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domingo, 27 de novembro de 2011

Setembro - Conclusões (Cap. XI)

Brandamente as chamas sucumbiram das minhas veias e a estabilidade de outrora voltou a reinar no meu corpo. Finalmente, após horas sem conta de extrema agonia, as chamas fulminantes que me faziam querer morrer deram lugar a uma vontade enorme de me abastecer de água. No entanto, sentia-me fraca para abrir os olhos e despertar daquele estado expectante em que, um tal de Marcian ansiava que eu sobrevivesse. Tentei mover os meus braços mas o meu cérebro parecia não reconhecer a mensagem que lhe estava a ser enviada. Ainda assim, não me mostrando convencida,  forcei-me a reagir.
Mas nada. Tudo em mim parecia fora do seu devido lugar. 
Tentei, em vão, enviar uma mensagem mental a Jason mas ele parecia não estar a recebê-la. Exasperada, tentei todas as formas possíveis de me desenvencilhar daquele estado inerte. Doía-me o corpo de ter estado tanto tempo deitada e sentia a minha pele gelada. Abruptamente, senti uma luz embater nos meus olhos e ouvi uma voz rouca pronunciar, em sumério, umas palavras cujo significado era desconhecido para mim. 
O sangue paralisado nas minhas veias voltou à sua atividade e a temperatura do meu corpo subiu gradualmente até conseguir mover ligeiramente os dedos e a senti-los. Em alguns minutos fui capaz de abrir as minhas pálpebras e, pela primeira vez em horas, deparar-me com um teto imaculado e alto.
Vagarosamente rodei a minha cabeça na direção da voz masculina e rouca e vislumbrei Jason especado ao seu lado mirando-me com consternação excessiva. Olhava-me como se eu tivesse ressuscitado dos mortos. 
Tentei levantar-me mas estava ainda em processo de adaptação e de retorno à minha forma.
Jason colocou-se num ápice ao meu lado e envolveu as minhas mãos nas suas. A sua respiração ofegante fazia-se ouvir a milhas e eram-me demasiado ruidosas. O seu peito movia-se freneticamente, mas não justificava o som imperativo que os meus ouvidos captavam. Franzi o sobrolho e cerrei novamente os olhos.
- Estás bem, Ben? - interpelou, passando a palma da sua mão suave pela minha fronte. 
- Por-por que é que estou a ou-ouvir demasiada-amente bem para o meu gosto? - balbuciei.
Jason olhou para o grande homem de cabelos grisalhos e compridos num desalinho total. Ele aproximou-se de mim e perscrutou os meus olhos. Não retirando qualquer conclusão, afastou um pouco da renda que cobria os meus braços e peito e disse-lhe para olhar para onde ele estava a apontar.
- Então isso quer dizer...
- Isso quer dizer que caíste numa armadilha, Jason! - bradou Marcian perdendo a paciência e levando as mãos à cabeça. - Sean pregou-te outra partida. Filho da mãe deveria ter sido morto mal a mãe o tivesse dado à luz! - vociferou, quezilado. - Aposto que até foi ele que matou a própria mãe após o parto!
Jason levantou-se e fixou com curiosidade o semblante enrugado de Marcian.
- Isto quer dizer que ela se tornou numa de mim? - inquiriu, num tom de voz onde predominava o desapontamento.
Marcian suspirou e baixou o olhar.
- Não, ainda não mas nada garante que não se torne. - explicou enquanto se dirigia a mim. - Não era suposto ela ter morrido e renascido. Já lidei com casos do género mas nunca com alguém já detentor de mil e um poderes. 
 Apressou-se a procurar na imensa estante que se estendia um livro. Tirou-o da respetiva prateleira sentou-se num banco de madeira de frente para a luz para ler melhor. Jason olhou-o com confusão, parecendo cogitar.
- Tu disseste que sabias o que estavas a fazer, Marcian! - bradou, profundamente incomodado.
- E sabia. Tecnicamente deveria ter resultado. Parece que ocorreu uma espécie de mutação parcial que lhe aguçou os órgãos dos sentidos.
- Ou apenas fez com que eu os descobrisse mais depressa. - sugeri, conseguindo, finalmente caminhar pelo meu próprio pé.
Ambos me olharam como se eu estivesse senil. Marcian lembrou-se de inspirar e enterrou a sua cabeça nos livros.
- Ela está certa, Jason. Pode ter ocorrido um avanço nas suas capacidades, ou seja, o veneno que entretanto foi impossível de dissolver pode ter-se entranhado ainda mais e despoletar uma reação química que fez com que os seus poderes aparecessem muito mais depressa do que era suposto. - disse com excitação. - Temos de testar!
Revirei os olhos e apressei-me a dizer que cada coisa tinha o seu tempo e da última vez que tinha sido testada, tinha sido traída.
Jason colocou-se ao meu lado e segurou-me as mãos. Marcian, por sua vez, ficou especado no mesmo local onde se encontrava com os braços cruzados sobre o seu peito e sobrancelhas erguidas.
Deves pensar que eu sou um íncubo como Sean... Ainda te ajudo e assim me agradeces?! Se soubesse, teria deixado com que morresses de vez em vez de te trazer dos mortos...
- E eu agradeço-te por me teres salvo, Marcian. - disse, na tentativa de amainar o seu mau génio. - Sei que não és como Sean.
- Mas eu não disse nada! - resmoneou, com pavor.
Ó meu Deus! Não me digas que ela agora lê pensamentos!
Claro... Agora lia mentes, tal como Sean fazia e tinha lógica, dado que eu era semelhante a ele.
Jason ficou petrificado a olhar-me com terror e expetativa. Apressei-me a sossegá-lo.
- Não te preocupes, ainda não consigo ler os teus mas há mentes muito ruidosas nesta casa.
Marcian sorriu e denotei um esforço acrescido para não pensar em absolutamente nada.
- Eu quero aprender a controlar e a fazer com que as mentes sejam muito menos ruidosas. Eu sei que é possível e neste momento eu sinto-me um absorsor de frequências. Várias vozes estão dentro da minha cabeça... Nenhuma me parece ofensiva. - continuei.
Marcian cogitou e fez sinal para nos dirigirmos para o exterior.
Aquela terra, cujo nome era desconhecido, era bastante mais resplandecente que Redemption Hills embora não tivesse o mesmo encanto que Mystic Falls II. A floresta densa e imponente eleva-se a Sul repleta de biodiversidade. Ali o ar parecia mais puro que Redemption Hills que quando comparada com aquela terra parecia as trevas.
As pessoas caminhavam lentamente com crianças pelas mãos e com as caudas dos vestidos a rasparem o chão poeirento. Outras, portavam sacos e mais sacos para um ponto específico que, segundo episódios anteriores, pareciam dirigir-se para uma feira.
Preciso de vender estas sementes...
Se ele descobre que vim à feira sem ele, estou morta!
Espero que não dê falta do dinheiro que retirei para comprar um corpete novo.
Anseio que ele esteja lá...
Como um ato reflexo, apressei-me a tapar os ouvidos sem surtir qualquer efeito. Centenas de vozes concentravam-se na minha cabeça e faziam-me sentir uma doida sem rumo.
- Ben, tenta abstrair-te! Tenta! - sugeriu Jason envolvendo-me.
- Elas são muitas. Na minha cabeça. Parece que vai explodir! - verbalizei em agonia.
A mão de Marcian agarrou-me no braço e puxou-me dos braços de Jason.
- Tens de ser imune a essas vozes, Ben. Eu sugiro uma terapia de choque... Vamos à feira.
- Mas tu estás louco? - indagou retoricamente Jason com um laivo de indignação.
- Não, apenas estou a tentar fazer aquilo que deve ser feito se queres sobreviver.

