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sexta-feira, 11 de março de 2011

As Últimas Flores para o Hospital - Cap. VII (Vandalismo)

Marie Flore fazia-me perder as estribeiras! Furiosa decidi ir ao Bar beber algo que me fizesse sentir melhor. Sentei-me no banco alto castanho de pele de avestruz e pedi ao barman um uísque com duas pedras de gelo. John estava ao meu lado, vestido com a sua habitual roupa negra que contrastava com os seus olhos e pele clara a ler um jornal. Ignorei-o tal como fez a mim. Aquele homem desprezava-me e eu, embora quisesse saber que tipo de relação mantinha com a minha mãe não conseguia dirigir-lhe a palavra.
Bebi o uísque pedindo outro de imediato. O funcionário olhou-me atónito e simultaneamente com curiosidade. Retirei uns trocos da carteira quando, e para minha grande admiração John pousa delicadamente o seu jornal no balcão e disse ao barman para não aceitar o dinheiro, uma vez que ficava por sua conta. Olhei-o pasmada por aquela sua súbita simpatia e agradeci. Para ainda ficar mais pasmada, sorriu-me.
- O Ian disse-me que ajudaste a escolher o livro. - disse. - Realmente é um livro deveras interessante. - sorriu novamente.
Eu queria perguntar-lhe se me conhecia de algum lado e o que fazia no funeral da minha mãe mas... hesitei. Os seus olhos fixavam os meus de tal forma que me era impossível despregar-me do seu campo de visão. Desviei o olhar.
- Hum... não precisa de agradecer. - disse-lhe.
Abruptamente o meu copo de uísque caiu devido a um empurrão não intencional de John, embatendo contra o soalho encerado partindo-se em mil bocados e deixando uma pequena poça de uísque mesmo ao lado dos meus pés. Apressei-me a colocar os pedaços maiores de vidro no balcão. Passados poucos segundos, John disse-me:
- Desculpa. Eu sou muito desastrado. Eu peço a alguém que limpe isso, Blair. Toma este uísque que está intacto. 
- Está bem... - disse dando um gole e saindo do Bar dando graças por estar deserto. 
Subi as escadas com uma certa moleza nas pernas. Só podia ser o efeito do uísque mas até nem tinha absorvido muito. Deambulei até chegar ao quarto, morta de sono e de preguiça. Rodei a maçaneta com dificuldade, bocejando constantemente. Atirei a mala para um canto recôndito do quarto e atirei-me para cima da cama. Olhei para o tecto onde parecia que o tecto oscilava. Fechei os olhos e esfreguei-os, voltando a olhar para o ponto inicial. Não tinha passado da minha fértil imaginação. Os meus olhos teimavam em fechar-se e por muito que quisesse resistir, o cansaço sobrepunha-se de tal modo que me obrigou a cerrá-los e a ter uma bela noite sem acordar vezes sem conta por causa dos malditos pesadelos. 
Na manhã seguinte acordei com a impetuosa trovoada que fazia estremecer as paredes devido à sua violência. Espreguicei-me morosamente e reparei que a minha cabeça parecia que ia explodir. Abri os olhos, levantei-me e olhei à minha volta: a minha mesa de cabeceira estava próxima da porta. As minhas roupas tinham sido retiradas das malas e das gavetas. A minha mala estava em cima do sofá toda esquartejada e a carteira estava no chão, aberta e sem documentos. O espelho estava um pouco partido e os candeeiros, cabides, estatuetas, móveis e relógios estavam irremediavelmente partidos. As cortinas, bem como os tapetes estavam rasgados. Estava tudo num caos! A tempestade que se fazia sentir no exterior parecia ter-se passado no interior do Hotel. Enverguei um casaco comprido castanho que tinha aos pés da cama e calcei os chinelos. Apressei-me a apanhar a carteira e a verificar se me tinham roubado também dinheiro. Agaixei-me e abri o fecho éclair da minha carteira bege. O dinheiro estava precisamente no mesmo local e tinha a mesma quantia. Tinham-me roubado os documentos. Desnorteada e sem saber o que fazer, saí do meu quarto e bati incessavelmente à porta do quarto de Ian.
- Está aberta! Podes entrar! - disse uma voz vinda da casa-de-banho.
Entrei a medo e ouvi água a cair em catadupa.
- Então, dormiste bem? Gostaste do livro? 
Ele pensava que se tratava do seu pai.
- Ian... sou eu. - disse com uma voz trémula.
Um guinchar estridente da torneira a fechar-se fez-se ouvir, bem como a estagnação da corrente de água.
- Blair? - questionou Ian aparecendo envolvido numa toalha. - O que se passa?
- O meu quarto... totalmente vandalizado. - respondi ainda a tremer.
