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sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

O Jornalista X

A semana passada sem a companhia de Jared no trabalho foi muito difícil. Já não tinha ninguém a sussurrar-me palavras agradáveis ao meu ouvido. Já não tinha uma sombra a seguir-me, e embora eu não gostasse absolutamente nada, sentia falta. Quanto a Jared, passava os dias enfiado em casa no computador ou a olhar sem qualquer interesse para o ecrã da televisão na sala. Quando eu chagava, já cansada por ter de carregar a minha mala, ele prontificava-se a ajudar-me no transporte. Às vezes costumava compará-lo ao pequeno Flash, um cãozinho beagle que eu tinha quando era criança. Ele não gostava da comparação, mas efectivamente ele vivia para mim. Ele fazia tudo em função de mim. Não saía de casa pelo simples facto de eu vir a precisar dele. Eu não queria isso. Queria que ele tivesse uma vida independente da minha, e ele recusava-se a isso. De certa forma compreendia-o...
Entretanto, ele voltou a trabalhar. Oliver também. Larry teve um cuidado acrescido e tentou com que nos cruzássemos menos vezes e tentou fazer com que eu não participasse nas investigações juntamente com ele. O meu ventre continuava a crescer inexoravelmente, e não podia continuar a esconder mais. A partir do momento em que Jared fez a questão de, com um enorme sorriso anunciar que ia ser pai, todos começaram a ter um comportamento diferente comigo. Eram atenciosos, questionavam se eu queria alguma coisa... era capaz de me habituar àquele tratamento! 
A ideia de ser mãe já não me assustava tanto como no início, principalmente sabendo que ia ter alguém ao meu lado sempre a apoiar-me. 
- Vou buscar um café. - sussurrou-me ao ouvido. - Queres que traga para vocês?
Olhei para ele céptica.
- Para nós?
Ele olhou-me indignada.
- Sim! Para ti e para ele! - disse apoiando a sua mão no meu ventre.
- Não, obrigada eu tenho dormido mal o suficiente. Não preciso de cafeína para me acordar.
Deu-me um beijo longo e saiu a correr porque ouviu os passos característicos de Larry. Não pude deixar de sorrir. Com aquela indumentária formal tornava-se ainda mais adorável. Afastei aqueles pensamentos e concentrei-me no que tinha a fazer. Larry estava a bisbilhotar o que eu estava a fazer.
- Hazel, tenho que falar contigo acerca do Oliver... - disse, sentando-se em cima da secretária.
- Larry, eu não consigo detê-lo de nos odiar. Ele simplesmente não aprova o meu relacionamento com Jared e ele não pode intrometer-se continuamente na minha vida. 
Larry bufou de impaciência.
- O Oliver despediu-se. - disparou.
Fiquei petrificada. Uma bala parecia ter embatido contra o meu corpo. Eu não sabia se queria chorar, continuar inexpressiva ou desmaiar.
- Larry... pode fazer-me um pequeno favor? Diga a Jared que fui... embora, mas impeça-o de sair daqui.
Levantei-me desajeitadamente e peguei na minha mala. Larry agarrou-me no braço.
- O que vais fazer, Hazel?
Olhei-o com seriedade e respondi:
- O que tem de ser feito.
Corri para escapar de Jared e só para no carro. Percorri as íngremes ruas que davam acesso à habitação rústica de Oliver. Chovia copiosamente. Saí do carro, colocando a gabardina sobre a minha cabeça e vi que Oliver estava a passear em torno da casa, ritual esse que repetia sempre que estava nervoso. Clamei o seu nome até à exaustão. Decidi ir ter com ele, dado que não se tinha apercebido da minha chegada. Coloquei-me à sua frente. As gotículas escorriam pela sua face, contornando todos os traços da sua face. 
Ao olhar para ele lembrei-me daquele Oliver querido mas deparava-me com o Oliver fleumático. 
