhão mexicano como sempre se esperam das despedidas. ahah. É isto que gosto em seus escritos, sabes onde e como deve colocar o drama, sem exagerar.
O retorno do cavaleiro misterioso é bem intrigante, fica aquele mistério de querermos desvendar... será ele o caminho ou a perdição?
Muitas questões povoam-me a mente.
Tal como Cassandra, quero mais capítulos! :)
Parabéns pelos 251 seguidores, se o tens é porque mereces e também pela honra que vi no blogue da Inn, mais que merecida.

maryanne. disse...

olá Hayley. adoro esse "teu" nome. adoro a forma como escreves. vi o teu blog divulgado no blog da inês (Inn Gray). ela dava boas informações sobre este teu mundo. resolvi seguir o conselho que ela dava em vir ver o teu blog. tenho um grande fascínio em ler histórias, por isso não li o que encontrei publicado à primeira no teu blogue, decidi carregar em Minhas Histórias para ver os teus "rascunhos", se é que me percebes. acho que nunca li coisas tão lindas, tão bem escritas, se é que me estou a "expressar" da forma certa. amei completamente. ainda só tive tempo de ver a história do "Jornalista", mas mesmo assim, amei. vou começar a ler a segunda história e tenho a certeza que vou adorar. continua assim, tens muito talento :)

maryanne. disse...

e já agora, a resposta ao comentário que fizeste no meu blogue ...
ainda bem que gostaste, e sim é bem verdade que às vezes é preciso deixar as pessoas ou um lugar, mas eu acredito que a nossa amizade é demasiado forte para se desmoronar.
obrigada eu :)

maryanne. disse...

eu é que fico muito agradecida ! :) é óbvio que vou gostar, tenho a certeza disso. obrigada pelo apoio Hayley (:
já agora, gostas muito do estilo britânico não é verdade? :3

maryanne. disse...

és exatamente como eu. não sei se tal como eu, tens um motivo para isso :p adoro esse teu estilo, assemelho-me muito a ti ahah

Sofia Duarte disse...

ahah, por vezes as coisas mais estranhas são as que ficam melhor :)

Não tens de agradecer querida, o teu blog é lindo*

Laísa C. disse...

Olá Hayley,

antes de mais nada permita-me elogiar sua escrita, foi bom ler este capítulo embalada ao som de What the Water Gave me. Gostaria de ser mais frequente aqui e poder acompahar todos os capítulos que são muito bons pelo que leio...

E quero lhe agradecer por comentar em meu blog. Fico feliz que tenha gostado da sinopse de LAGOENA e queira acompanhar...O primeiro capítulo sai no próximo dia 04 no site wwww.bookserie.com.br

espero vc por lá!

maryanne. disse...

hummmm, és mais ou menos como eu :p gosto que me tratem por maryanne mesmo por isso. ahah. ainda bem :)

Cris disse...

Ainda bem que gostaste, mas cá para nós eu tbm nao gostava nada de ter um marido com um nome igual ao meu 0.0

Depois do almoço tenho que vir aqui ler o 5º capítulo, já ha algum tempo que aqui nao venho, nao posso perder o ritmo!! :DD

Cris disse...

Aiii!!! Estou a adorar a adorar a adorar! Algo me diz que o Jason vai ser muito importante para a Ben. Estou curiosa por saber no que vão dar esses dois! :p
hehe :DD

Cris disse...

ahaha! A sério?? Óptimo!! Quero então ler mais! :DDD

RuthPacheco disse...

Adoro esta história! Cada vez mais, a sério. Desculpa só vi comentar agora, mas a preguiça foi maior u.u eu quero saber quem é esse Jason... mas ele não parece ser mau. Talvez ajude a Bennedith, ou a leve ao encontro do que está a fugir. Adoro esta história. :D
Fico à espera de mais. Um beijo grande!

Cármen disse...

Só mais um! Só mais um!