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quarta-feira, 9 de março de 2011

As Últimas Flores para o Hospital - Cap. VI (Surpresa)

Abruptamente afastou o seu corpo e olhou-me com arrependimento. Ian ia começar a falar mas eu peguei na minha mala e saí da sala, fechando a porta com força e correndo pelos corredores questionando por que razão havia fugido assim da sala. Subitamente alguém se interpôs à minha passagem, esbarrando contra mim com violência. Lancei uma panóplia de impropérios contra a pessoa.
- Menina Blair? - inquiriu uma voz frágil feminina.
Uma mulher com cerca de sessenta anos encontrava-se no chão e olhava para cima com os óculos na ponta do nariz. Apressei-me a ajudá-la a levantar-se.
- Peço imensa desculpa. Pensei que fosse outra pessoa. - disse na tentativa de colmatar o estrago.
A senhora estava a ajeitar a sua saia verde e passar a mão pelos seus cabelos curtos, encaracolados e grisalhos.
- Tem de ver por onde anda! Eu não tenho vinte anos! - vociferou a mulher olhando-me ferozmente. - Necessito de falar consigo. Siga-me, por favor. - disse voltando-se, entrando imediatamente numa porta que dava acesso a um dos escritórios.
Sentou-se numa cadeira de couro genuíno, voltando o ecrã do computador para si. Sentei-me na mísera cadeira que se encontrava de frente para a senhora verificando que se chamava Marie Flore. Olhei bem para ela. Tinha quase a certeza de que já tinha ouvido a minha mãe a falar dela. Tentei lembrar-me se ela tinha mencionado alguma característica para além das rugas vincadas pregadas na sua face magra e branca.
- Blair... - disse ela num tom de voz carinhoso, arqueando os lábios para me sorrir. - Estás tão crescida! Tão parecida com o teu pai que se ele fosse mais novo diriam que eram gémeos falsos. 
Olhei-a de soslaio. Ela parecia conhecer-me mas eu não a estava a reconhecer completamente.
- Eu conheço-a? - questionei.
- Provavelmente não. - respondeu.
- A toda a gente que pergunto se conheço... respondem-me o mesmo que a senhora. - disse com um laivo de raiva na voz.
- Talvez não seja coincidência. - disse, soltando um suspiro. - Eu sou uma pessoa muito amiga da tua mãe. Ela disse-me, pouco antes de falecer para te ajudar. E aqui estou. 
- O que sabe sobre o meu pai? - questionei levantando-me da cadeira.
- Não sei grande coisa, Blair. Barbara não me adiantou muito mais daquilo que te tenho a transmitir.
Com exaltação pedi para me dizer aquilo que lhe havia sido encarregue.
- Barbara pediu-me encarecidamente para ter cuidado com certas aproximações. E que podias encontrá-lo a qualquer momento na tua vida. Talvez até te tenhas cruzado com ele. - disse estendendo-me um maço de cigarros e um isqueiro. Não era habitual fumar mas por que não?
- E só tem isso para me dizer? - questionei. - E o meu irmão?
Ela revirou os olhos. 
- Se fores por esse caminho não vais descobrir nada, Blair. - disse-me expulsando uma lufada de fumo. 
- Afinal sabe quem eles são! - disse em tom de ameaça.
Marie dispôs-se de forma autoritária na sua cadeira imponente.
- Foi-me apenas transmitido isto. Jurei não dizer mais nada. Só te garanto que toda essa tua esperança de não estares sozinha e de teres uma família feliz pode desvanecer-se rapidamente. - disse-me num tom de voz cruel e simultaneamente sério. 
- Já percebi o plano. - afirmei em tom de ironia. - Foi-me extremamente útil. Com as suas dicas vou perceber quem é realmente o meu pai e a minha família! 
Levantei-me dirigindo-me para a porta.
- Sempre foste uma criança muito distraída. - disse com o intuito de me menosprezar. - Eu dei-te tantas pistas que a tua cabeça não conseguiu assimilar grande parte. Eu sei quem são mas tu é que os vais descobrir. Não me cabe a mim procurá-los por ti e nem sequer estou interessada em descobri-los. Portanto, faz o favor de seguir aquilo que ambicionas sem envolver pessoas no teu caminho.
Aquela mulher estava a irritar-me solenemente.
- Obrigada pelos escassos conselhos. - disse com acrimónia fechando a porta.
Coloquei a minha mala ao ombro e dirigi-me para o exterior. Ouvi a voz de Ian a aproximar-se inexoravelmente de mim mas acelerei o passo de modo a que ele não me conseguisse apanhar. 