As vozes continuavam na minha cabeça. Assemelhavam-se a agulhas a perfurarem-me o cérebro. No entanto, eu continuava a passar pelo meio da multidão que se aglomerava nas tendas desejando sair dali o mais depressa possível.
- Quando vamos sair daqui? Estou cansada de ouvir lamúrios, pensamentos hediondos e desinteressantes.
- Quando disseres que apenas consegues ouvir uma voz ou mesmo nenhuma.
- Óptimo! Não ouço absolutamente nada! - menti.
Marcian sorriu.
- Se a tua pulsação não estivesse tão acelerada, eu acreditaria em ti.
Olhei-o de soslaio e tentei fazer o que ele me tinha dito: abstrair-me daquela realidade e entrar numa outra qualquer. Respirei fundo e pensei nas minhas memórias de criança. Revi aquele dia que me tirou a felicidade e a minha normalidade. Recordei Angie nas suas cenas de luta com um boneco imaginário mas que, simultaneamente, parecia tão real. A primeira imagem de Jason...
- Eu não estou a ouvir nada. - balbuciei ainda com a imagem fixa na minha cabeça. - Eu estou a falar muito a sério.
Marcian, desconfiado, colocou a sua mão gélida no meu braço.
- Ela está a dizer a verdade. - confirmou.
- Se eu mantiver a minha cabeça ocupada não consigo ouvir nada.
Ainda hoje vou ter que...
Pensei em algo completamente diferente e a voz silenciou-se.
- Podemos sair daqui?
- Vamos. - ditou Jason. - Achas que ela se transforma como eu me transformo? - interpelou Marcian com um laivo de curiosidade.
- Não creio nisso... A transformação não foi completa. Tem características mas não se pode transformar.
- De facto, seria um transtorno para mim... - confessei.
Jason sorriu e encaminhamo-nos para a floresta.
- Agora queremos testar os teus poderes mentais. - anunciou Marcian.
- Eu consigo derrubar árvores. - informei. - E muitas outras coisas, caso seja necessário.
- Está bem... mas eu preciso de ver.
Olhei de relance para uma árvore e mentalmente cortei-a e, em segundos, ela já estava no chão.
- Muito bem. Gosto da tua rapidez.
Sorri e cortei outra, fazendo-a deslocar-se sobre o ar para ir de encontro aos pés de Marcian. Caiu a exíguos centímetros dele.
- Uau! Não sabia que também eras capaz disto!
- Nem eu... - confessei.
Ele tirou de uma sacola duas espadas e entregou uma a mim e outra a Jason.
- Eu não vou lutar com ela. - avisou Jason atirando a espada para o chão.
- E eu não vou lutar com ele!
Marcian abanou freneticamente a sua cabeça e rosnou:
- Vocês ainda não perceberam da gravidade desta situação? Jason não pode dar o seu poder a Sean e tudo isso vai despoletar uma guerra e certamente vocês não conhecem toda a malícia que se encontra no seu âmago!
Olhei de viés para Jason. Não fazia sentido o que ele estava a dizer. Guerra? Sean? Como poderia ele ter-nos encontrado?
Ben, tu precisas de saber. Jason fez um pacto com Sean em troca de um elemento para o teu antídoto. O pacto consiste em dar o seu poder a ele, o que fará com que Sean se torne invencível e tudo ficará no seu domínio.
Com fúria olhei Jason que baixou o olhar.
- Como... como pudeste fazer uma coisa destas? Não percebes que era preferível eu ter-me transformado a comprometeres o teu poder?
Ele afastou-se e humedeceu os seus lábios. Fixei o meu olhar nos seus olhos que adquiriram uma tonalidade avermelhada.
- Sabes por que razão o fiz? Pelo medo de te perder, de perder toda a felicidade que tanto ansiei, para ter um motivo para continuar a lutar!
- Tu não devias... não devias mesmo...
Ele envolveu o meu rosto com as suas mãos.
- Não devia mas fi-lo e o que está feito, feito está.
- Óbvio! Nada a fazer! - resmunguei. - E o que vamos fazer? Lutar contra Sean? Se ele sozinho já é praticamente invencível, imagino se trouxer companhia!
- Tu serás suficientemente forte para vencê-lo, Ben. - disse Marcian.
Olhei--o com fúria. Já tinha percebido onde eles queriam chegar.
- Lógico... agora percebo tudo! - bradei. - E agora duvido de tudo. - Voltei-me para Marcian. - Vocês fizeram o pacto e não se conseguem desenvencilhar sozinhos e impingem-me a tarefa de o derrotar! - Dei uma palmada no braço de Jason. - Tu nunca me amaste, não é verdade? Sempre me viste como uma arma que podias utilizar para não perderes o teu poder... Agora percebo... fui tão tosca que nem acredito como fui capaz!
- Benedith, por favor, não tires....
Interrompi-o.
- Não ouses sequer vir atrás de mim!
Comecei a correr em direção ao cerne da floresta com as lágrimas a caírem em catadupa.