Ele olhou-me com um laivo de preocupação. A sua boca moveu-se para pronunciar algo mas nada lhe saiu.
- O quê?! - disse por fim. - Espera um momento. Eu já volto.
Desapareceu.
Em vez de ficar a pensar na vandalização do meu quarto, fiquei a rever mentalmente a figura de Ian. Era ainda mais forte do que eu pensava. 
Reapareceu vestido com o seu típico visual informal. Envergava uma jaqueta de couro preta, uma camisola cinzenta que realçava os seus peitorais marmóreos, umas calças de ganga escuras coçadas nos joelhos e uns ténis semelhantes àqueles que os adolescentes costumavam usar que eram de uma marca que me era desconhecida. 
- Vamos ver o que aconteceu. - disse-me saindo do quarto. Segui-o. - Tens a certeza que não foi apenas um sonho?
- Mas tu estás a desconfiar de mim? Eu sei o que vi! - vociferei.
Ele atravessou o corredor e abriu a porta do meu quarto deparando-se com o cenário típico de vandalização ou assalto.
- O que se passou aqui? - questionou-se a ele próprio enquanto caminhava sobre a tapeçaria reduzindo os estilhaços de vidro com a sola dos seus ténis. - Roubaram-te algo? - inquiriu olhando-me.
- Os documentos. - respondi.
Ele cofiou o seu queixo.
- Por quê? - questionou-me enquanto se aproximava de mim. - Tu estás a esconder algo. Tens a noção que te poderiam fazer mal? - inquiriu-me retoricamente, julgando-me. - Não sabemos quem são as pessoas com quem estamos a lidar. Se tens algo a dizer-me que eu deva saber para estar preparado, por favor, podes contar comigo como amigo. Eu ser-te-ei fiel em todos os aspectos. - agarrou-me as mãos firmemente. - Por que vieste para aqui?
Sentei-me na cama e ele segui-me. Suspirei. Olhei-o nos olhos.
- Eu estou em busca da minha família. A minha mãe morreu há umas semanas e disse-me que os meus familiares, pai e irmão, não tinham falecido e que eu precisava de saber toda a verdade. - suspirei. - Aqui estou eu a tentar desmembrar toda a verdade que a minha mãe me escondeu desde sempre. Se queres que te diga que tenho inimigos, provavelmente tenho pessoas a tentarem dificultar-me a missão mas não faço ideia quem sejam. Eu nunca tive família para além da minha mãe.
Ele abraçou-me e voltamos a ficar demasiado próximos novamente. Repeli-o. Embora precisasse de apoio e estivesse nostálgica, não queria dar o braço a torcer nem mostrar-me fraca.
- A minha mãe morreu quando eu tinha sete anos. Aparentemente fez um cruzeiro que acabou por se afundar.  Para além disso, eu ia ter um irmão.
A sua expressão tornou-se dura e levantou-se largando-me as mãos.
- Tenho de falar com o meu pai. Ele tem de saber o que se passou aqui e tem de redobrar a segurança deste Hotel que deixa muito a desejar.
- Por que é que tens tanto em comum comigo? - questionei.
Ele sorriu.
- Talvez isso queira dizer algo... tipo... hum... - começou a gaguejar. - talvez queira dizer que há uma conexão entre ambos.
Sorri.
- Ainda é muito cedo, Ian. Não te vou mentir e dizer-te que não estou interessada em ti porque seria uma mentira horrorosa. Mas... ainda preciso de um tempo para pensar.
- Todo o tempo do mundo... - disse sentando-se ao meu lado.
Retirou do bolso das suas calças o telemóvel e chamou John ao meu quarto. Tinha vergonha de aparecer com o cabelo crespo. Tratei de o tornar minimamente dócil. Passados poucos minutos ele apareceu e fez um esgar quando viu toda a destruição.
- Vocês fizeram isto? - inquiriu com ironia.
- Não! - respondemos em uníssono.
- O que se passou aqui, afinal de contas? - inquiriu irritado.
Dei um passo em frente.
- Eu não sei... alguém deve ter-se aproveitado do facto de eu estar a dormir para me roubar os documentos. Mas não sei quem foi. - disse.
John suspirou.
- Bem... mais despesas... ainda hoje terás o teu quarto como outrora. - disse abandonando o quarto.
Ian sorriu-me e seguiu-o.
Procurei pelas roupas que estavam intactas e vesti-me pensando em todo aquele alarido. Fiz uma pequena retrospectiva e lembrei-me subitamente do uísque que tinha absorvido. John era a única pessoa que estava comigo e quando ele derrubou o meu copo, ofereceu-me outro. Teria ele colocado algo na minha bebida? Aquela sua simpatia era bizarra... e não duvidava que tivesse sido ele, porque, em parte ele não gostava de mim. Mas por que razão fazê-lo? Que objectivo teria ele em tentar envenenar-me e roubar-me os documentos? Aquelas questões pairavam na minha cabeça e eu não conseguia obter resposta.