A chuva caía copiosamente mas não e impediu de caminhar um pouco para espairecer. Enveredei pela rua que tinha atravessado de manhã na companhia de Ian. Recordava-me do caminho que tínhamos percorrido e caminhei pela rua deserta. Pus-me a pensar naquilo que Marie Flore me tinha dito mas nada parecia fazer sentido. Parecia tudo demasiado desfragmentado e eu via-me incapaz de reconstruir. Ia tão envolvida nos meus pensamentos que quando já estava a atravessar a rua, vi que um jipe preto e brilhante com vidros escuros dirigia-se a mim, acelerando cada vez mais. Os meus pés pareciam ter-se fincado à estrada, impossibilitando-me de reagir. Inesperadamente senti alguém a puxar-me para trás e vi o carro a passar por cima do meu sapato sem parar para ver se tinha causado algum estrago.
- Desculpa ter-te beijado daquela maneira, Blair. - disse Ian segurando-me ainda na cintura.
Levantei-me imediatamente e procurei ver quem me tinha atropelado. Tinha a certeza que tinha sido intencionalmente. 
- Que raio... - murmurei. - Sabes quem pode ter sido? - questionei-o.
Ele olhou-me com admiração. Hesitou.
- Eu aqui a falar do que se passou e tu... queres saber quem é. - disse-me. - Compreendo que não devas ter gostado nada mas escusas de o demonstrar dessa forma. - disse com um olhar magoado.
- Não, Ian, espera! Tu percebeste mal. - Cerrei os olhos na tentativa de conseguir dizer-lhe algo sem desvendar tudo. - Há coisas na minha vida que não percebes. Eu estou preocupada com esta situação porque há pessoas que não gostam de mim, entendes? Eu vim para cá para descobrir a minha família. - confessei aproximando-me dele. - Não era a minha intenção interessar-me por alguém.
Ele agarrou-me nas mãos colocando-as sobre o seu pescoço.
- E... achas assim tão mau apaixonares-te?
Sorri.
- Não, acho que até me vai fazer bem se for com a pessoa certa. - respondi aproximando-me cada vez mais dele. 
Ele não se afastou. Aconteceu precisamente o contrário. 
Reparei que o carro que me tinha tentado atropelar estava estacionado estrategicamente de forma a que fosse quase impossível aperceber-me de que ele estava lá. Comecei a tremer e afastei-me de Ian.
- Blair? O que foi? - questionou enquanto me acariciava o semblante.
- Podemos ir embora daqui?
Ele tirou as chaves do bolso e abriu as portas do seu carro. Coxeei até onde pude, uma vez que Ian insistiu em me transportar ao colo. Eu não conseguia despregar os olhos daquele carro.
No interior do carro Ian inquiriu o que me estava a atemorizar. Expliquei-lhe que com o tempo ele iria aperceber-se.
O hotel não ficava muito longe dali. Andámos apenas mais uns cinco minutos de carro. Parámos pelo caminho para comprar o que John tinha pedido.
Quando entrámos no hotel a temperatura era superior causando-me um arrepio que me percorreu o corpo.
- Aurelie, viste o meu pai? - questionou Ian.
- Ele saiu há algum tempo. - disse-lhe. 
Ian encolheu os ombros oferecendo-me o seu braço. Aceitei de bom grado, encaminhando-o para o piso superior.
- Bem, eu fico deste lado. - disse apontando para a porta do meu quarto.
Ele soltou uma gargalhada.
- Tu pensas que eu sou como todos os outros. Encontro e logo a seguir quarto. - sorriu. - Sei esperar.
Deu-me um beijo leve e dirigiu-se ao seu quarto. Entrei no meu e despejei a minha mala em cima da cama há procura do meu telemóvel. Deparei-me com um pequeno cartão branco onde estava escrito "Marie Flore", seguindo-se do seu número de telemóvel. Agarrei no meu telemóvel e premi as teclas do telemóvel. Estava a chamar.
- Estou? Quem fala? - questionou.
- Blair Fielding. Estive a falar consigo esta tarde. - respondi.
- Ah! És tu. Eu sabia que mais cedo ou mais tarde irias ceder. - disse com um tom de voz engraçado. - O que se passa.
- Tentaram atropelar-me à saída da universidade. Acha que...
- Provavelmente. - respondeu. - Estás a perceber com que pessoas estás a lidar? A tua mãe fez muito bem em ocultar tudo.
Suspirei.
- Quem é ele? - abordei.
- Blair... eu não posso dizer. Só te posso adiantar que não convém pensares em alguém para além de ti.
Dito isto desligou a chamada e eu tinha voltado à estaca zero. 