- Oliver... - suspirei. - Volta. Por favor, não me faças uma coisa destas. - supliquei. - Eu ir-me-ei sentir culpada para o resto da minha vida. 
Ele agarrou-me firmemente as mãos e sorriu docemente. Tive a sensação que ele tinha voltado ao normal.
- Hazel, tu escolheste o teu caminho. Colocaste cada pedrinha no teu caminho até que chegaste ao cume da montanha. Para mim, fizeste a pior escolha da tua vida. - fez uma pausa e recomeçou de um modo mais agressivo. - Sabes, não era isto que eu te queria dizer... sabes perfeitamente que eu não vou descansar enquanto ele não pagar por aquilo que fez. Mais dia menos dia vou-to provar! 
Com um olhar melancólico observou o meu ventre. Tapei-o o melhor que pude. 
Violentamente encostou-me contra a parede fria e molhada de sua casa e tocou carinhosamente no meu ventre com os olhos a brilharem, como que se a qualquer momento os seus olhos irrompessem num choro compulsivo.
- Esta criança que carregas nunca deveria ter sido daquele maldito. 
Eu não conseguia perceber se ele estava a chorar ou se era a chuva a escorrer-lhe pela face. 
- Se ele não tivesse aparecido, se me tivesses dado mais tempo... tudo teria sido tão, tão diferente... Eu ter-te-ia amado incondicionalmente. Ter-te-ia dado tudo aquilo que desejavas. Eu era capaz de te ter dado qualquer coisa só para te ver feliz. - continuou.
Afastou-se de mim e voltou-me as costas, enfiando as mãos no bolso.
- Tu não me deste tempo para te mostrar o que sentia. Atiraste-te de cabeça nessa relação! - vociferou.
Voltou-se novamente para mim. Apercebi-me que chorava.
- Oliver... eu não...
- Tu não queres ver a verdade! Essa é a verdade, Hazel! Tu recusas-te! - o seu tom de voz tornou-se novamente dócil. - Eu não te desejo nada de mal, mas quem vai sofrer com toda esta confusão é isso. - disse apontando para a minha barriga.
- Isso?! - questionei indignada.
- Sim. Se fosse meu, teria outro tratamento. Qualquer coisa que seja proveniente daquele sujeito não merece mais consideração. - respondeu com frieza.
- Sabes uma coisa? Eu vim aqui para te impedir de partires, de saíres. Fiz a minha parte como tua amiga! Talvez até mais do que os verdadeiros amigos fazem! Mas sabes que mais? Vai! Vai-te embora! Apanha o próximo avião ou vai imediatamente de carro para fora do país! Eu não quero saber como vai ser o futuro sem a tua presença! Vai-te embora! - bradei com todas as minhas forças. O choro começou depois. 
Ele voltou-se para mim e os seus olhos voltaram a tornar-se dóceis. Abraçou-me com força, fazendo com que eu tivesse ainda mais frio, dado que as suas roupas estavam encharcadas. 
- Desculpa, desculpa... - dizia repetidamente. - Eu não queria dizer aquelas coisas... eu não te queria magoar de forma alguma. 
- Se não me queres magoar... fica.
Ele afastou-se. 
- Hazel... eu não aguento ver-te com ele. Apetece-me pegar na arma e disparar repetidamente sobre o seu peito até vê-lo sem vida no chão. - confessou.
- Oliver... - tentei verbalizar algo, mas nada saiu para além do seu nome.
Ele voltou a aproximar-se.
- Eu preciso de algo antes de partir. - sussurrou.
- Oliver, não partas... por...
Ele lançou-se a mim e beijou-me serenamente.

4 comentários:

zuda disse...

sigo *

Mia disse...

Pedir para alguém ficar pode efectivamente mudar o rumo das nossas vidas =) beijinhos

Mia disse...

Boa Tarde =) Deixei um selinho para ti no meu blog* Se quiseres aproveita-o! Um beijinho

disse...

Eu não aprecio muito o verão, e muito menos as praias super lotadas. A verdade é que a minha estação do ano predilecta é o Inverno, e eu gosto da praia deserta nessa altura do ano. Isso talvez já não seja tão banal!
Beijinho*