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segunda-feira, 14 de março de 2011

As Últimas Flores para o Hospital - Cap. VIII (Felicidade ou Tristeza?)

Assim que acabara de me vestir, dirigi-me para a porta do quarto de Ian onde esperei que ele fosse buscar a sua mala tiracolo. Mais uma vez ia dar-me boleia para a universidade. Mal saiu da porta, olhou-me carinhosamente e suspirou:
- Tens a certeza que não queres ficar? Eu peço a alguém que te faça companhia. Eu posso faltar às aulas e posso ficar contigo.
Sorri perante aquela sua simpatia. Sem dúvida que eu era correspondida e começava a questionar-me se não estaria a ser demasiado racional ao tentar repeli-lo o mais tempo possível mesmo ansiando a sua companhia.
- Não. Eu vou levar a minha vida com normalidade, como se nada tivesse acontecido. Tenho de agir assim. Para além disso, não podes viver em função de mim. – disse-lhe indiciando que iria começar a caminhar para o exterior.
Inesperadamente ele colocou as suas fortes e grandes mãos no meu rosto que quase o cobriam. Ruborizei mas deixei-me levar. As suas mãos percorriam o meu pescoço, puxando-o inexoravelmente para si. Os seus lábios suaves pousaram sobre a minha testa, dirigindo-se depois para a minha boca até que, infelizmente John chegou, tossindo propositadamente para que déssemos conta da sua abrupta chegada. Imediatamente me afastei tentando disfarçar aquele acto ausente de qualquer tipo de racionalidade. Ian ficou envergonhado e não o encarou.
- Hum… - disse enquanto me olhava. – Acho que é melhor irmos andando.
Olhei para John. A sua expressão era tão séria que eu até tinha medo de encará-lo. Olhava Ian tão fixamente que parecia estar a repreende-lo só com o olhar. Mirei Ian. Olhava-o cabisbaixo e parecia estar a entender aquilo que o seu pai lhe estava a dizer. Bem, qualquer um, por muito asno que fosse, perceberia que ele estava a admoestá-lo por se estar a aproximar de mim. Senti-me uma indesejada, uma pessoa em território inimigo em risco iminente de morte.
- Ian, no final das tuas aulas vem falar comigo. – disse exibindo um sorriso cínico que me irritou solenemente. – Ah! Bom dia a ambos.
Enfiou as mãos nos bolsos do seu casaco preto e desapareceu.
Caminhamos em silêncio até ao carro. Eu não conseguia deixar de pensar no que havia eu feito para John não gostar de mim e de admoestar daquela maneira Ian como se ele estivesse a quebrar uma regra. Ian parecia um Cubo de Rubik nas suas mãos e isso desconcertava-me por dentro.
- Blair, estás demasiado absorta. – constatou, olhando-me fixamente. – Diz-me no que estás a pensar.
Hesitei. Cerrei os olhos e decidi que era melhor manter a minha opinião retida na minha mente.
- Nada. – disse. – Acho que vamos chegar atrasados. É melhor começares a conduzir, Ian.
- Sabes que não me enganas? – inquiriu retoricamente. – Eu sinto como se conhecesse desde que nasci. – fez uma pausa. – Eu não sei como, não me questiones sequer, mas eu… eu creio que sinto muito mais por ti do que uma pura amizade.
Eu ia começar a falar mas ele colocou o seu dedo sobre os meus lábios impedindo-me de verbalizar algo.
- Eu conheço-te há pouco tempo, Blair. Mas é como se te conhecesse há anos! Sei como vais reagir a tudo, sei o que sentes. É como se fossemos… gémeos. – continuou. – Neste momento estás a pensar no que se passou lá em cima. Procurando nessa tua cabeça explicações para o assalto e para aquele quase beijo. – sorriu e baixou o olhar aproximando-se. – Pareces um íman que me atrai cada vez que me encontro a um raio de um quilómetro de ti. Encantas-me com toda essa aparente racionalidade que queres despachar cada vez que estás comigo. – sorriu novamente. – És encantadora com todo esse teu misticismo e com essa preocupação com todos. És péssima a disfarçar. Eu não quero ser convencido nem dar uma imagem daquilo que não sou, mas tu sentes o mesmo por mim. – fez uma pausa. – Vi como me olhavas na aula. Não despregavas esses teus olhos verdes de mim. Seguias-me a todo o momento. Eu conseguia ver os teus olhos a oscilarem… e perdia-me a olhar para eles. Pareciam um emaranhado de sonhos inconcretizáveis e de sentimentos confusos onde eu me via o protagonista. – suspirou. – Por quê disfarçar, Blair? Por quê esperar quando há algo que nos liga? Por favor, não recuses. Peço-te apenas que penses na minha proposta de relacionamento.
Fiquei atónita a olhar para ele. Os seus olhos verdes água brilhavam incessavelmente. As suas mãos precipitavam-se para não tocar nas minhas de modo a que eu pudesse reflectir claramente naquilo que ele me tinha proposto.
Tudo o que ele tinha mencionado era verdade. Eu sentia-me irrevogavelmente atraída por ele. Atraída pela pessoa que ele era e por tudo o que havia nele.
- Não te interessa o que o teu pai pensa? – questionei.
Ele olhou-me com cepticismo.
- Pouco me interessa o que ele acha. A nossa relação nunca foi harmoniosa. Não gosto da forma como está a agir à nossa proximidade. – disse colocando as suas mãos no volante. Olhou-me e lançou um sorriso fatal. Senti o meu coração a palpitar e a querer alcançar aqueles lábios. – Blair… - continuou tocando com as pontas dos seus dedos na minha face. – Aceitas namorar comigo?
Temia aquela pergunta. Não que não desejasse ardentemente permanecer com ele… mas havia algo na minha mente que me dizia que ia cair num emaranhado de sofrimento. Porém, cada vez que me questionavam acerca desse assunto essa mesma voz dizia-me precisamente o mesmo. Por outro lado, outra voz dizia-me para seguir em frente e fazer aquilo que os meus sentimentos ditavam. Ele olhava-me expectante e eu olhava-o confusa. As suas mãos continuavam a acariciar a minha face e eu sentia arrepios que me percorriam o corpo.
- Blair? – questionou quase num murmúrio. – Responde-me, por favor… Não me deixes nesta agonia por muito mais tempo.