21 comentários:

Catarina disse...

adorei. escreves tao bem *.*

Sil. disse...

Adorei :)
eu tambem adoro vans, e tenho alguns pares! ;)
Adorei o titulo do teu blog*
beijocas!

lara beatriz disse...

adorei, estou ansiosa para ler mais. :)

Catarina disse...

obrigada eu :)

ac disse...

eu fiquei COMPLETAMENTE presa a esta história !
bem , multimédia têm varias vertentes realização poderá ser uma delas , tu queres seguir para o ensino superior ?

Sil. disse...

oh, obrigada eu *.*
kiss!

ac disse...

adorei !
é que existem bons cursos superiores , cinema e afins *-*
já é a segunda vez e eu acho que é a mesma pessoa da outra vez :s

ac disse...

Ainda vamos realizar um filme juntas *-*

Gonçalo disse...

Gostei muito :)
Quantos capítulos estás a pensar escrever?

ac disse...

e eu adorei a tua ; uma coisa que gostava imenso de ter a oportunidade de realizar era video clips *-*

ac disse...

então um dia destes ainda vamos realizar uma curta (para começar) ; adoro MUSE :|
mas já me estou a ver a realizar um do Bruno Mars (a) fazia melhor do que quem fez o ultimo dele , certeza :o

Junior Rios disse...

Olá Hayley!Tinha sumido, neh?Estou recuperando o que perdi por aqui...Bom demais este capítulo!

Bjo


wwwsinparangon.blogspot.com

ac disse...

weeeeeeeeeeee :D
poupo-te trabalho : http://www.youtube.com/watch?v=1iBm60uJXvs&feature=player_embedded

ele está muito lindo ( O Bruno ) mas de resto :|

ac disse...

eu andei ansiosa para que sai-se , quando me mandaram lá o e-mail do site a avisar vou ver e desilusão total :x
é valha-nos o Bruno ahah

ana disse...

Amei (; E também sigo! *.*

ac disse...

pode ser que o próximo seja bem melhor ahah

Gonçalo disse...

Obrigadaa é importante as tuas palavras..ainda bem que gostaste :D beijo querida*

lara beatriz disse...

de nada, beijinho. :)

W. G. Lacerda disse...

Oi, gostei dos seus posts, depois passa no meu blog tb: http://wglacerda.blogspot.com/
Tô seguindo, até mais.

disse...

Pois, até eu tenho sentido falta dos meus posts. Mas prometo que vou escrever mais :)
(já agora, estou a amar a história!)

disse...

Acho, a sério! Prefiro, sem ambiguidade, o "Jornalista". Mas estou a gostar imenso, e tens a minha palavra de que não está a ser uma "seca".