7 comentários:

sofiacosta disse...

Oh Gosh :o Está lindo :o ! Estou a adorar mesmo, e quero uma continuação rapidamente! Amei a parte em que ela começa a ler pensamentos :D Está a ficar muito bom. E de uma vez por todas, aceita a realidade, tu és uma otima escritora :) Parabéns Hayley! <3 (Gosto tanto do Jason! É fofinho como o Nathan *-* )

Cassandra disse...

Woow! Disto não esperava nada mesmo! Esperava que ela ficasse completamente bem sem efeitos secundários. E ela tem razão. Jason aproveitou-se dela, prevendo que ela seria capaz de derrotar Sean mas além disso, começou a amá-la. Acredito nisso. God, isto está tão bom!
Parabéns, Nya!

Leandro Cruz disse...

Eu gostei disso! não sou meio fã de caos, coisas eu inesperadas que eu fique =O, tipo o.O curtii de maiss.

http://inked-coffee.blogspot.com

Bee :D disse...

Oh... Eu não queria que eles acabassem...

Well, mais um capitulo magnifico!

O mundo de uma sonhadora disse...

Gostei muito!!
Amo a tua maneira de escrever e o enredo da história!!
Sigo* totalmente <3

Beijinho*

O mundo de uma sonhadora disse...

Já agora,a música do teu blog é simplesmente perfeita <3

Beijinho*

Christian V. Louis disse...

Eu gostaria de ter o poder de ler mentes, muito mais do que o poder de voar que muitos almejam.
Gostei bastante do episódio, certamente que Jason a usou para que derrotasse Sean, mas acabou envolvendo-se. Bem romântico.
Quando surgiu um novo episódio, faça a chamada no twitter, porque o painel não atualiza este blogue de jeito nenhum.