Vislumbrei mais uma vez a sua face e, quase como se fosse um acto involuntário lancei-me ao seu pescoço pousando os meus lábios nos seus levemente. Ian correspondeu activamente com a sua habitual ferocidade e fatalidade. Há algum tempo que não me sentia tão viva e tão amada. O seu beijo era caloroso e selvagem. Fazia-me sentir a única pessoa amada no mundo. Os seus lábios começaram a percorrer-me o pescoço e por muito que quisesse parar, não tinha forças suficientes para o impedir. Ele fazia-me sentir tão bem! Tão curada! Fazia-me esquecer o objectivo da minha viagem e a minha suposta missão. Fazia-me sentir uma adolescente a viver o seu primeiro amor! Ian fazia-me sentir tão segura, tão protegida de tudo e de todos que, por momentos me esqueci de todos os meus problemas.
Abruptamente ele afastou-se com um grande sorriso.
- Acho que entendi a tua resposta. – disse com um sorriso de orelha a orelha.
Com um laivo de vergonha acrescentei:
- Acho que fui deveras explícita.
- Gosto desse teu lado explícito. – disse com um sorriso.
Sorri também e voltei a puxá-lo para mim. Ele aproximou-se de bom grado. Olhei para o relógio e vi que apenas faltavam um par de minutos para as aulas começarem. Avisei-o e ele acedeu a custo.
Quando chegámos ao Pólo Universitário, para não variar todas as alunas verificavam se o famoso professor vinha acompanhado. Ultimamente tinha tido uma companhia que se vinha a mostrar constante e inconveniente.
Peguei na minha mala e nos meus livros e saí, fechando a porta do carro.
- Vais esperar por mim. – disse-me.
Obedeci-lhe, esperando por ele com receio do que ele fosse fazer. Vi olhares ameaçadores de raparigas e não só a mirarem-me. Acho que se tivessem o poder de me transformar num sapo só com o olhar já me teriam transformado nesse anfíbio. Ian colocou-se ao meu lado entrelaçando os meus dedos nos seus exibindo um sorriso característico de felicidade. Começou a caminhar lentamente e eu ladeava-o cabisbaixa. Por onde passava ouvia comentários depreciativos ou risadas. Era altamente constrangedor.
- Eu não sei como é que ele consegue namoriscar uma rapariga como aquela. – disse uma rapariga que se assemelhava à Paris Hilton. – Sem classe. Olha só para as roupas dela? Misturas excessivas, mistura de estilos! Que afronta contra a moda!
- Ian… - murmurei. – Estamos a dar muito nas vistas. Todos me olham e estão a achar que sou a “namoradinha do professor”. Eu amo-te e não é preciso demonstrá-lo assim tão precocemente.
Ele olhou-me com estupefacção.
- Tu disseste…? Que me amavas? – sorriu. – Eu amo-te mais.
Ele preparava-se para me beijar.
- Por favor, aqui não! Morro de vergonha! – disse-lhe.
Ele soltou uma gargalhada e largou-me.
- Vai ter as tuas aulas. Encontrámo-nos no final das aulas.
Puxou-me contra si e beijou-me levemente. Não haviam espectadores.
Contra a minha vontade dirigi-me para as aulas. Ma entrei na sala, dezenas de cabeças rodaram na minha direcção. Ouvi algumas risadas, alguns comentários completamente descontextualizados mas ignorei-os por completo.
As aulas foram entediantes. Os professores debitavam matéria a um ritmo acelerado e eu estava com dificuldades em acompanhar, uma vez que só me conseguia concentrar no beijo de Ian e nos minutos e nas horas que ainda tinham de passar para eu estar com ele.Finalmente, e após algumas horas a campainha soou.          Saí disparada como uma bala até à sala dos professores.
Ian apareceu à porta com aquele seu sorriso fatal puxando-me de imediato para si. Largou-me algum tempo depois.
- Blair… estive aqui a pensar e a dar voltas à minha cabeça… Eu quero ajudar-te a encontrar o teu pai e o teu irmão. – disse-me com um sorriso. – Estive a fazer uma pesquisa, a fazer uns telefonemas mas, aparentemente ninguém sabe do corpo do teu pai e do teu irmão. Procurei pelo nome do teu pai mas não há registos desse nome e do teu irmão, que por coincidência tem o meu primeiro nome, - sorriu. – também não.
- Dás-me só um minutinho? – pedi, afastando-me o máximo possível.
Digitei o número de Marie Flore. O raio da mulher não me atendia a chamada. Telefonei para o telefone fixo e após exaustivas tentativas, uma voz atendeu-o.
- Boa tarde, precisava de falar com Marie Flore. – disse com delicadeza. – Podia comunicar-lhe?
Ouvi um longo período de silêncio do outro lado da linha.
- Quem fala?
- Blair Fielding. – respondi.
- A senhora Marie Flore morreu ontem, menina Blair. – disse num tom de voz mórbido.
- O quê?! Como? – inquiri atónita.
- Foi baleada por alguém num café. Ninguém sabe o que se passou. – respondeu. – Passe por cá. A senhora tinha algo para si.
- Obrigada. Ainda hoje passarei por aí.
Desliguei a chamada. Fiquei a matutar na morte de Marie Flore. Fiz uma retrospectiva e lembrei-me do excesso de dados. Ela tinha-me fornecido mais dados do que devia. Teria isso contribuído para a sua morte?
As lágrimas começavam a picar-me os olhos. Ian aproximou-se de mim e abraçou-me fortemente.
- O que se passa? – questionou.
A minha cabeça estava pousada sobre o seu peito, molhando a sua camisola com as minhas lágrimas.
Soluçando, disse:
- Marie Flore… morreu. Assassinada.
Ele olhou-me e envolveu-me ainda mais. Fazia-me sentir uma criança.
- Não chores, Blair. Odeio ver-te triste. – fez uma pausa. – Mas por que choras por uma desconhecida? – questionou com curiosidade.
Olhei-o por instantes.
- Ela estava a fornecer-me informações sobre a minha família… ela não podia divulgar informação a mais e agora percebo o que ela queria dizer. – fiz uma pausa. O meu choro tornara-se compulsivo. – Eu contribuí para a sua morte! Ela forneceu-me mais informação do que era suposto!
Ele beijou-me e limpou as minhas lágrimas com as suas mãos. Esforçou-se por fazer um sorriso confiante e abraçou-me.
- Às vezes chorar faz bem. Chora. – disse-me com uma voz trémula.
Senti uma lágrima atingir-me a nuca.