46 comentários:

Catarina disse...

wonderful**

Catarina disse...

para que iria seguir blogs que nao gostasse? so para dizerem que tem mais uma seguidora neste caso?

obrigada. talvez post alguma daqi a uns dias. tenho andado tao ocupada :C

Catarina disse...

obrigada meu amor. obrigada pelas tuas palavras mas ja estou farta mesmo D:

filipa disse...

sigo *
gostei

Catarina disse...

maybe :)
eu arranjo-as atraves do tumblr mas tenho como base este perfil: http://cr-gifs.tumblr.com/

lara beatriz disse...

Hmmm, suspanse, adoro! *-*

Catarina disse...

ora essa :)

ac disse...

esta historia está cada vez melhor , meu Deus :')
é que eu nem tinha assim nada do Bruno Mars :o

lara beatriz disse...

sim :) é assim eu apenas tenho uma ideia muito pequena, além disso basta mudares uma pequena coisa que o meu raciocinio, né? a certa altura Blair e Iran vão-se aperceber que são irmãos mas também se vão aperceber que o que sentem pelo um outro é muito forte, e depois o pai dele vão ser como uma pedra num sapato...de resto ainda não sei, é mesmo só um pequeno raciocinio que pode nem estar correcto, só me resta esperar :)

ac disse...

De nada Sofia :D
Pois temos , até não termos mais forças e mais meios *-*
Aquela fotografia já é antiga , já tive o cabelo de mil maneiras ahah

lara beatriz disse...

ainda bem, adoro histórias cheias de suspanse, por isso *-* espero fazer um bom 'trabalho'.
eu pessoalmente também gosto mais do piercing no buço (acho que é assim o sítio) mas algumas pessoas já me disseram que me ficaria melhor no nariz. :/

ac disse...

oh obrigado :$
acreditas que também estou sempre a fazer refresh a página para ver isso ? ahah

ac disse...

a sério , que cúmulo :o
também acho que em breve vou fazer uma sondagem :D

ac disse...

fora de tangas , está mesmo :o
então querida ?
eu estava a pensar criar uma página no facebook para o blog, mas não sei se é boa ideia de todo S:

lara beatriz disse...