22 comentários:

Gonçalo disse...

Continua muito bom sem duvida :D

lara beatriz disse...

adorei, ai são um par tão fofo. (:
contunia, beijinhos

Al* disse...

surpreendeu. gostei imenso :)

Catarina disse...

adoreii* :)
quando escreveres um livro e pores para venda vou compra-lo xDD [se o fizeres e aconselho-te pq tens q aproveitar esse teu talento :) ]

Gonçalo disse...

obrigada :D és uma querida!!

bjo**

RITA VIEIRA disse...

OBRIGADA (;

lara beatriz disse...

Acho que ao princípio nunca nos identificamos muito com o que escrevemos. Eu também espero que passe depressa, obrigada e beijinhos :)

Catarina disse...

nao pode ser so isso. as outras pessoas teem que conhecer o teu talento

kings of leon <3

Catarina disse...

me too :)

do que algumas da tua idade e mts que ganham a vida com isso. mas esta e a minha opiniao $:

Catarina disse...

Infelizmente tens razao s:

Catarina disse...

tbm sou bue como tu :b

Catarina disse...

nao quer dizer eu tenho textos pequenos neah. nao passam de 20 paginas de word. mas eu gostava de publicar um livro como um de MRP o vou contar-te um segredo. queria um desses e dps outro mas nao sei. tou a falar da cena da coragem e isso.

obrigadaa

Catarina disse...

siiim :)

Catarina disse...

http://www.facebook.com/profile.php?id=100000445043032

Catarina disse...

ja aceitei :)

ac disse...

não , ele não me disse nada ... obrigado pela força querida «3

ac disse...

eu também estou a adorar a tua história :')
vou tentar continuar a escrever a minha , querida !
Beijinho Grande *

Nicole disse...

Ahhh ameiii ... :D
Bem tenho de tirar um tempinho para ler do principio.. :D
Vou seguir.te :b
Beijinho*

Catarina disse...

é mesmo esse o objectivo :bb
primeiro irei mostrar o presente e depois vou mostrar o passado :) esta historia vai ser um bcd mais forte que as outras

Catarina disse...

ainda bem :b

Nicole disse...

De nada*
E obrigada por tbem seguires o meu !! :D
*-*
Beijinhos*

lara beatriz disse...

espero bem, não quero de todo, escrever uma história semelhante às que tenho escrito. :)