A mim não me mete confusão, mas eu pelo menos não gosto de ser muito igual e há tantas raparigas com piercing no nariz, é claro que no buço tbm mas pelo menos poderia ir para a escola sem ver mais 40 raparigas iguais a mim. Claro que primeiro está aquilo que eu prefiro e não os outros, mas se já estava indecisa puseram-me mais, porque uns dizem um e outros o outro. :)

ac disse...

Olha que boa ideia me deste agora :o
mas já não existe nenhuma comunidade do blogger lá ?
cria de novo ou pede nova palavra passe :D

márciaboaventura disse...

muito obrigada por seguires :')
gosto muito do teu blog :o

ac disse...

sim :D
eu acho que sim querida !

lara beatriz disse...

eu também adoraria fazer uma tatuagem, mas duvido muito que os meus pais me deixem fazer com 14 anos :|
Eu estou muito mais inclinada para o buço, porque acho engraçado, no nariz também fica mas é demasiado vulgar para mim. (:

márciaboaventura disse...

óh, muito obrigada querida :')
fiquei entusiasmada com a tua história, sigo*

ac disse...

não , sou a Andreia Cartaxo (no fb Andreia Filipa Cartaxo )

ac disse...

eu pensava que já te tinha adicionado :b

lara beatriz disse...

concordo, embora com 16 já possa fazer sem a autorização dos pais, mas teria de poupar para isso, acho que não tenho pressas xb tenho um pequeno receio a agulhas e isso por isso primeiro ainda tenho de me mentalizar. (:

ac disse...

já aceitei :D

ac disse...

boa :D

karina disse...

Adorei, o blog, este capitulo da tua historia tenho que a ler toda :D
vou seguir-te querida!

filipa disse...

oh, obrigada querida.
achas mesmo ? *.*

- Sara'Alexandra disse...

Ainda bem que estás a gostar.
Agora só publico a próxima parte na segunda. :)

ac disse...

é bem verdade , este mundo está cada vez mais repleto de pessoas falsas e traiçoeiras e o triste é que por vezes são aquelas em quem mais confiamos que nos espetam em primeiro uma faca nas costas :s
um beijinho *

Secretely disse...

adorei :'$

karina disse...

de nada fofinha :)

mariana f. disse...

gostei muito!
(estou a fazer um passatempo no blog, se quisesses, aconselhava-te a participar com esta história!)
já vi que o teu livro preferido é O Monte dos Vendavais. também o meu.. lindo!

ac disse...

olá querida !
muito obrigado *-*

Catarina disse...

oh *.* nem sabes o quanto essas palavras sao essenciais.
obrigadaaaaaaa por tudo meu amor ;)

Catarina disse...

e assim e que deve ser ;)

mariana f. disse...

deixa lá que eu sou igual! falo e falo, adoro o livro. é sinistro, portanto é como se tivesse sido mesmo escrito para mim, adoro! (:
(obrigada, achei boa ideia e criei, fico feliz por saber que vais participar!)

filipa disse...

ainda bem querida! adoroo

lara beatriz disse...

Ao princípio era mesmo para dar essa impressão de mau da fita, mas o amor faz milagres (a) Sim, vai ser em breve aliás porque já estou com ideias para uma nova história. Ainda bem que estás a gostar :)
beijinhos

mariana f. disse...

há alguns, não sei bem ao certo, mas eu já te disse que tens hipóteses, e é verdade! força nisso, acho que devias (:

lara beatriz disse...

e eu peo teu próximo capítulo. beijinhos :)

lara beatriz disse...

pelo*

mariana f. disse...

fazes muito bem :p

Catarina disse...

obrigada meu amor *.*

ac disse...

espero mesmo que venha , querida ; um beijinho *

Al* disse...

tenho acompanhado a historia e digo-te já que estou a amar.
estaá mesmo brutal. e estou ansiosa pelo que iras fazer apartir de agora ..

kiss, Al*

lara beatriz disse...

Ainda é que tem mais graça, não tens nada que agradecer apenas disse a verdade. :)
beijinhos